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Correios preveem 15 mil demissões voluntárias e fechar mil agências

Plano foi apresentado para reduzir déficits da estatal

Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 29/12/2025 — 14:23
Brasília
Brasília (DF) 29/12/2025 - O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apresenta as medidas prioritárias do Plano de Reestruturação 2025–2027 da empresa. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/ Agên­cia Brasil

Com o obje­ti­vo de reduzir os déficits reg­istra­dos des­de 2022, os Cor­reios divul­gar­am nes­ta segun­da-feira (29) um plano de reestru­tu­ração da com­pan­hia com pre­visão de fechar 16% das agên­cias da estatal, o que rep­re­sen­ta cer­ca de mil das 6 mil unidades próprias  em todo o país.

A estatal espera econ­o­mizar R$ 2,1 bil­hões com o fechamen­to de unidades. Con­sideran­do out­ros pon­tos de atendi­men­to real­iza­dos por parce­ria, são 10 mil unidades que prestam serviços para os Cor­reios no Brasil. Como a empre­sa públi­ca tem a obri­gação de cobrir todo o ter­ritório nacional, o pres­i­dente da estatal, Emma­noel Ron­don, desta­cou que o fechamen­to dessas agên­cias será real­iza­do sem vio­lar o princí­pio da uni­ver­sal­iza­ção do serviço postal.

“A gente vai faz­er a pon­der­ação entre resul­ta­do [finan­ceiro das agên­cias] e o cumpri­men­to da uni­ver­sal­iza­ção para a gente não ferir a uni­ver­sal­iza­ção ao fechar­mos pon­tos de ven­da da empre­sa”, expli­cou o pres­i­dente dos Cor­reios em cole­ti­va de impren­sa, em Brasília (DF).

Demissão Voluntária

O plano dos Cor­reios pre­vê ain­da cortes de despe­sas da ordem de R$ 5 bil­hões até 2028, com ven­da de imóveis e dois planos de demis­são vol­un­tária (PDVs) pre­vis­tos para reduzir o número de fun­cionários em 15 mil até 2027.  

“A gente tem 90% das despe­sas com per­fil de despe­sa fixa. Isso gera uma rigidez para a gente faz­er algu­ma cor­reção de rota quan­do a dinâmi­ca de mer­ca­do assim exige”, disse.

O plano de reestru­tu­ração era esper­a­do dev­i­do aos suces­sivos resul­ta­dos neg­a­tivos que a estatal vem acu­mu­lan­do des­de 2022, com um déficit estru­tur­al de R$ 4 bil­hões anu­ais “por causa do cumpri­men­to da regra de uni­ver­sal­iza­ção”, segun­do jus­ti­fi­cou o pres­i­dente Ron­don.

Neste 2025, a estatal reg­is­tra um sal­do neg­a­ti­vo de R$ 6 bil­hões nos nove primeiros meses do ano e está com um patrimônio líqui­do neg­a­ti­vo de R$ 10,4 bil­hões. 

Empréstimo e abertura de capital

A com­pan­hia infor­mou ain­da que tomou um emprés­ti­mo de R$ 12 bil­hões com ban­cos para reforçar o caixa da com­pan­hia, assi­na­do na últi­ma sex­ta-feira (26). Porém, a direção dos Cor­reios ain­da tra­bal­ha para encon­trar out­ros R$ 8 bil­hões necessários para equi­li­brar as con­tas em 2026.

A estatal estu­da ain­da, a par­tir de 2027, uma mudança soci­etária nos Cor­reios. Atual­mente, a com­pan­hia é 100% públi­ca, mas avalia a pos­si­bil­i­dade de abrir seu cap­i­tal transformando‑a, por exem­p­lo, em uma com­pan­hia de econo­mia mista, como é hoje a Petro­bras e o Ban­co do Brasil. 

Corte de pessoal e benefícios

O plano apre­sen­ta­do pelos Cor­reios pre­vê medi­das para serem imple­men­tadas entre 2026 e 2027, incluin­do os PDVs, sendo um no próx­i­mo ano e out­ro em 2027.

Out­ros alvos da direção dos Cor­reios são os planos de saúde e de pre­v­idên­cia dos servi­dores, que devem ter cortes nos aportes feitos pela estatal.

“O plano [de saúde] tem que ser com­ple­ta­mente revis­to e a gente tem que mudar a lóg­i­ca dele porque hoje ele onera bas­tante. Ele tem uma cober­tu­ra boa para o empre­ga­do, mas, ao mes­mo tem­po, finan­ceira­mente insus­ten­táv­el para a empre­sa”, jus­ti­fi­cou o pres­i­dente.

Com as demis­sões vol­un­tárias e os cortes de bene­fí­cios, os Cor­reios esper­am reduzir as despe­sas com pes­soal em R$ 2,1 bil­hões anu­ais. Além dis­so, o plano esti­ma vender imóveis da com­pan­hia para ger­ar R$ 1,5 bil­hão em recei­ta.

“Esse plano vai além da recu­per­ação finan­ceira. Ele reafir­ma os Cor­reios como um ati­vo estratégi­co do esta­do brasileiro, essen­cial para inte­grar o ter­ritório nacional, garan­tir aces­so igual­itário a serviços logís­ti­cos e asse­gu­rar efi­ciên­cia opera­cional em cada região do país, espe­cial­mente onde ninguém mais chega”, con­cluiu o pres­i­dente dos Cor­reios.

Crise no setor postal

Os Cor­reios enfrentam uma crise finan­ceira que, segun­do a direção da com­pan­hia, vem des­de 2016, moti­va­da pelas mudanças no mer­ca­do postal em razão da dig­i­tal­iza­ção das comu­ni­cações, que sub­sti­tu­iu as car­tas, reduzin­do a prin­ci­pal fonte de recei­ta.

A estatal tam­bém atribui difi­cul­dades finan­ceiras a entra­da de novos com­peti­dores no comér­cio eletrôni­co como um dos motivos da atu­al crise do setor.

“É uma dinâmi­ca de mer­ca­do que acon­te­ceu no mun­do inteiro e algu­mas empre­sas de cor­reios con­seguiram se adap­tar. Várias dessas empre­sas ain­da reg­is­tram pre­juí­zos. Um exem­p­lo é a empre­sa amer­i­cana de cor­reios que está repor­tan­do pre­juí­zo da ordem de US$ 9 bil­hões”, com­parou Emma­noel.

O pres­i­dente da estatal brasileira se referiu a empre­sa públi­ca dos Esta­dos Unidos (EUA) Unit­ed States Postal Ser­vice (USPS), que tam­bém anun­ciou recen­te­mente medi­das para enfrentar os déficits finan­ceiros.

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