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Correios estudam abrir capital e fazem empréstimo de R$ 12 bilhões

Plano foi apresentado para reduzir déficits da estatal

Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 29/12/2025 — 14:58
Brasília
Brasília (DF) 29/12/2025 - Edifício sede dos Correios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/ Agên­cia Brasil

Com o obje­ti­vo de enfrentar os déficits reg­istra­dos des­de 2022, os Cor­reios divul­gar­am nes­ta segun­da-feira (29) um plano de reestru­tu­ração com pre­visão de mudar o regime soci­etário da estatal com a pos­si­bil­i­dade de abrir o cap­i­tal da com­pan­hia.

Com isso, os Cor­reios, que hoje é 100% públi­co, pode­ri­am se tornar uma empre­sa de econo­mia mista, como é a Petro­bras e o Ban­co do Brasil, que con­tam com acionistas pri­va­dos.

O pres­i­dente dos Cor­reios, Emma­noel Ron­don, infor­mou em cole­ti­va de impren­sa em Brasília que aguar­da a con­sul­to­ria con­trata­da apre­sen­tar pro­postas de mudanças na estatal.

“Hoje não tem um olhar sobre pri­va­ti­za­ção, mas tem um olhar sobre parce­rias, inclu­sive soci­etárias. Tem exem­p­los de sociedade de econo­mia mista que fun­cionam. Tem exem­p­los em que, não há sociedade de econo­mia mista, mas há parce­rias especí­fi­cas para temas rel­e­vantes, como negó­cios finan­ceiros e seguri­dade”, expli­cou.

Ron­don acres­cen­tou que que “não tem nen­hu­ma definição de que tipo de parce­ria vai ser fei­ta ain­da” e ressaltou que é necessário aguardar o resul­ta­do da con­sul­to­ria. Segun­do a com­pan­hia, a mudança seria para ade­quar “os Cor­reios ao ambi­ente con­cor­ren­cial do setor de logís­ti­ca, que exige flex­i­bil­i­dade e tec­nolo­gia”.

O plano de reestru­tu­ração dos Cor­reios pre­vê ain­da o fechamen­to de mil agên­cias próprias da estatal, com cortes de despe­sas da ordem de R$ 5 bil­hões até 2028, incluin­do ven­da de imóveis e dois planos de demis­são vol­un­tária (PDVs) para reduzir o número de fun­cionários em 15 mil até 2027.

Empréstimo bilionário

Os Cor­reios anun­cia­ram ain­da que tomaram um emprés­ti­mo de R$ 12 bil­hões com cin­co grandes ban­cos para equi­li­brar as con­tas, com R$ 10 bil­hões desem­bol­sa­dos ain­da em 2025 e out­ros R$ 2 bil­hões em janeiro de 2026. O emprés­ti­mo tem três anos de carên­cia.

“[Esse emprés­ti­mo] vai per­mi­tir a adim­plên­cia nos con­tratos com fornece­dores, nos bene­fí­cios de empre­ga­dos e nos trib­u­tos. Con­tas em dia, com a qual­i­dade da oper­ação recu­per­a­da, a gente vol­ta a ter con­fi­ança no mer­ca­do”, jus­ti­fi­cou o pres­i­dente da com­pan­hia.

O con­tra­to do emprés­ti­mo foi assi­na­do na últi­ma sex­ta-feira (26), com os Ban­cos do Brasil, Caixa Econômi­ca Fed­er­al e Brade­sco entran­do com R$ 3 bil­hões cada um, enquan­to Itaú e San­tander apor­taram out­ros R$ 1,5 bil­hão cada.

Mes­mo com esse emprés­ti­mo, o pres­i­dente da estatal afir­ma que a com­pan­hia segue bus­can­do mais R$ 8 bil­hões em receitas para equi­li­brar as con­tas, com os recur­sos poden­do vir de novos emprés­ti­mos ou por meio de aportes do Tesouro Nacional.

“Essa neces­si­dade de cap­tação vai ser vista ao lon­go do ano de 2026, para ver se a mel­hor opção é aporte [do Tesouro] ou out­ra oper­ação de crédi­to. Ain­da não está definido como a gente faz a com­posição”, disse Ron­don.

Plano de reestruturação

O plano de reestru­tu­ração dos Cor­reios era esper­a­do dev­i­do aos suces­sivos resul­ta­dos neg­a­tivos que a estatal acu­mu­la des­de 2022, com um déficit estru­tur­al de R$ 4 bil­hões anu­ais “por causa do cumpri­men­to da regra de uni­ver­sal­iza­ção”, segun­do expli­cou o pres­i­dente Ron­don.

Neste 2025, a estatal reg­is­tra um sal­do neg­a­ti­vo de R$ 6 bil­hões nos nove primeiros meses do ano e está com um patrimônio líqui­do neg­a­ti­vo de R$ 10,4 bil­hões.

Crise no setor postal

Os Cor­reios enfrentam uma crise finan­ceira que, segun­do a direção da com­pan­hia, vem des­de 2016, moti­va­da pelas mudanças no mer­ca­do postal em razão da dig­i­tal­iza­ção das comu­ni­cações, que sub­sti­tu­iu as car­tas, reduzin­do a prin­ci­pal fonte de recei­ta dos Cor­reios.

A estatal tam­bém atribui difi­cul­dades finan­ceiras a entra­da de novos com­peti­dores no comér­cio eletrôni­co como um dos motivos da atu­al crise do setor.

“É uma dinâmi­ca de mer­ca­do que acon­te­ceu no mun­do inteiro e algu­mas empre­sas de cor­reios con­seguiram se adap­tar. Várias dessas empre­sas ain­da reg­is­tram pre­juí­zos. Um exem­p­lo é a empre­sa amer­i­cana de cor­reios que está repor­tan­do pre­juí­zo da ordem de US$ 9 bil­hões”, com­parou Emma­noel.

O pres­i­dente da estatal brasileira se referiu a empre­sa públi­ca dos Esta­dos Unidos (EUA) Unit­ed States Postal Ser­vice (USPS), que tam­bém anun­ciou recen­te­mente medi­das para enfrentar os déficits finan­ceiros.

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