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Mulheres negras marcham hoje em Brasília por reparação e bem-viver

Expectativa é reunir 1 milhão de pessoas

Daniel­la Almei­da — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 25/11/2025 — 06:42
Brasília
São Paulo (SP), 24/11/2025 – Saída dos ônibus com mulheres de São Paulo para participar da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Car­a­vanas de diver­sas partes do país vão ocu­par, nes­ta terça-feira (25),  a Esplana­da dos Min­istérios, em Brasília, para a 2ª Mar­cha das Mul­heres Negras, com o tema “por Reparação e Bem Viv­er.” A expec­ta­ti­va é reunir 1 mil­hão de pes­soas.

Orga­ni­za­da pelo Comitê Nacional da Mar­cha das Mul­heres Negras, a mobi­liza­ção nacional bus­ca colo­car em pau­ta os dire­itos bási­cos desse seg­men­to da pop­u­lação — como mora­dia, emprego, segu­rança -, mas tam­bém por uma vida digna, livre de vio­lên­cia e por ações de reparação.

A jor­na­da faz parte da pro­gra­mação da Sem­ana por Reparação e Bem-Viv­er, de 20 a 26 de novem­bro, na cap­i­tal fed­er­al, mar­ca­da por debates, ativi­dades e apre­sen­tações cul­tur­ais para exal­tar o pro­tag­o­nis­mo das mul­heres negras em todo o país.

Segunda edição

A nova edição da Mar­cha das Mul­heres Negras é real­iza­da no mês em que é cel­e­bra­do o Dia Nacional da Con­sciên­cia Negra, em 20 de novem­bro.

Brasilia 23/11/2025 - Marcha de Mulheres Negras 2025.Arte Marcha de Mulheres Negras/Divulgação
Repro­dução: Mar­cha de Mul­heres Negras 2025 ocorre nes­ta terça-feira (25) em Brasília — Foto Divul­gação

O even­to ocorre dez anos depois da primeira mar­cha, em 18 de novem­bro de 2015, quan­do mais de 100 mil mul­heres negras do Brasil mar­charam em Brasília con­tra o racis­mo, a vio­lên­cia con­tra a juven­tude negra, a vio­lên­cia domés­ti­ca e o fem­i­nicí­dio, que viti­mam essas mul­heres, e pelo bem viv­er, rejei­tan­do a mera sobre­vivên­cia.

Neste ano, as mul­heres negras vão mar­char pela pro­moção de mobil­i­dade social, con­sideran­do os danos deix­a­dos pela escravidão através de sécu­los, que se tornaram obstácu­los ao desen­volvi­men­to econômi­co dessa pop­u­lação.

Programação

A pro­gra­mação ofi­cial da 2ª Mar­cha das Mul­heres Negras por Reparação e Bem Viv­er, nes­ta terça-feira (25), tem iní­cio às 9h, com con­cen­tração no Museu da Repúbli­ca, próx­i­mo à Rodoviária do Plano Pilo­to. No mes­mo local, haverá uma roda de capoeira e corte­jo de berim­baus.

Às 9h tam­bém, o Con­gres­so Nacional realizará sessão solene em comem­o­ração à Mar­cha das Mul­heres Negras por Reparação e Bem-Viv­er, no plenário da Câmara.

Por vol­ta das 11h, está agen­da­da a saí­da da mar­cha pela Esplana­da dos Min­istérios.

O jin­gle ofi­cial da mar­cha, que prom­ete embalar as mul­heres na cam­in­ha­da rumo ao gra­ma­do do Con­gres­so Nacional, já está no ar. com a frase “Mete mar­cha neg­o­na rumo ao infini­to. Bote a base, solte o gri­to! Bem-viv­er é a nos­sa potên­cia, é a nos­sa bus­ca, é reparação!”

Às 16h, o públi­co poderá con­ferir os shows de artis­tas que rep­re­sen­tam a diver­si­dade da pro­dução cul­tur­al negra no Brasil. As can­toras são enga­jadas com as pau­tas da temáti­ca da negri­tude, do antir­racis­mo e do fem­i­nis­mo. São elas: Laris­sa Luz, Luan­na Hansen, Ebony, Prethaís, Célia Sam­paio e Núbia.

Espaço de articulação

A mar­cha de 2025 ultra­pas­sa as fron­teiras do Brasil. Para for­t­ale­cer a artic­u­lação glob­al, a man­i­fes­tação reunirá mul­heres negras em diás­po­ra (imi­gração força­da de africanos), e do con­ti­nente africano, com­pro­meti­das com a con­strução de um futuro livre das vio­lên­cias impostas pelo racis­mo, pelo colo­nial­is­mo e pelo patri­ar­ca­do.

São Paulo (SP), 24/11/2025 – Saída dos ônibus com mulheres de São Paulo para participar da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: Saí­da dos ônibus com mul­heres de São Paulo para par­tic­i­par da Mar­cha das Mul­heres Negras em Brasília. Foto Rove­na Rosa/Agência Brasil

Lid­er­anças negras do Equador estão em Brasília para par­tic­i­par da Mar­cha de 2025. O obje­ti­vo é, de acor­do com o grupo equa­to­ri­ano, apro­fun­dar e vis­i­bi­lizar as lutas das mul­heres afro­l­ati­nas, afro­cariben­has e da diás­po­ra.

Elas estão focadas no for­t­alec­i­men­to da artic­u­lação region­al e glob­al das mul­heres negras, na recu­per­ação da memória e vis­i­bil­i­dade das mul­heres afro­l­ati­nas em todos os níveis e no  for­t­alec­i­men­to políti­co, por meio do posi­ciona­men­to cole­ti­vo dos dire­itos das mul­heres.

A ativista de San Loren­zo (Equador) e mem­bro da Con­fed­er­ação Comar­ca Afro-equa­to­ri­ana do Norte de Esmer­al­das (Cane), Ines Morales Las­tra, expli­ca que elas defen­d­em os dire­itos cole­tivos e dos ter­ritórios ances­trais do povo afro-equa­to­ri­ano e que via­jaram a Brasília para somar na luta fem­i­ni­na. “Mar­chare­mos para ecoar a firmeza de nos­sa voz e nos­sas deman­das, porque são nos­sas as vozes de nos­sas avós.”

Lélia Gonzalez

Quem tam­bém par­tic­i­pará da 2ª Mar­cha das Mul­heres Negras é Meli­na de Lima, neta da antropólo­ga Lélia Gon­za­lez, fale­ci­da em 1994, aos 59 anos.

No últi­mo dia 10, Meli­na esteve em Brasília para rece­ber, em nome de Lélia Gon­za­lez, o títu­lo de Douto­ra Hon­oris Causa con­ce­di­do pela Uni­ver­si­dade de Brasília.

Lélia foi uma das fun­dado­ras do Movi­men­to Negro Unifi­ca­do. A ativista é refer­ên­cia nos estu­dos e debates de gênero, raça e classe no Brasil, na Améri­ca Lati­na e no mun­do.

Ela é con­sid­er­a­da uma das prin­ci­pais autoras do fem­i­nis­mo negro no país e foi a cri­ado­ra de con­ceitos como “ame­fricanidade” e “pre­tuguês”.

“Ame­fricanidade” é um con­ceito que se ref­ere à condição dos povos negros nas Améri­c­as, unin­do ances­tral­i­dades africanas e amerín­dias para descr­ev­er uma iden­ti­dade políti­ca e cul­tur­al especí­fi­ca. O ter­mo ques­tiona a dom­i­nação colo­nial e o racis­mo que per­sis­tem após a escravidão,

O “Pre­tuguês” é o ter­mo para descr­ev­er as influên­cias das lín­guas africanas na lín­gua por­tugue­sa fal­a­da no Brasil.

Atual­mente, Meli­na de Lima é dire­to­ra de edu­cação e cul­tura do Insti­tu­to Memo­r­i­al Lélia Gon­za­lez e cofun­dado­ra do pro­je­to Lélia Gon­za­lez Vive.

Meninas e mulheres negras

As meni­nas e mul­heres negras são o maior grupo pop­u­la­cional do país.

Rio de Janeiro (RJ), 24/11/2025 – Mulheres embarcam em ônibus no Rio de Janeiro para participar, em Brasília, da Marcha das Mulheres Negras. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Mul­heres embar­cam em ônibus no Rio de Janeiro para par­tic­i­par, em Brasília, da Mar­cha das Mul­heres Negras — Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

De acor­do com o Min­istério da Igual­dade Racial (MIR), elas somam 60,6 mil­hões de pes­soas, divi­di­das entre pre­tas (11,30 mil­hões) e par­das (49,30 mil­hões).  O total cor­re­sponde a cer­ca de 28% da pop­u­lação ger­al do país.

Con­fi­ra aqui a pro­gra­mação ofi­cial da 2ª Mar­cha das Mul­heres Negras e da Sem­ana por Reparação e Bem-Viv­er, que vai até quar­ta-feira (26).

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