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Mostra Ecos de 22 mostra influência do modernismo no cinema nacional

Repro­dução: ccbb.com.br/

Retrospectiva poderá ser vista até 11 de abril


Pub­li­ca­do em 09/03/2022 — 06:35 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Com ingres­sos a preços pop­u­lares (R$ 10 inteira e R$ 5 a meia-entra­da), será inau­gu­ra­da aman­hã (10) a Mostra Ecos de 22 — Mod­ernismo no Cin­e­ma Brasileiro, no Cen­tro Cul­tur­al Ban­co do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB Rio). A vis­i­tação ficará aber­ta ao públi­co até o dia 11 de abril.

Tra­ta-se da maior ret­ro­spec­ti­va cin­e­matográ­fi­ca já fei­ta sobre o tema, reunin­do cer­ca de 50 filmes entre lon­gas, médias e cur­tas-metra­gens e envol­ven­do o perío­do de 1922 a 2021, de Roraima, no Norte brasileiro, ao Paraná, na Região Sul. Há tam­bém pro­gra­mação para­lela gra­tui­ta, com palestras, mesas de debate, sessões musi­cais, sujeitas à dis­tribuição de sen­has. Haverá trans­mis­são em Libras. A pro­gra­mação com­ple­ta da mostra pode ser aces­sa­da aqui.

A curado­ra Aïcha Barat disse que emb­o­ra o cin­e­ma não ten­ha feito parte da pau­ta da Sem­ana de Arte Mod­er­na de 1922, os ideais daque­le momen­to de van­guar­da influ­en­cia­ram tudo o que se fez no cin­e­ma nacional depois. “A Sem­ana deixou um lega­do na cul­tura e, em con­se­quên­cia, no cin­e­ma”, afir­mou. Lim­ite (1931), de Mário Peixo­to, con­sid­er­a­do um dos mar­cos do cin­e­ma de van­guar­da brasileiro, abre o even­to nes­ta quin­ta-feira, em sessão gra­tui­ta que terá acom­pan­hamen­to musi­cal de Tomás Impro­ta, pianista, com­pos­i­tor, arran­jador e pro­fes­sor.

O chama­do Cin­e­ma Novo é um dos herdeiros dire­tos do mod­ernismo, disse a curado­ra. Filmes famosos da época serão exibidos na mostra, como Ter­ra em Transe (Glauber Rocha, 1967), Deus e o Dia­bo na Ter­ra do Sol (Glauber Rocha, 1964), Macu­naí­ma (Joaquim de Andrade, 1969), Como era Gos­toso o meu Francês (Nel­son Pereira dos San­tos, 1971), além de pelícu­las do cin­e­ma nacional que vier­am depois: Ladrões de cin­e­ma (Fer­nan­do Coni Cam­pos, 1977), Mato eles? (Ser­gio Bianchi, 1983) e Tudo é Brasil (Rogério Sganz­er­la, 1997), por exem­p­lo. “É uma mostra que traz os clás­si­cos, mas tam­bém ten­ta traz­er um olhar mais con­tem­porâ­neo para rev­er algu­mas questões”, desta­cou Aïcha.

Intelectualidade

As obras escol­hi­das são mar­cadas pelo pen­sa­men­to dos int­elec­tu­ais paulis­tas da Sem­ana de 22, como Oswald de Andrade e Mário de Andrade, além de pen­sadores e artis­tas indí­ge­nas con­tem­porâ­neos, entre eles Jaider Esbell e Denil­son Bani­wa.

A exposição con­ta tam­bém com uma seleção de filmes con­tem­porâ­neos que abor­dam temáti­cas anun­ci­adas pela pro­dução mod­ernista a par­tir de vieses indí­ge­na, negro e per­iféri­co. Bran­co sai, pre­to fica (Adir­ley Queirós, 2012), Grin (Isael Max­akali Rol­ney Fre­itas e Sueli Max­akali, 2016), Trav­es­sia (Safi­ra Mor­eira, 2017), Por onde anda Maku­naí­ma? (Rodri­go Sél­los, 2020) e Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: essa ter­ra é nos­sa! (Car­oli­na Can­guçu, Isael Max­akali, Rober­to Romero e Sueli Max­akali, 2020) serão acom­pan­hados por uma seleção de “filmes de inter­net”, disponíveis nas mídias soci­ais e no site do even­to. “A gente ten­tou traz­er uma plu­ral­i­dade de olhares”, comen­tou Aïcha.

Ecos de 1922 con­ta ain­da com uma seleção de filmes “oswal­dianos” de Rogério Sganz­er­la e Júlio Bres­sane. São exem­p­los as pro­duções Sem essa, Aran­ha (Rogério Sganz­er­la, 1978), Tabu (Júlio Bres­sane, 1982), Mira­mar (Júlio Bres­sane, 1997) e Tudo é Brasil (Rogério Sganz­er­la, 1997), além dos cur­tas Peri­go negro (Rogério Sganzerla,1992), Quem seria o feliz con­vi­va de Isado­ra Dun­can? (Júlio Bressane,1992) e Uma noite com Oswald (Iná­cio Zatz e Ricar­do Dias, 1992), este últi­mo com exibição em 35mm.

Terá destaque tam­bém na mostra o cineas­ta Joaquim Pedro de Andrade, figu­ra cen­tral na relação entre o mod­ernismo e o cin­e­ma brasileiro. Além da exibição dos lon­gas Macu­naí­ma (1969) e O homem do pau-brasil (1980), e dos cur­tas O mestre de Apipu­cos (1959) e O poeta do Caste­lo (1959), todos ded­i­ca­dos à obra e às ideias de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Gilber­to Freyre e Manuel Ban­deira, respec­ti­va­mente, haverá a exibição do média-metragem O Alei­jad­in­ho (1978).

A iden­ti­dade visu­al da mostra é basea­da na obra Ficções colo­ni­ais (ou fin­jam que não estou aqui), do artista indí­ge­na Denil­son Bani­wa. Con­ce­bi­da em 2021, essa série de cola­gens pode ser vista nas pági­nas do catál­o­go-livro da mostra, acom­pan­ha­da de um tex­to do autor. Com essa obra, Bani­wa ensa­ia um dire­ito de respos­ta ao imag­inário indí­ge­na for­ja­do por fotó­grafos e cineas­tas bran­cos ao lon­go da história.

Catálogo-livro

O catál­o­go-livro da Ecos con­ta com tex­tos inédi­tos de Ruy Gard­nier, Lor­raine Mendes, Marília Roth­ier, Aline Leal, Tainá Cav­a­lieri, Mateus Sanch­es e Juliano Gomes, além de tex­tos já pub­li­ca­dos de Jaider Esbell, Denil­son Bani­wa, Paulo Anto­nio Paranaguá, Pedro Duarte, Julierme Morais, Glauber Rocha e Paulo Emílio Salles Gomes. Traz ain­da os Man­i­festos Mod­ernistas, de Oswald de Andrade, um tex­to de Mário de Andrade sobre o movi­men­to e uma seleção de poe­mas, artes e pro­pa­gan­das pub­li­cadas nas revis­tas mod­ernistas dos anos 20 Klax­on e Antropofa­gia.

Aïcha Barat infor­mou que a ver­são online do catál­o­go está disponív­el gra­tuita­mente para down­load no site da Ecos e em bb.com.br/cultura. O espec­ta­dor que dese­jar adquirir a ver­são impres­sa poderá tro­car qua­tro ingres­sos por um catál­o­go durante o even­to. Serão disponi­bi­liza­dos 100 exem­plares impres­sos.

Edição: Graça Adju­to

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