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Lula questiona papel de organizações internacionais em conflitos

Repro­dução: © Ricar­do Stuckert/ PR

“Estão falidas”, avaliou presidente em coletiva de imprensa na França


Pub­li­ca­do em 24/06/2023 — 09:24 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo
Atu­al­iza­do em 24/06/2023 — 09:39

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O pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va avaliou, em cole­ti­va de impren­sa neste sába­do (24), em Paris, que o mod­e­lo da Cúpu­la sobre o Novo Pacto Glob­al de Finan­cia­men­to, assim como out­ras orga­ni­za­ções mundi­ais, pre­cisa de revisão. “As insti­tu­ições estão fal­i­das”, afir­mou. O Brasil par­ticipou do encer­ra­men­to do encon­tro, na sex­ta-feira (23), na cap­i­tal france­sa. O brasileiro cumpriu agen­da na Itália e na França nes­ta sem­ana e vol­ta hoje para o Brasil. 

“As insti­tu­ições, que foram cri­adas após a Segun­da Guer­ra Mundi­al, já não rep­re­sen­tam mais aqui­lo para o qual elas foram cri­adas. O Ban­co Mundi­al já não rep­re­sen­ta mais, o FMI [Fun­do Mon­etário Inter­na­cional] já não rep­re­sen­ta mais e a própria ONU [Orga­ni­za­ção das Nações Unidas] já não rep­re­sen­ta mais. A ONU, quan­do foi cri­a­da, teve força de cri­ar o esta­do de Israel, hoje ela não tem força para man­ter a demar­cação de ter­ra dos palesti­nos”, apon­tou.

Lula lamen­tou ain­da que as guer­ras sejam pen­sadas e deter­mi­nadas por mem­bros do Con­sel­ho per­ma­nente da ONU. “Quan­do os Esta­dos Unidos invadi­ram o Iraque não con­sul­taram ninguém, quan­do o Sarkozy [ex-pres­i­dente da França] e a Inglater­ra invadi­ram a Líbia não con­sul­taram ninguém, e quan­do Putin inva­diu a Ucrâ­nia, era mem­bro tam­bém, e não con­sul­tou ninguém. Então sig­nifi­ca que as insti­tu­ições estão fal­i­das. O mun­do de 2023 pre­cisa de out­ras insti­tu­ições mais fortes, mais rep­re­sen­ta­ti­vas e com maior par­tic­i­pação”.

Guerra da Ucrânia

Quan­to às críti­cas do jor­nal francês Libéra­tion à posição de Lula em relação à guer­ra na Ucrâ­nia, ele afir­mou que a dis­tân­cia do local da guer­ra o leva a ter out­ra visão. “Não levarei Macron a pen­sar como eu porque ele está próx­i­mo do cam­po de batal­ha, e eu ten­ho um Oceano Atlân­ti­co de difer­ença. Não fico chatea­do quan­do um europeu pen­sa difer­ente de mim. É muito nor­mal que este­jam muito mais ner­vosos porque estão viven­cian­do a guer­ra, ven­do as con­se­quên­cias e com pre­ocu­pação do que vai acon­te­cer”, pon­der­ou.

O pres­i­dente disse ain­da que espera o fim da guer­ra e a paz. “O meu pen­sa­men­to é sim­ples, sou con­tra a guer­ra, quero é paz, nós con­de­n­amos a invasão da Rús­sia ao ter­ritório da Ucrâ­nia, mas isto não impli­ca que vou ficar fomen­tan­do a guer­ra. Acon­tece que a paz só vai acon­te­cer quan­do os dois com­bat­entes chegarem a uma con­clusão, então eu vou esper­ar esse momen­to em que os país­es vão pre­cis­ar de inter­locu­tores com mui­ta respon­s­abil­i­dade para ten­tar nego­ciar, e o Brasil está par­tic­i­pan­do”, acres­cen­tou.

Lula desta­cou que o asses­sor espe­cial para assun­tos inter­na­cionais Cel­so Amor­im está em Copen­h­ague “Ele está em reunião de vários país­es para ten­tar esta­b­ele­cer dis­cussões sobre a paz. Esse é o meu pen­sa­men­to há mais de um ano, eu sou pela paz e não pela guer­ra”.

Ele não quis comen­tar as infor­mações do anún­cio de uma rebe­lião arma­da real­iza­da por um mer­cenário rus­so con­tra o exérci­to de Putin. “Não sei o taman­ho da rebe­lião, não pos­so comen­tar uma coisa que não li, que não con­heço. Seria pre­cip­i­ta­do da min­ha parte faz­er juí­zo de val­ores do assun­to. Pre­tendo não falar de uma coisa tão sen­sív­el sem ter as infor­mações necessárias”.

Situação do Haiti

O pres­i­dente Lula comen­tou ain­da sua pre­ocu­pação com o Haiti, país cariben­ho situ­a­do na Améri­ca Cen­tral. “O Haiti é prob­le­ma de todos nós e dev­eríamos ter uma pos­tu­ra de, no mín­i­mo, aju­dar para que o país saia da situ­ação em que se encon­tra”. Ele fez questão de destacar que o Brasil pas­sou 13 anos em aju­da human­itária no país. “Em parce­ria com Cuba, fize­mos uma grande Unidade de Pron­to Atendi­men­to no Haiti”.

Na França, o pres­i­dente teve audiên­cia com o primeiro-min­istro do Haiti, Ariel Hen­ry. “Tive­mos uma boa reunião. É aque­la reunião que você fica con­strangi­do porque o mun­do dev­e­ria ter uma pre­ocu­pação com o Haiti. O mun­do dev­e­ria assumir um pouco mais de respon­s­abil­i­dade”.

Lula disse que lev­ou a pau­ta ao pres­i­dente francês. “Con­ver­sei com o pres­i­dente Macron sobre a neces­si­dade de alguém puxar uma pau­ta e colo­car o Haiti no cen­tro da dis­cussão, pre­tendo levar essa dis­cussão para o G20, porque o Haiti não pode ficar à própria sorte, ou seja, esse país paga o preço de ser o primeiro país a con­quis­tar a inde­pendên­cia, paga o preço de ser o primeiro país em que os negros se lib­er­taram e o Haiti não con­segue andar”, lamen­tou. O país vive uma grave crise políti­ca e eleitoral, além da vio­lên­cia de gangues e graves doenças, como a cólera.

*Matéria atu­al­iza­da às 9h39 para inclusão do intertí­tu­lo “Situ­ação do Haiti”.

Edição: Cami­la Maciel

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