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Glauber Braga é retirado à força após ocupar mesa da Câmara

Deputado protestava contra votação de cassação

Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 09/12/2025 — 19:10
Brasília
Brasília (DF), 09/12/2025 - Deputado Glauber Braga (PSOL) é retirado da mesa da presidencia da camâra dos deputados por seguranças. Frame Deputado Glauber Braga/Facebook
Repro­dução: © Frame Dep­uta­do Glauber Braga/Facebook

O dep­uta­do fed­er­al Glauber Bra­ga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidên­cia da Câmara dos Dep­uta­dos, no plenário da Casa, na tarde des­ta terça-feira (9), e foi arran­ca­do à força por agentes da Polí­cia Leg­isla­ti­va Fed­er­al.

A ocu­pação começou como protesto do par­la­men­tar, após o pres­i­dente da Câmara, Hugo Mot­ta (Repub­li­canos-PB), anun­ciar que levaria ao plenário o pedi­do de cas­sação do dep­uta­do, jun­ta­mente com os proces­sos de Car­la Zam­bel­li (PL-SP) e Del­e­ga­do Ram­agem (PL-RJ), os dois últi­mos con­de­na­dos pelo Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF). Os casos não tem relação entre si.

Além dis­so, Mot­ta tam­bém pautou a votação do pro­je­to para reduzir as penas dos envolvi­dos na tra­ma golpista.

“Que me arran­quem des­ta cadeira e me tirem do plenário”, disse o dep­uta­do.

Bra­ga pode perder o manda­to por ter agre­di­do, com um chute, um mil­i­tante do Movi­men­to Brasil Livre (MBL), no ano pas­sa­do, após ser provo­ca­do.

Ao ocu­par a cadeira de pres­i­dente, Glauber Bra­ga criti­cou a pos­tu­ra de Mot­ta, em agos­to, quan­do dep­uta­dos de oposição obstruíram fisi­ca­mente a mesa dire­to­ra do plenário, por cer­ca de 48 horas. Na ocasião, não hou­ve reti­ra­da força­da dos par­la­mentares e nen­hum foi punido. Des­ta vez, no entan­to, menos de uma hora após o protesto, Glauber foi arran­ca­do por agentes de segu­rança.

O sinal da TV Câmara, que trans­mi­tia ao vivo a sessão em plenário, foi ime­di­ata­mente cor­ta­do e a impren­sa, reti­ra­da de for­ma obri­gatória, sem poder acom­pan­har a situ­ação. Até o momen­to, não foi infor­ma­do se a decisão de cor­tar a trans­mis­são e man­dar esvaziar o plenário e a gale­ria foi dada por Hugo Mot­ta.

Ima­gens reg­istradas por dep­uta­dos mostram o momen­to em que o Glauber Bra­ga é reti­ra­do à força, sob protestos de par­la­mentares ali­a­dos.

Bra­ga foi encam­in­hado para o Salão Verde, fora do plenário Ulysses Guimarães, com as roupas ras­gadas. Ele falou com a impren­sa no local, ao lado de dep­uta­dos gov­ernistas, onde fez duras críti­cas à ação.

“O sen­hor [Hugo Mot­ta], que sem­pre quis demon­strar, como se fos­se o pon­to de equi­líbrio, entre forças difer­entes, isso é uma men­ti­ra. Porque com os golpis­tas que seques­traram a mesa, sobrou docil­i­dade, ago­ra com quem não entra no jogo deles, é por­ra­da. Os caras ficaram 48 horas, eu fiquei algu­mas pou­cas horas, e já foi sufi­ciente para este tipo de ação”, afir­mou Glauber.

“O que está acon­te­cen­do ago­ra é uma ofen­si­va golpista. A votação da min­ha cas­sação com uma ineleg­i­bil­i­dade de oito anos não é um fato iso­la­do. Nesse mes­mo pacote, eles querem votar a anis­tia, que não é dosime­tria, levan­do a pos­si­bil­i­dade de que Jair Bol­sonaro só ten­ha dois anos de pena. Com­bi­na­do com isso, eles querem man­ter os dire­itos políti­cos de Eduar­do Bol­sonaro. Porque quan­do há o desliga­men­to por fal­tas, a pes­soa con­tin­ua elegív­el”, criti­cou.

O par­la­men­tar disse ain­da que lutará até o fim pelas liber­dades democráti­cas.

“Aman­hã [10] tem a votação, no plenário da Câmara, da cas­sação. Eles podem até cas­sar o manda­to, mas eles têm que ter a certeza que, até o últi­mo min­u­to, eu vou estar lutan­do não é por mim, pelo manda­to, não. Eu vou estar lutan­do para que eles não firam as liber­dades democráti­cas em um pacote golpista, como eles estão ten­tan­do faz­er. Hoje, fazem comi­go, aman­hã fazem com out­ra forças pop­u­lares, democráti­cas, e isso não tem como aceitar”, com­ple­tou.

Em nota pela rede social X, Mot­ta afir­mou que Glauber Bra­ga desre­speitou a Câmara dos Dep­uta­dos e o Poder Leg­isla­ti­vo. “Inclu­sive de for­ma rein­ci­dente, pois já havia ocu­pa­do uma comis­são em greve de fome por mais de uma sem­ana.”

“O agru­pa­men­to que se diz defen­sor da democ­ra­cia, mas agride o fun­ciona­men­to das insti­tu­ições, vive da mes­ma lóg­i­ca dos extrem­is­tas que tan­to crit­i­ca. O extrem­is­mo não tem lado porque, para o extrem­ista, só existe um lado: o dele. Temos que pro­te­ger a democ­ra­cia do gri­to, do gesto autoritário, da intim­i­dação trav­es­ti­da de ato políti­co. Extrem­is­mos tes­tam a democ­ra­cia todos os dias. E todos os dias a democ­ra­cia pre­cisa ser defen­di­da”, afir­mou Mot­ta.

Ele disse ain­da que deter­mi­nou a apu­ração de pos­síveis exces­sos em relação à cober­tu­ra da impren­sa.

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