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Uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome em 2023, aponta FAO

Repro­dução: © Cole­ti­vo Banquetaço/Divulgação

Mundo está longe do objetivo de erradicar a fome até 2030


Publicado em 24/07/2024 — 09:01 Por Luiz Claudio Ferreira — Repórter da Agência Brasil — Brasília
Atualizado em 24/07/2024 — 10:26

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Uma em cada 11 pes­soas pode ter pas­sa­do fome no mun­do em 2023, segun­do relatório da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para a Ali­men­tação e a Agri­cul­tura (FAO), divul­ga­do na man­hã des­ta quar­ta-feira (24). Há uma prevalên­cia glob­al de sub­nu­trição em nív­el semel­hante por três anos con­sec­u­tivos depois de ter aumen­ta­do acen­tu­ada­mente após a pan­demia de covid-19. O doc­u­men­to afir­ma que o mun­do está longe de alcançar o obje­ti­vo de desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el (ODS‑2) de erradicar a fome até 2030.

“Entre 713 e 757 mil­hões de pes­soas podem ter enfrenta­do a fome em 2023 – uma em cada 11 pes­soas no mun­do, e uma em cada cin­co em África”. São difer­entes motivos que impactam os povos em maior vul­ner­a­bil­i­dade, como con­fli­tos, mudanças climáti­cas, desacel­er­ações econômi­cas e as recessões.

No ano pas­sa­do, a esti­ma­ti­va era que 28,9% da pop­u­lação mundi­al (ou 2,33 bil­hões de pes­soas) esta­va em mod­er­a­da ou grave inse­gu­rança ali­men­tar.

“O aumen­to da fome é maior nos país­es pobres afe­ta­dos por mais do que um grande impul­sion­ador. Isso porque o sis­tema agroal­i­men­tar nestes país­es não são resilientes a essas forças exter­nas”. Um aler­ta é que a fome, a inse­gu­rança ali­men­tar e a desnu­trição con­tin­u­am a aumen­tar “e afe­tam despro­por­cional­mente as cri­anças”.

Out­ros públi­cos mais vul­neráveis têm sido as mul­heres, os jovens e os povos indí­ge­nas, de acor­do com o doc­u­men­to.

Financiamento

A FAO avalia que um prob­le­ma grave é a fal­ta de uma solução comum em relação ao finan­cia­men­to para a segu­rança ali­men­tar e nutri­cional. “No caso de finan­cia­men­to para a segu­rança ali­men­tar e nutri­cional, não é pos­sív­el avaliar ade­quada­mente os níveis exis­tentes, muito menos mon­i­torar pro­gres­sos ou retro­ces­sos (para cumprir as metas)”.

A enti­dade expli­ca que existe uma neces­si­dade urgente de avançar para uma ação comum para o finan­cia­men­to da segu­rança ali­men­tar. Uma análise de 10 país­es de baixa e média ren­da (que inclui o Brasil) mostra que os gas­tos públi­cos com segu­rança ali­men­tar e nutrição estavam crescen­do antes da pan­demia de covid-19.

Na avali­ação da FAO, gov­er­nos em alguns país­es de ren­da média tam­bém pare­cem estar gas­tan­do rel­a­ti­va­mente mais parte do seu orça­men­to para resolver as prin­ci­pais causas da inse­gu­rança ali­men­tar e da desnu­trição em com­para­ção com país­es de baixa ren­da. A FAO argu­men­ta que o relatório é um ape­lo “forte e urgente” à aju­da glob­al e tam­bém às ações nacionais para resolver este prob­le­ma como parte da agen­da glob­al de ação dos obje­tivos de desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el. “Há desigual­dades no aces­so ao finan­cia­men­to para segu­rança ali­men­tar e nutrição entre país­es e den­tro dos país­es”.

O estu­do iden­ti­fi­ca que cer­ca de 63% dos país­es com alta ou cres­cente fome, inse­gu­rança ali­men­tar e desnu­trição lutam para obter finan­cia­men­to para a segu­rança ali­men­tar e nutrição. “A maio­r­ia destes país­es (82%) são afe­ta­dos por um ou mais dos prin­ci­pais impul­sion­adores da fome (…). E, por isso, é impor­tante aumen­tar o finan­cia­men­to para país­es com níveis mais ele­va­dos de fome”.

Parcerias

O relatório argu­men­ta que somente fontes ofi­ci­ais e públi­cas de finan­cia­men­to não serão sufi­cientes para preencher a lacu­na de finan­cia­men­to para acabar com a fome.

“Aumen­tar o finan­cia­men­to pri­va­do, através de parce­rias públi­co-pri­vadas, tam­bém será essen­cial para com­ple­men­tar os esforços”.

A FAO argu­men­ta que não aten­der à agen­da de 2030 acar­reta cus­tos soci­ais, econômi­cos e ambi­en­tais incomen­su­ráveis. “Não há tem­po a perder, já que o cus­to da inação excede em muito o cus­to da ação”.

Os dados do relatório servirão de base para dis­cussões, segun­do a FAO, na Cúpu­la do Futuro, em setem­bro deste ano, e na Con­fer­ên­cia Inter­na­cional sobre Finan­cia­men­to para o Desen­volvi­men­to, no ano que vem.

Obesidade

Tendên­cias cres­centes de obesi­dade de adul­tos e tam­bém de ane­mia entre mul­heres de 15 a 49 anos são con­sid­er­adas pre­ocu­pantes, segun­do a FAO.

O doc­u­men­to mostra que a prevalên­cia de obesi­dade entre adul­tos teve um aumen­to con­stante ao lon­go das últi­mas décadas, de 12,1% (591 mil­hões de pes­soas, em 2012) para 15,8% (881 mil­hões de pes­soas, em 2022). “A pre­visão é do número aumen­tar para mais de 1,2 bil­hão até 2030. Sobre a ane­mia de mul­heres de 15 a 49 anos, aumen­tou de 28,5%, em 2012, para 29,9%, em 2019 e há uma pro­jeção para atin­gir 32,3% até 2030.

Por out­ro lado, o doc­u­men­to iden­ti­fi­cou que have­ria menos cri­anças afe­tadas pelo atra­so no cresci­men­to. Aliás, o relatório apon­ta que o atra­so no cresci­men­to infan­til pode ter dimin­uí­do em um terço nas últi­mas duas décadas, o que mostraria uma mudança pos­i­ti­va glob­al. Na avali­ação da FAO, são mudanças pos­i­ti­vas, como o “dire­ito à ali­men­tação ade­qua­da e um padrão de vida que garan­ta a dig­nidade, saúde e bem-estar de todas as pes­soas, espe­cial­mente para ger­ações futuras”.

Edição: Aline Leal

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