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Indígenas têm menos acesso à vacinação contra covid-19, diz pesquisa

Repro­dução: © Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Total fica quase 30 pontos abaixo do de outros grupos da população


Pub­li­ca­do em 15/02/2023 — 17:49 Por Viní­cius Lis­boa – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Ape­nas 48,7% da pop­u­lação indí­ge­na com mais de 5 anos de idade que vive em municí­pios com dis­tri­tos san­itários espe­ci­ais indí­ge­nas (Dsei) tin­ham rece­bido o esque­ma primário de vaci­nação con­tra a covid-19 até 1º de março do ano pas­sa­do, rev­ela estu­do con­duzi­do por diver­sas insti­tu­ições e disponi­bi­liza­do na inter­net em for­ma­to preprint. Con­clusões de tra­bal­hos divul­ga­dos nesse for­ma­to são con­sid­er­adas pre­lim­inares porque ain­da não foram revisadas por cien­tis­tas não envolvi­dos na pesquisa.

O total de indí­ge­nas imu­niza­dos com duas dos­es ou dose úni­ca das vaci­nas con­tra covid-19 era quase 30 pon­tos per­centu­ais mais baixo que o da pop­u­lação não indí­ge­na, que chega­va a 74,8%.

O estu­do foi con­duzi­do por pesquisadores do Cen­tro de Inte­gração de Dados em Con­hec­i­men­tos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), jun­to com a Lon­don School of Hygiene and Trop­i­cal Med­i­cine, a Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), a Uni­ver­si­dade São Paulo (USP), a Uni­ver­si­tat Pom­peu Fab­ra (Barcelona), a Uni­ver­si­dade Fed­er­al da Bahia (UFBA) e Uni­ver­si­dade do Esta­do do Rio de Janeiro (Uerj).

Para o cál­cu­lo do per­centu­al de cober­tu­ra vaci­nal, a pop­u­lação indí­ge­na nos Dsei foi esti­ma­da em cer­ca de 600 mil pes­soas, das quais 389 mil rece­ber­am ape­nas uma dose (65%) e 291 mil foram con­sid­er­adas com imu­niza­ção bási­ca com­ple­ta. O esque­ma bási­co ou primário de vaci­nação não inclui nen­hu­ma das dos­es de reforço, con­sid­er­adas essen­ci­ais para man­ter imu­nidade duradoura con­tra a covid-19.

O arti­go pon­dera que a cober­tu­ra vaci­nal cal­cu­la­da, porém, pode estar super­es­ti­ma­da, inclu­sive porque o próprio gov­er­no cal­cu­la uma pop­u­lação indí­ge­na cer­ca de 10% maior ness­es dis­tri­tos (657 mil pes­soas). Além dis­so, os pesquisadores lem­bram que há pes­soas indí­ge­nas que vivem fora dos Dsei, o que impede gen­er­al­iza­ções dos resul­ta­dos para toda a pop­u­lação indí­ge­na do Brasil.

“Baixas cober­turas vaci­nais em muitas comu­nidades indí­ge­nas com­postas por ape­nas algu­mas cen­te­nas de pes­soas podem tam­bém ameaçar sua con­tinuidade cul­tur­al, uma vez que a covid-19 afe­ta mais as pes­soas mais idosas, e elas são as prin­ci­pais respon­sáveis pela trans­mis­são cul­tur­al entre ger­ações”, aler­ta o estu­do.

Uma das respon­sáveis pela pesquisa, Julia Pescari­ni, do Cidacs/Fiocruz, lem­bra ain­da que a pop­u­lação indí­ge­na é mais jovem que a pop­u­lação brasileira em ger­al, com menor per­centu­al de idosos.

“O adul­to tem mais loco­moção e maior pos­si­bil­i­dade de cam­in­har até uma cidade mais dis­tante e se vaci­nar. Ago­ra, uma pes­soa com mais de 60 anos, tem muito mais difi­cul­dade de chegar às cidades e se vaci­nar. Isso expli­ca tam­bém porque a vaci­nação é menor”, disse Julia.

A pesquisado­ra chama a atenção ain­da para a cober­tu­ra vaci­nal das cri­anças de 5 a 9 anos. Em 1º de março de 2022, somente 2,6% na pop­u­lação indí­ge­na dos Dsei nes­sa faixa etária havia rece­bido a primeira dose, enquan­to a média no Brasil era de 40,7%.

Os pesquisadores avaliaram tam­bém a efe­tivi­dade das vaci­nas na pop­u­lação indí­ge­na. Para tan­to, foi acom­pan­hado um grupo de indí­ge­nas com mais de 5 anos vaci­na­dos entre 18 de janeiro de 2021 e 1º de março de 2022 e cal­cu­la­da a taxa de pro­teção con­tra casos sin­tomáti­cos, mor­tal­i­dade e hos­pi­tal­iza­ção.

Uma pre­ocu­pação dos pesquisadores era a pos­si­bil­i­dade de defi­ciên­cias nutri­cionais prej­u­di­carem a respos­ta imunológ­i­ca dos indí­ge­nas à vaci­nação, mas os dados mostraram um desem­pen­ho sim­i­lar das vaci­nas ao obser­va­do na pop­u­lação não indí­ge­na.

Julia sus­ten­ta que o mon­i­tora­men­to tem que ser con­tín­uo. “Este era um aler­ta em março, mas é ide­al que o mon­i­tora­men­to seja feito de for­ma con­stante para ver em quais pop­u­lações é pre­ciso for­t­ale­cer o sis­tema de vaci­nação”, disse a pesquisado­ra.

“O que se vê de for­ma ger­al com a covid-19 é que existe uma iniq­uidade por raça, posição socioe­conômi­ca, e com a pop­u­lação indí­ge­na, não é difer­ente. A pop­u­lação indí­ge­na, a pop­u­lação negra, a pop­u­lação das fave­las têm mais difi­cul­dades, mes­mo em cen­tros urbanos, de aces­sar a vaci­nação”, disse a pesquisado­ra.

Edição: Nádia Fran­co

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