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Edital do BNDES prevê financiamento híbrido em ações socioambientais

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Inscrições estão abertas até o dia 8 de julho


Pub­li­ca­do em 09/05/2022 — 17:58 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

O Ban­co Nacional de Desen­volvi­men­to Econômi­co e Social (BNDES) lançou hoje (9) um edi­tal para apoiar pro­je­tos e pro­gra­mas nas áreas de bioe­cono­mia flo­re­stal, econo­mia cir­cu­lar e desen­volvi­men­to urbano. Segun­do a insti­tu­ição, tra­ta-se de chama­da públi­ca para uma solução finan­ceira híbri­da, con­heci­da inter­na­cional­mente como blend­ed finance. O ban­co espera ger­ar um impacto de pelo menos R$ 400 mil­hões.

O blend­ed finance envolve o uso estratégi­co de recur­sos filantrópi­cos para mobi­lizar novos flux­os de cap­i­tal pri­va­do. Segun­do o BNDES, por bus­car um equi­líbrio entre risco e retornos dos inves­ti­men­tos, este é um cam­in­ho que pode aju­dar a des­ti­nar recur­sos para via­bi­lizar a Agen­da 2030, um plano de ação glob­al for­mu­la­do pela Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU) que reúne obje­tivos e metas de desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el.

O dire­tor de crédi­to pro­du­ti­vo e socioam­bi­en­tal da insti­tu­ição, Bruno Aran­ha, diz que o desafio ambi­en­tal pre­cisa ser enfrenta­do a par­tir de parce­rias que envolvam Poder Públi­co, empre­sas, investi­dores, ter­ceiro setor e acad­e­mia. Segun­do ele, esse é o primeiro edi­tal de blend­ed finance do BNDES, mas out­ros já estão nos planos.

O diretor de Crédito Produtivo e Socioambiental do BNDES, Bruno Aranha, é o entrevistado no programa A Voz do Brasil.
Repro­dução: Dire­tor de Crédi­to Pro­du­ti­vo e Socioam­bi­en­tal do BNDES, Bruno Aran­ha — Val­ter Campanato/Agência Brasil
“Ele con­ju­ga os mun­dos da filantropia e do mer­ca­do finan­ceiro, trazen­do o mel­hor que existe em ambos. O mun­do da filantropia tra­bal­han­do com recur­sos não reem­bol­sáveis e con­hecen­do a pon­ta, con­hecen­do a real­i­dade de quem mais pre­cisa e desen­vol­ven­do pro­je­to. Assim como o mer­ca­do finan­ceiro que tem aces­so aos mais difer­entes bol­sos, que tem uma exper­tise para ino­var e con­stru­ir pro­du­tos finan­ceiros que alin­ham os inter­ess­es e per­mitem que os recur­sos sejam canal­iza­dos”, diz.

Nes­ta primeira exper­iên­cia, serão escol­hi­das até 12 pro­postas, sendo até qua­tro de cada uma das áreas temáti­cas: bioe­cono­mia flo­re­stal, desen­volvi­men­to urbano, econo­mia cir­cu­lar. Os pro­je­tos podem com­bi­nar instru­men­tos diver­sos de finan­cia­men­to. As inscrições estão aber­tas até o dia 8 de jul­ho.

A mes­ma insti­tu­ição, públi­ca ou pri­va­da, poderá apre­sen­tar mais de uma pro­pos­ta, mas não poderá rece­ber do BNDES mais do que R$ 30 mil­hões. O pra­zo para o desen­volvi­men­to dos pro­je­tos sele­ciona­dos será de 10 anos. Den­tro desse perío­do, deve ocor­rer a con­tratação, a cap­tação de recur­sos, a exe­cução e a obtenção de resul­ta­dos. Ao todo, o BNDES irá des­ti­nar até R$ 90 mil­hões em recur­sos não reem­bol­sáveis.

“Temos uma expec­ta­ti­va que as pro­postas ven­ham com uma ala­vancagem de pelo menos qua­tro vezes na sua estru­tu­ra. Ou seja, R$ 1 do BNDES e mais R$ 3 dos demais par­ceiros. Ess­es R$ 3 podem ser de recur­sos não reem­bol­sáveis ou podem ser com­er­ci­ais”, diz Bruno. Além da ala­vancagem, será con­sid­er­a­da na seleção out­ros critérios como sus­tentabil­i­dade finan­ceira, escala e replic­a­bil­i­dade, par­tic­i­pação de estru­turas ino­vado­ras e impacto pre­vis­to.

Meta distante

Par­ceiro na ini­cia­ti­va, a orga­ni­za­ção sem fins lucra­tivos Cli­mate Pol­i­cy Ini­tia­tive (CPI) avalia que o mun­do ain­da está dis­tante do que é necessário para a tran­sição a uma econo­mia de baixo car­bono. Estim­u­lar par­ceiros pri­va­dos a con­tribuir com pro­postas e estru­turas ino­vado­ras capazes de ala­van­car o desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el é con­sid­er­a­do um dos desafios.

“Aumen­tar e inte­grar os inves­ti­men­tos em cli­ma é um pas­so cru­cial no cam­in­ho da lim­i­tação do aque­c­i­men­to glob­al em 1,5 grau até 2100, con­forme o Acor­do de Paris. Os últi­mos números do panora­ma glob­al de finan­cia­men­to do cli­ma mostram que o fluxo de finan­cia­men­to atingiu US$ 632 bil­hões no biênio 2019–2020, o val­or mais alto até ago­ra com atores públi­cos e pri­va­dos par­tic­i­pan­do”, obser­va Felipe Borschiv­er, que atua no Glob­al Inno­va­tion Lab for Cli­mate Finance, um pro­gra­ma sec­re­tari­a­do pela CPI.

Ape­sar dos avanços, ele pon­dera que a situ­ação pre­ocu­pa porque o rit­mo de cresci­men­to vem se reduzin­do. O fluxo de finan­cia­men­to chegou reg­is­trar altas de aprox­i­mada­mente 25% ao ano, mas atual­mente está próx­i­mo de 10% ao ano. Segun­do cál­cu­los da CPI, para se cumprir a meta do Acor­do de Paris, é pre­ciso atin­gir um pata­mar de inves­ti­men­to de US$ 4,3 tril­hões por ano.

Edição: Lílian Beral­do

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