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Rio: crime organizado teve mais de R$ 900 milhões bloqueados em 2025

Gaeco ajuizou 70 denúncias contra 767 pessoas no ano passado

Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 07/01/2026 — 07:02
Rio de Janeiro
OPERAÇÃO MUNDITA - GAECO deflagra operação contra fraudes em licitação em diversas cidades do Estado de SP., com envolvimento do PCC. Foto: MPSP
Repro­dução: © MPSP

O Min­istério Públi­co do Rio de Janeiro (MPRJ) encer­rou 2025 com números expres­sivos no enfrenta­men­to finan­ceiro às orga­ni­za­ções crim­i­nosas que atu­am no esta­do. Como resul­ta­do da atu­ação do Grupo de Atu­ação Espe­cial de Com­bate ao Crime Orga­ni­za­do (Gae­co) ao lon­go do ano, foi requeri­do ao Judi­ciário o blo­queio de R$ 906.265.077,21 em recur­sos vin­cu­la­dos a pes­soas e orga­ni­za­ções crim­i­nosas.

Para isso, o grupo qual­i­fi­cou seus méto­dos de inves­ti­gação, ampliou o inter­câm­bio de infor­mações rela­cionadas a crimes finan­ceiros de alcance nacional e transna­cional e fir­mou parce­rias estratég­i­cas que per­mi­ti­ram expandir o alcance de suas ações. Um exem­p­lo é o Acor­do de Coop­er­ação Téc­ni­ca fir­ma­do pelo MPRJ com a Polí­cia Civ­il, em março do ano pas­sa­do, com o obje­ti­vo de ampli­ar a apli­cação do con­fis­co de bens nas inves­ti­gações pat­ri­mo­ni­ais, instru­men­to essen­cial para ras­trear, blo­quear e recu­per­ar patrimônios ilíc­i­tos.

De acor­do com a coor­de­nado­ra do Gae­co, pro­mo­to­ra de Justiça Letí­cia Emile Alqueres Petriz, o impacto dessas ações vai além dos números.

“A asfix­ia finan­ceira das orga­ni­za­ções crim­i­nosas atinge o núcleo de sus­ten­tação, enfraque­cen­do a capaci­dade de oper­ação e expan­são. A atu­ação do Gae­co é estrate­gi­ca­mente ori­en­ta­da para minar o poder econômi­co dess­es gru­pos, espe­cial­mente por meio da inves­ti­gação pat­ri­mo­ni­al e da apli­cação do con­fis­co alarga­do, que per­mite reti­rar da crim­i­nal­i­dade os recur­sos obti­dos de for­ma ilíci­ta e impedir sua rein­serção no cir­cuito econômi­co”, afir­mou

Denúncias

Em 2025, o Gae­co ajuizou 70 denún­cias con­tra 767 pes­soas, entre elas 120 agentes públi­cos, e obteve ordens judi­ci­ais que sub­sidiaram 39 oper­ações voltadas ao cumpri­men­to de man­da­dos de prisão e de bus­ca e apreen­são.

Entre as prin­ci­pais ações real­izadas ao lon­go do ano, o MPRJ cumpriu man­da­dos de bus­ca e apreen­são con­tra inves­ti­ga­dos pelo envolvi­men­to no homicí­dio do advo­ga­do Rodri­go Cre­spo; atu­ou no cumpri­men­to de man­da­dos de prisão e de bus­ca e apreen­são con­tra inte­grantes de uma orga­ni­za­ção crim­i­nosa que fur­ta­va petróleo bru­to dos dutos da Transpetro, com atu­ação nos esta­dos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais; e par­ticipou de ações con­jun­tas com min­istérios públi­cos de out­ros esta­dos, como a Oper­ação Car­bono Ocul­to, deflagra­da pelo Min­istério Públi­co de São Paulo (MPSP) con­tra um esque­ma bil­ionário de adul­ter­ação e dis­tribuição irreg­u­lar de com­bustíveis.

Desta­cam-se tam­bém as denún­cias ajuizadas con­tra nove inte­grantes do chama­do novo “Escritório do Crime”, incluin­do três poli­ci­ais mil­itares; con­tra mem­bros da nova cúpu­la do jogo do bicho, entre eles Rogério de Andrade, Flávio da Sil­va San­tos, con­heci­do como “Pepé” ou “Flávio da Moci­dade”, e Vini­cius Dru­mond; além de 67 inte­grantes da facção crim­i­nosa Coman­do Ver­mel­ho. 

Tam­bém foram denun­ci­a­dos servi­dores públi­cos por crimes como pec­u­la­to, cor­rupção, fraudes a lic­i­tação, lavagem de cap­i­tais e envolvi­men­to com ativi­dades rela­cionadas à milí­cia. Em destaque, as denún­cias con­tra 22 agentes do Depar­ta­men­to Ger­al de Ações Socioe­d­uca­ti­vas (Degase), acu­sa­dos de inci­tar inter­nos do Cen­tro de Socioe­d­u­cação (Cense) Ilha do Gov­er­nador à depredação da unidade; con­tra servi­dores e engen­heiros do Insti­tu­to Estad­ual do Ambi­ente (Inea), envolvi­dos em esque­ma de cor­rupção para a emis­são irreg­u­lar de licenças ambi­en­tais; além de três bombeiros mil­itares de Cabo Frio e de dois ex-secretários munic­i­pais de Sil­va Jardim, por crimes rela­ciona­dos à emis­são irreg­u­lar de licenças e a fraudes em lic­i­tação.

Ao lon­go do ano, o Gae­co tam­bém obteve decisões judi­ci­ais favoráveis em medi­das caute­lares. Entre elas estão a manutenção do con­tra­ven­tor Rogério de Andrade no Presí­dio Fed­er­al de Segu­rança Máx­i­ma de Cam­po Grande (MS); a per­manên­cia do mili­ciano Luís Antônio da Sil­va Bra­ga, con­heci­do como Zin­ho, no Presí­dio Fed­er­al de Segu­rança Máx­i­ma em Brasília (DF); e a con­fir­mação, em segun­da instân­cia, da sen­tença de pronún­cia que lev­ou o bicheiro Bernar­do Bel­lo e seu com­parsa, Wag­n­er Dan­tas Ale­gre, a jul­ga­men­to pelo Tri­bunal do Júri pelo homicí­dio do con­tra­ven­tor Alcebíades Paes Gar­cia, con­heci­do como Bid, mor­to quan­do chega­va em casa, após assi­s­tir aos des­files das esco­las de sam­ba na Mar­quês de Sapu­caí. Ele era irmão de Waldemir Paes Gar­cia, o Man­in­ho, tam­bém assas­si­na­do quan­do saia de uma acad­e­mia de ginás­ti­ca em Jacarepaguá.

Ambiente digital

De acor­do com a coor­de­nado­ra do Gae­co, Letí­cia Petriz, a ini­cia­ti­va reflete a adap­tação necessária ao avanço das práti­cas crim­i­nosas. “A cri­ação do Cyber­Gae­co rep­re­sen­ta pas­so estratégi­co para a mod­ern­iza­ção das inves­ti­gações, diante da cres­cente atu­ação das orga­ni­za­ções crim­i­nosas no ambi­ente dig­i­tal. A exper­iên­cia de out­ros min­istérios públi­cos com estru­turas semel­hantes demon­stra que a espe­cial­iza­ção é fun­da­men­tal para ampli­ar a efe­tivi­dade das apu­rações, espe­cial­mente em crimes que envolvem tec­nolo­gia, crip­to­moedas e lavagem de din­heiro”, expli­cou a pro­mo­to­ra.

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