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Moradores de São Sebastião estão sem água potável há quatro dias

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Pescadores transportam galões para garantir abastecimento


Pub­li­ca­do em 21/02/2023 — 21:45 Por Daniel Mel­lo — Envi­a­do Espe­cial — São Sebastião (SP)

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Moradores de Boiçu­can­ga, bair­ro forte­mente afe­ta­do pelo tem­po­ral do fim de sem­ana em São Sebastião, no litoral norte paulista, estão sem água para beber. Para garan­tir o abastec­i­men­to da pop­u­lação, a asso­ci­ação de pescadores local se orga­ni­zou para trans­portar gar­rafas de água até a comu­nidade.

“Esta­mos há qua­tro dias sem água. Nós temos que pegar água em Bar­ra do Una [out­ra comu­nidade do municí­pio] para trans­portar para Boiçu­can­ga e dis­tribuir. Hoje, voltou um pouquin­ho de água, mas água bar­renta”, expli­ca o mar­in­heiro Riv­eli­no Rodrigues, que tin­ha acaba­do de chegar ao bair­ro com um dos car­rega­men­tos.

Das torneiras, a água sai mar­rom, cheia de ter­ra dos desliza­men­tos.

Com a fal­ta de água potáv­el, alguns com­er­ciantes ten­taram se aproveitar da situ­ação. “Os com­er­ciantes estão alu­gan­do bar­cos de Bar­ra de Una para Boiçu­can­ga e venden­do a água por um absur­do”, diz.

Um grupo de tur­is­tas con­fir­mou que havia quem quisesse cobrar R$ 98 por um galão.

Caminhões-pipa

São Sebastião (SP), 21/02/2023, Troncos de árvores e água do mar barrenta na praia de Boiçucanga após enchentes e deslizamentos no litoral norte de São Paulo.
Repro­dução: São Sebastião (SP), 21/02/2023, Tron­cos de árvores e água do mar bar­renta na pra­ia de Boiçu­can­ga após enchentes e desliza­men­tos no litoral norte de São Paulo. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

A Com­pan­hia de Sanea­men­to Bási­co do Esta­do de São Paulo (Sabe­sp) diz que está tra­bal­han­do para reesta­b­ele­cer o abastec­i­men­to de água em todo o litoral norte, com equipes em Boiçu­can­ga.

Em São Sebastião e Ilha­bela, 31 cam­in­hões-pipa fazem, de acor­do com a empre­sa, o abastec­i­men­to emer­gen­cial nos locais mais afe­ta­dos pelas chu­vas.

Barcos resgatados com trator

Os pescadores, orga­ni­za­dos na asso­ci­ação local, tam­bém lev­am man­ti­men­tos para as comu­nidades que sofr­eram mais com o desas­tre. Na cidade, os desliza­men­tos mataram 43 pes­soas e deixaram cen­te­nas de desabri­ga­dos.

“Nós lev­a­mos entre ontem e hoje em torno de 2,5 mil toneladas de ali­men­tos, que man­damos para várias esco­las, e colchões e água para onde acon­te­ceu o sin­istro”, diz o pres­i­dente da Asso­ci­ação de Pescadores de Boiçu­can­ga, Ademir de Matos.

Ape­sar de Boiçu­can­ga não ter sido o local mais afe­ta­do, Ademir con­ta que se assus­tou com a força da cheia do rio que dá nome à comu­nidade. “Eu moro há 52 anos aqui e nun­ca vi um desas­tre nat­ur­al dess­es da min­ha vida”, enfa­ti­za.

A água chegou, segun­do ele, a altura de um metro den­tro da sede da asso­ci­ação e os bar­cos dos pescadores tiver­am que ser res­gata­dos com a aju­da de um tra­tor. “Graças a Deus, nós con­seguimos recu­per­ar todos os bar­cos dos pescadores”, desabafa.

Ao lado, o rio e o mar estão com uma tonal­i­dade mar­rom forte dev­i­do à grande quan­ti­dade de bar­ro que desceu das encostas.

São Sebastião (SP), 21/02/2023, Chegada de doações de água e mantimentos na Barra dos Pescadores em Boiçucanga, após enchentes e deslizamentos no litoral norte de São Paulo.
Repro­dução: São Sebastião (SP), 21/02/2023, Chega­da de doações de água e man­ti­men­tos na Bar­ra dos Pescadores em Boiçu­can­ga, após enchentes e desliza­men­tos no litoral norte de São Paulo. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Chuvas

Na tarde de hoje (21), voltou a chover forte em São Sebastião. A Defe­sa Civ­il do municí­pio emi­tiu aler­ta com a pre­visão de chu­vas de 200 milímet­ros des­ta terça-feira até a próx­i­ma sex­ta (24). O prefeito da cidade, Felipe Augus­to, tam­bém divul­gou o aler­ta pelas redes soci­ais. Segun­do o comu­ni­ca­do, há pos­si­bil­i­dade de enchentes e novos desliza­men­tos.

Estragos na Rio-Santos

São Sebastião (SP), 21/02/2023, Trecho da rodovia SP-55 Rio-Santos entre o centro de São Sebastião e o bairro de Boiçucanga, após deslizamentos no litoral norte de São Paulo.
Repro­dução: São Sebastião (SP), 21/02/2023, Tre­cho da rodovia SP-55 Rio-San­tos entre o cen­tro de São Sebastião e o bair­ro de Boiçu­can­ga, após desliza­men­tos no litoral norte de São Paulo. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Com a reaber­tu­ra da maior parte dos pon­tos que estavam inter­di­ta­dos na Rodovia Rio-San­tos, Boiçu­can­ga e out­ros bair­ros não estão mais iso­la­dos. A rodovia segue inter­di­ta­da ape­nas na altura do quilômetro 174. Ape­sar da lib­er­ação para o tráfego, a estra­da mostra as mar­cas da destru­ição cau­sa­da pelas enx­ur­radas e pelos desliza­men­tos.

Em alguns pon­tos, a pista foi par­cial­mente ero­di­da e só há asfal­to em um dos sen­ti­dos. Tron­cos e pedreg­ul­hos ain­da não foram removi­dos e ocu­pam a via em out­ros locais. Na altura do quilômetro 143, uma cachoeira se for­ma no paredão de pedra, ala­ga a estra­da e escorre por uma crat­era do out­ro lado da via.

Mes­mo com a lib­er­ação, no fim da tarde de hoje (21), eram feitas inter­rupções esporádi­cas do tráfego e não havia infor­mações claras sobre as pos­si­bil­i­dades de seguir viagem.

São Sebastião (SP), 21/02/2023, Trecho da rodovia SP-55 Rio-Santos entre o centro de São Sebastião e o bairro de Boiçucanga, na altura da praia Toque Toque, após deslizamentos no litoral norte de São Paulo.
Repro­dução: São Sebastião (SP), 21/02/2023, Tre­cho da rodovia SP-55 Rio-San­tos entre o cen­tro de São Sebastião e o bair­ro de Boiçu­can­ga, na altura da pra­ia Toque Toque, após desliza­men­tos no litoral norte de São Paulo. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Próx­i­mo a Mare­sias, o com­er­ciante José Car­los dos Reis esta­va inse­guro e não sabia se final­mente con­seguiria chegar ao seu des­ti­no, em Cam­buri (SP).

“Estou ten­tan­do retornar para casa há qua­tro dias”, con­tou sobre a viagem que começou em Ribeirão Pre­to, no inte­ri­or paulista. “Ten­tei pas­sar pela Mogi-Bertio­ga, não deu para pas­sar. Voltei pela [Rodovia dos] Tamoios, porque vi as notí­cias de que esta­va lib­er­a­da. E quan­do cheguei aqui, não pode pas­sar”, rela­tou sobre a jor­na­da para ten­tar retornar para casa.

Edição: Lílian Beral­do

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