...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Animais, Aves, Peixes / Estudo detecta bactéria da leptospirose em golfinhos e lobos-marinhos

Estudo detecta bactéria da leptospirose em golfinhos e lobos-marinhos

Repro­dução: © Imagem de divulgação/Campanha Salve o Boto

Prevalência é nas espécies costeiras, em detrimento das mais afastadas


Pub­li­ca­do em 26/11/2023 — 12:58 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

Dois estu­dos real­iza­dos por cien­tis­tas de difer­entes cen­tros de pesquisa brasileiros con­stataram, pela primeira vez, a pre­sença da bac­téria Lep­tospi­ra sp. em golfin­hos e lobos-mar­in­hos na cos­ta do país. O microor­gan­is­mo é o patógeno cau­sador da lep­tospirose, doença que matou mais de 2,8 mil pes­soas no Brasil nos últi­mos dez anos. 

As pesquisas anal­is­aram o DNA dos rins de mamífer­os mar­in­hos encon­tra­dos mor­tos. No estu­do real­iza­do com 142 golfin­hos, os cien­tis­tas encon­traram a bac­téria em 21 indi­ví­du­os de cin­co espé­cies: Stenel­la cly­mene, Sotalia guia­nen­sis, Pon­to­po­ria blainvillei, Steno breda­nen­sis e Tur­siops trun­ca­tus.

Os pesquisadores con­stataram que a prevalên­cia da bac­téria nas espé­cies costeiras (25%, ou seja, 17 em 68 indi­ví­du­os estu­da­dos) é maior do que nas oceâni­cas, ou seja, aque­las que vivem mais afas­tadas do litoral (7,5%, ou qua­tro em 53 indi­ví­du­os).

A espé­cie com mais casos pos­i­tivos para a bac­téria foi o boto-cin­za (Sotalia guia­nen­sis), encon­tra­do em vários pon­tos das costas cariben­ha e brasileira, como a Baía de Gua­n­abara, no Rio de Janeiro. O patógeno foi detec­ta­do em dez dos 21 indi­ví­du­os pesquisa­dos (47,6%).

Entre os golfin­hos-do-Rio-da-Pra­ta (Pon­to­po­ria blainvillei), encon­tra­do entre a Argenti­na e o Sud­este do Brasil), a prevalên­cia chegou a 33,4%, ou sete dos 21 ani­mais estu­da­dos.

Essa foi a primeira vez que a bac­téria foi detec­ta­da nes­sas duas espé­cies costeiras e tam­bém no golfin­ho-Clímene (Stenel­la cly­mene), uma espé­cie oceâni­ca.

A fonte da con­t­a­m­i­nação é descon­heci­da e deman­da novos estu­dos para ser con­fir­ma­da, mas acred­i­ta-se que os ani­mais sejam infec­ta­dos por eflu­entes con­t­a­m­i­na­dos com uri­na de rato em áreas litorâneas próx­i­mas a grandes cidades, áreas por­tuárias e locais com sanea­men­to bási­co precário.

Já entre os 47 lobos-mar­in­hos de das espé­cies Arc­to­cephalus aus­tralis e A. trop­i­calis foi encon­tra­da a Lep­tospi­ra sp em 15 indi­ví­du­os O patógeno foi mais comu­mente encon­tra­do em indi­ví­du­os que habitam áreas com maior pop­u­lação humana.

Os pesquisadores con­sid­er­am ser necessário con­tin­uar os estu­dos para enten­der o impacto que a Lep­tospi­ra sp. tem no organ­is­mo dos ani­mais mar­in­hos brasileiros. Nos Esta­dos Unidos, onde se estu­da a relação do patógeno com leões-mar­in­hos há mais de 50 anos, con­sta­tou-se que a lep­tospirose pode causar infla­mação agu­da nos rins dos ani­mais, levan­do-os a encal­har com dores, desidratação, magreza e poden­do oca­sion­ar mortes.

“Ain­da não foram encon­tradas evidên­cias de lesões renais nos ani­mais estu­da­dos [no Brasil], pois é necessário con­tin­uar avalian­do out­ros parâmet­ros para con­fir­mar se há man­i­fes­tação clíni­ca da doença em ani­mais mar­in­hos no Brasil”, afir­ma Felipe Tor­res, pesquisador da Uni­ver­si­dade Fed­er­al Flu­mi­nense (UFF).

Edição: Aline Leal

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Conselho de Veterinária alerta para doença que afeta gatos

Esporotricose causada por fungos vem aumentando ano após ano em SP Guil­herme Jerony­mo — Repórter …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d