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Fiocruz faz 122 anos fabricando vacinas e remédios para todo o país

Repro­dução: © Leonar­do Oliveira/FioCruz

Instituição nasceu em 1900 idealizada por Oswaldo Cruz


Pub­li­ca­do em 25/05/2022 — 06:32 Por Mauri­cio de Almei­da – Repórter da TV Brasil — Rio de Janeiro

No iní­cio do ano de 1900, a cidade do Rio de Janeiro enfrenta­va uma epi­demia de febre amarela e peste bubôni­ca. Para con­ter o avanço destas doenças, há exatos 122 anos, em 25 de maio daque­le ano, o gov­er­no inau­gurou o Insti­tu­to Soroterápi­co Fed­er­al. Começa­va ali a história da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz).

Em 1908, o Insti­tu­to Soroterápi­co rece­beu o nome de Oswal­do Cruz, em hom­e­nagem ao bac­te­ri­ol­o­gista que foi o primeiro dire­tor cien­tí­fi­co do Insti­tu­to e que depois assum­iu a direção-ger­al da insti­tu­ição. A trans­for­mação do insti­tu­to em fun­dação, reunin­do diver­sas unidades de pesquisas cien­tí­fi­cas e de pro­dução de remé­dios e vaci­nas, ocor­reu em 1970, quan­do um decre­to esta­b­ele­ceu a cri­ação da Fun­dação Insti­tu­to Oswal­do Cruz.

Imagem do núcleo histórico de Manguinhos, com o Pavilhão do Quinino e o Pavilhão Mourisco. Imagem: Acervo COC/Fiocruz
Repro­dução: Imagem do núcleo históri­co de Man­guin­hos, com o Pavil­hão do Quini­no e o Pavil­hão Mourisco. Imagem: Acer­vo COC/Fiocruz — Acer­vo COC/Fiocruz

Nos primeiros anos, os cien­tis­tas desen­volvi­am soros e vaci­nas em um pequeno pré­dio que fica­va na fazen­da de Man­guin­hos. Um local que na época era con­sid­er­a­do bucóli­co, mas que hoje fica ao lado da Aveni­da Brasil, a prin­ci­pal via de aces­so ao cen­tro do Rio de Janeiro, por onde pas­sam cer­ca de 250 mil veícu­los por dia.

A his­to­ri­ado­ra Simone Kropf, da Casa de Oswl­do Cruz, unidade respon­sáv­el pela preser­vação da história da Fiocruz, con­ta que no iní­cio do sécu­lo pas­sa­do a fazen­da onde fun­ciona­va o Insti­tu­to Soroterápi­co era um local amp­lo e Oswal­do Cruz decid­iu con­stru­ir um caste­lo para se trans­for­mar em um sím­bo­lo da ciên­cia. “O Caste­lo [Mourisco] é uma mar­ca da insti­tu­ição e da saúde públi­ca brasileira. Ele é muito mais do que uma con­strução impo­nente. É um caste­lo vivo que está aber­to para a sociedade”.

Acervo COC/Fiocruz
Repro­dução: O cien­tista Oswal­do Cruz– Acer­vo COC/Fiocruz

O Caste­lo Mourisco foi inau­gu­ra­do em 1918. A con­strução tem 50 met­ros (m) de altura e uma arquite­tu­ra que mis­tu­ra esti­los, com um toque inglês nas duas tor­res e inspi­ração árabe nas pare­des e janelas além de mosaicos france­ses e azule­jos por­tugue­ses.

Ao lon­go do tem­po, a fun­dação cresceu e se expandiu. Ela está pre­sente nas cin­co regiões do Brasil, com núcleos em dez esta­dos, além do Dis­tri­to Fed­er­al, e ain­da tem parce­rias com insti­tu­ições cien­tí­fi­cas de 50 país­es e com orga­ni­za­ções inter­na­cionais, como a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS).

Atual­mente, cer­ca de 5 mil pes­soas tra­bal­ham na Fiocruz. A fun­cionária Sil­via Mot­ta, de 61 anos, entrou na insti­tu­ição quan­do tin­ha 23 anos de idade. Hoje, 38 anos depois, ela dirige a creche da fun­dação e não con­segue imag­i­nar sua vida longe da Fiocruz.

“Tra­bal­han­do na fun­dação eu me sin­to fazen­do parte do desen­volvi­men­to do sis­tema brasileiro de saúde. Eu cui­do dos fil­hos e fil­has de pesquisadores que cri­am vaci­nas e remé­dios que são dis­tribuí­dos para todo o país. O tra­bal­ho da creche aju­da quem está desen­vol­ven­do uma pesquisa a se con­cen­trar mel­hor no estu­do, porque sabe que o fil­ho está sendo bem trata­do”.

Este orgul­ho que Sil­via tem de tra­bal­har na Fiocruz pode ser expli­ca­do em números. A fun­dação é a maior pro­du­to­ra mundi­al da vaci­na con­tra a febre amarela. A insti­tu­ição tam­bém pro­duz vaci­nas con­tra diver­sas doenças, como saram­po, cax­um­ba, rubéo­la, poliomielite e covid-19, entre out­ras. Só no ano pas­sa­do, o com­plexo tec­nológi­co da fun­dação entre­gou 233 mil­hões de dos­es de vaci­nas ao Pro­gra­ma Nacional de Imu­niza­ção, do Min­istério da Saúde.

Expansão

122 anos da Fiocruz,
Repro­dução: Além de vaci­nas para diver­sas enfer­mi­dades, a Fiocruz fab­ri­ca remé­dio — TV Brasil

Nos próx­i­mos anos, o com­plexo de pro­dução de vaci­nas de Bio-Man­guin­hos vai gan­har uma nova fábri­ca que está sendo con­struí­da em um ter­reno de San­ta Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro.

O diretor do Instituto de Biotecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), Maurício Zuma,fala à imprensa, após visita às instalações de produção da vacina da Fiocruz/ Oxford /AstraZeneca, no Rio de Janeiro.
Repro­dução: Dire­tor do Insti­tu­to de Biotec­nolo­gia em Imuno­bi­ológi­cos (Bio-Man­guin­hos), Mau­rí­cio Zuma — Tânia Rêgo /Agência Brasil

O dire­tor de Bio-Man­guin­hos, Mauri­cio Zuma, diz que este novo com­plexo vai ser o maior da Améri­ca Lati­na e um dos mais mod­er­nos do mun­do.

No local, poderão ser fab­ri­ca­dos 120 mil­hões de fras­cos de vaci­nas por ano, o que vai aumen­tar a autono­mia do Brasil no setor.

“Vamos incor­po­rar novas vaci­nas e diminuir os cus­tos com a impor­tação. O com­plexo vai per­mi­tir colo­car em práti­cas novos pro­je­tos que estão sendo desen­volvi­dos pela Fiocruz que visam com­bat­er as doenças con­sid­er­adas neg­li­gen­ci­adas, que atingem nor­mal­mente a pop­u­lação mais pobre.”

Além das vaci­nas, a Fiocruz tam­bém fab­ri­ca remé­dios. A pro­dução é real­iza­da no lab­o­ratório de Far­man­guin­hos, sedi­a­do no Rio de Janeiro e que é o maior fornece­dor de medica­men­tos ao gov­er­no fed­er­al. Ele tem capaci­dade para pro­duzir mais de 2,5 bil­hões de com­prim­i­dos em um ano.

A coor­de­nado­ra de Desen­volvi­men­to Tec­nológi­co de Far­man­guin­hos, Alessan­dra Esteves diz que o lab­o­ratório é estratégi­co para o Min­istério da Saúde. A pro­dução nacional serve para aten­der à deman­da do Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) e ain­da impul­siona a econo­mia.

“É muito impor­tante o gov­er­no dom­i­nar a tec­nolo­gia e a pro­dução dos medica­men­tos. Além da sobera­nia nacional, este proces­so tam­bém aju­da a cri­ar empre­gos. O tra­bal­ho de Far­man­guin­hos é fun­da­men­tal para o bem-estar da pop­u­lação e tam­bém para o desen­volvi­men­to econômi­co do país.”

A pro­dução nacional de medica­men­tos e de vaci­nas só é pos­sív­el graças ao tra­bal­ho dos pesquisadores da Fiocruz. Todos os anos, cer­ca 800 arti­gos cien­tí­fi­cos são pro­duzi­dos pela insti­tu­ição. Estes estu­dos aju­dam a enfrentar doenças como aids, malária, tuber­cu­lose, hanseníase, saram­po e menin­gites.

A dire­to­ra do Insti­tu­to Oswal­do Cruz, Tânia Araújo, diz que estas pesquisas per­mitem a cri­ação de novos remé­dios e vaci­nas, como uma que está sendo tes­ta­da para com­bat­er a esquis­tos­so­mose e a fas­ci­olose. “Ao lon­go da história, tive­mos diver­sas con­quis­tas como a errad­i­cação da varío­la e a descober­ta da doença de Cha­gas. O inves­ti­men­to per­ma­nente em pesquisa per­mite que a fun­dação con­tin­ue ofer­e­cen­do medica­men­tos mod­er­nos e de qual­i­dade para a pop­u­lação.”

Assista na TV Brasil

Formação profissional

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade fala durante entrevista à Agência Brasil, na EBC, no Rio de Janeiro
Repro­dução: A pres­i­dente da Fiocruz, Nísia Trindade — Tomaz Silva/Agência Brasil

A Fiocruz tam­bém atua na área de for­mação profis­sion­al. Atual­mente, a insti­tu­ição ofer­ece 48 cur­sos de mestra­do e de doutora­do e 31 de residên­cia nas áreas médi­cas de enfer­magem e mul­ti­profis­sion­al. A vice-pres­i­dente de Edu­cação, Infor­mação e Comu­ni­cação da Fiocruz, Cris­tiani Macha­do, diz que a ideia de for­mar novos profis­sion­ais surgiu com o próprio Oswal­do Cruz.

“Ele acred­i­ta­va que ape­nas pro­duzir remé­dios e vaci­nas não seria sufi­ciente para mel­ho­rar a saúde da pop­u­lação. Na visão de Oswal­do Cruz, era pre­ciso preparar os cien­tis­tas do futuro e por isso ele decid­iu que a insti­tu­ição tam­bém seria um cen­tro de ensi­no.”

A pres­i­dente da Fiocruz, Nísia Trindade, diz que o futuro do Brasil está rela­ciona­do com o futuro da fun­dação. “Esta pan­demia mostrou que é fun­da­men­tal inve­stir de for­ma con­tin­ua em ciên­cia, tec­nolo­gia e edu­cação. Por este moti­vo é muito impor­tante o tra­bal­ho que a Fiocruz real­iza de for­ma integra­da para ben­e­fi­ciar a sociedade.”

Edição: Denise Griesinger

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