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Times 100% femininos encaram equipes masculinas em torneio infantil

Repro­dução: © Danielle Lima/Divulgação

Meninas da base do Vila Nova/Universo querem seguir carreira


Pub­li­ca­do em 18/11/2021 — 22:20 Por Lin­coln Chaves — Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional — São Paulo

Em meio à pre­dom­inân­cia mas­culi­na nas duas mil cri­anças que par­tic­i­pam des­de segun­da-feira (15), em Apare­ci­da de Goiâ­nia (GO), de um campe­ona­to de fute­bol infan­til, estão 102 meni­nas. Qua­torze delas defen­d­em as equipes sub-13 e sub-14 do Vila Nova/Universo, as úni­cas total­mente fem­i­ni­nas da com­petição, con­sid­er­a­da a maior do mun­do para jovens de 8 a 14 anos. Elas têm enfrenta­do times mis­tos ou 100% for­ma­do por meni­nos, da mes­ma faixa etária.

Não que dividir o cam­po com rapazes seja exata­mente novi­dade. O iní­cio de prati­ca­mente todas elas no fute­bol foi jus­ta­mente assim. A zagueira Duda Pazz­i­nat­to, de 14 anos, por exem­p­lo, dis­pu­ta a com­petição Go Cup pela quin­ta vez, sendo a primeira em um time só de meni­nas.

“Meu pai lev­a­va meu irmão para jog­ar e eu ia jun­to. Sem­pre gostei de fute­bol, então pedi para ele me colo­car na escol­in­ha, onde entrei com cin­co anos. Sem­pre joguei com meni­nos. Só há qua­tro anos é que pas­sei a jog­ar com out­ras meni­nas”, con­tou a defen­so­ra à Agên­cia Brasil.

“Joga­va bola em casa com meu irmão. Quan­do nos­so pai o lev­ou à escol­in­ha, pedi para ir tam­bém. No começo ele não aceitou, mas depois foi deixan­do. Eu tin­ha cin­co, seis anos”, recor­dou a ata­cante Vitória Freire, de tam­bém 14 anos.

A pro­jeção midiáti­ca do fute­bol mas­culi­no, ain­da muito supe­ri­or à do fem­i­ni­no, faz com que as meni­nas ten­ham jogadores home­ns como as primeiras refer­ên­cias na modal­i­dade, mas não mais as úni­cas. Mar­ta, Cris­tiane, Formi­ga e Tamires, entre out­ras craques da seleção brasileira, já são parte nat­ur­al do repertório de idol­a­tria.

“Gos­to bas­tante de acom­pan­har, ver o fute­bol fem­i­ni­no crescen­do, porque a gente não tin­ha essa voz antiga­mente. O mas­culi­no a gente acom­pan­ha des­de sem­pre, não tem como [deixar de ver]”, avalia a lat­er­al Aman­da Rezende, out­ra de 14 anos.

Essa ausên­cia de voz se expli­ca pelo fute­bol fem­i­ni­no ter sido proibido no Brasil por qua­tro décadas, por meio do Decre­to-lei 3.199, de abril de 1941, que, no arti­go 54, dizia que “às mul­heres não se per­mi­tirá a práti­ca de desportos incom­patíveis com as condições de sua natureza”. A reg­u­la­men­tação da modal­i­dade ocor­reu em 1983, enquan­to o primeiro torneio nacional orga­ni­za­do pela Con­fed­er­ação Brasileira de Fute­bol (CBF), a Copa do Brasil (hoje extin­ta), veio somente em 2007. O Campe­ona­to Brasileiro surgiu ape­nas em 2013.

O cenário atu­al é mais promis­sor que antes. A par­tir do ano que vem, o campe­ona­to nacional terá três divisões (denom­i­nadas Séries A1, A2 e A3). Além dis­so, o cal­endário pre­vê três com­petições de base: os Brasileiros sub-16 e sub-18 e a Liga de Desen­volvi­men­to sub-14 e sub-16, da Con­fed­er­ação Sul-Amer­i­cana de Fute­bol (Con­mebol). Não à toa, as meni­nas do Vila Nova/Universo são unân­imes quan­to ao dese­jo de seguir uma car­reira profis­sion­al.

“[O fute­bol fem­i­ni­no] está cada dia mel­hor. Ain­da há pes­soas que não apoiam por pre­con­ceito, falan­do que meni­na não sabe jog­ar, mas não é isso que vai nos colo­car para baixo”, afir­mou a lat­er­al Lau­ra Urci­no, mais uma na casa dos 14 anos.

A primeira vitória do Vila Nova/Universo veio nes­ta quin­ta-feira (18), sobre a escol­in­ha San­tos Tubarão, de Goiás, por 2 a 1, no sub-13, onde a equipe já encer­rou a par­tic­i­pação. No sub-14, elas dis­putam, nes­ta sex­ta-feira (19), a últi­ma roda­da da eta­pa clas­si­fi­catória, ain­da com chances de decidir a Série Bronze (que reunirá o séti­mo e o oita­vo colo­ca­dos) em caso de tri­un­fo.

“É uma nova exper­iên­cia, acho que para todo mun­do. Para mui­ta gente não é a primeira vez [no torneio], mas a primeira vez [jogan­do] com meni­nas. A difer­ença para os meni­nos é muito grande, mas a gente ten­ta dar raça e o mel­hor de nós em cam­po”, con­clui Luísa Rosa, 14 anos, que atua como goleira e zagueira.

O even­to é real­iza­do em um com­plexo com 24 cam­pos, em Apare­ci­da de Goiâ­nia. As prin­ci­pais decisões de cada cat­e­go­ria (sub‑8 a sub-14) serão dis­putadas neste sába­do (20), no está­dio Anni­bal Batista de Tole­do, que rece­beu, sem­ana pas­sa­da, a final da Série D do Campe­ona­to Brasileiro, entre Apare­ci­dense-GO e Campinense-PB. A par­ti­da ter­mi­nou empata­da por 1 a 1 e o clube goiano ficou com o títu­lo nacional. A TV Brasil trans­mi­tiu o jogo ao vivo.

Edição: Fábio Lis­boa

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