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Método Wolbachia reduz casos de dengue em Niterói

Repro­dução: © Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz

Bactéria está em 60% dos insetos, mas ausente no Aedes aegypti


Pub­li­ca­do em 14/02/2024 — 08:02 Por Mar­i­ana Tokar­nia – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Em meio ao aumen­to de casos de dengue no país e de mortes pela doença, Niterói man­tém níveis baixos da doença. De acor­do com a prefeitu­ra, a situ­ação é resul­ta­do de mon­i­tora­men­to diário durante o ano todo e tam­bém do chama­do méto­do Wol­bachia, uma apos­ta de lon­go pra­zo, que começou a ser imple­men­ta­do na cidade em 2015. Em 2023, o municí­pio tornou-se o primeiro no Brasil com 100% do ter­ritório cober­to pelo méto­do.  

Wol­bachia é uma bac­téria pre­sente em cer­ca de 60% dos inse­tos na natureza, mas ausente no Aedes aegyp­ti, mos­qui­to trans­mis­sor da dengue. O méto­do Wol­bachia con­siste em inserir a bac­téria em ovos do mos­qui­to, em lab­o­ratório, e, assim, cri­ar Aedes aegyp­ti que por­tam o micror­gan­is­mo. Con­sta­tou-se que, por terem a Wol­bachia, ess­es mos­qui­tos não são capazes de car­regar os vírus que causam a dengue, zika, chikun­gun­ya ou febre amarela e tor­nam-se, assim, inofen­sivos.

Ess­es mos­qui­tos, apel­i­da­dos Wol­bitos, quan­do se repro­duzem pas­sam a bac­téria para os novos mos­qui­tos, fazen­do com que menos dess­es inse­tos pos­sam trans­mi­tir doenças para os seres humanos.

Rio de Janeiro (RJ) 09/02/2024 - Especial para matéria - Mosquitos com Wolbachia reduzem casos de dengue em Niterói.Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz
Repro­dução: Mos­qui­tos com Wol­bachia reduzem casos de dengue em Niterói — Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz

“Teve mui­ta descon­fi­ança da pop­u­lação quan­do fomos faz­er a soltura dos mos­qui­tos na cidade. Poxa, todo mun­do matan­do mos­qui­to e Niterói vai soltar mos­qui­to? Como assim? Nós fize­mos um tra­bal­ho inten­so com as lid­er­anças comu­nitárias, com as asso­ci­ações de moradores, com a Fed­er­ação das Asso­ci­ações de Moradores de Niterói, e elas nos apoiaram nesse con­venci­men­to jun­to à pop­u­lação para que os mos­qui­tos pudessem ser soltos. Hoje, a gente tem uma situ­ação menos dramáti­ca do que em grande parte do Brasil”, lem­bra a secretária de Saúde de Niterói, Ana­maria Schnei­der.

Segun­do a sec­re­taria, os números apon­tam a redução de cer­ca de 70% dos casos de dengue, 60% de chikun­gun­ya e 40% de zika nas áreas onde hou­ve a inter­venção ento­mológ­i­ca. Os casos foram cain­do ano a ano. Em 2015, ano da implan­tação do pro­je­to, foram con­fir­ma­dos 158 casos de dengue em Niterói. Em 2016, foram 71, em 2017, 87. Em 2018, hou­ve um aumen­to para 224 pacientes con­fir­ma­dos com a doença, mas o número caiu no ano seguinte, quan­do foram reg­istra­dos 61 casos. A par­tir de 2020, com 85 casos, os números caíram a cada ano, com 16 em 2021 e 12, em 2022. Em 2023, foram con­fir­ma­dos 55 casos de dengue na cidade. Até o momen­to são cer­ca de 30 casos sus­peitos.

O tra­bal­ho foi ini­ci­a­do em 2015 com uma ação pilo­to no bair­ro Juru­ju­ba. Em 2017, o méto­do Wol­bachia chegou a 33 bair­ros das regiões das pra­ias da Baía e Oceâni­ca. Em 2023, Niterói se tornou a primeira cidade brasileira com 100% do ter­ritório cober­to pelo méto­do Wol­bachia.

Mes­mo com o Wol­bito, o municí­pio não aban­do­nou as ações de pre­venção e mon­i­tora­men­to, que são real­izadas ao lon­go de todo o ano.

“É um tra­bal­ho con­tín­uo, não para. Nós temos 300 agentes de endemias que fazem vis­i­tas em 5 mil imóveis diari­a­mente. A gente tem um grupo que visi­ta só imóv­el aban­don­a­do. Eles con­seguem entrar em imóveis que ninguém tem aces­so. A gente visi­ta porque tem muitos focos de mos­qui­tos. Nes­sa época, aumen­tam as denún­cias da pop­u­lação, mas é um tra­bal­ho rotineiro, durante todo o ano”, expli­ca, Schnei­der.

Cidades com Wolbito

Rio de Janeiro (RJ) 09/02/2024 - Especial para matéria - Mosquitos com Wolbachia reduzem casos de dengue em Niterói.Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz
Repro­dução: Mos­qui­tos com Wol­bachia reduzem casos de dengue em Niterói — Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz

O méto­do, que tem origem na Aus­trália, é apli­ca­do no Brasil porque o país inte­gra, des­de 2014, o rol de 11 país­es que com­põem o Pro­gra­ma Mundi­al de Mos­qui­tos, em inglês World Mos­qui­to Pro­gram (WMP). No Brasil, é con­duzi­do pela Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz), com finan­cia­men­to do Min­istério da Saúde em parce­ria com gov­er­nos locais. Atual­mente, as cidades já incluí­das na pesquisa são Cam­po Grande (MS), Petroli­na (PE), Belo Hor­i­zonte, Niterói e Rio de Janeiro.

Este ano, o méto­do chegará a mais seis cidades: Natal, Uber­lân­dia (MG), Pres­i­dente Pru­dente (SP), Lon­d­ri­na (PR), Foz do Iguaçu (PR) e Joinville (SC).

O méto­do, no entan­to, não tem resul­ta­do ime­di­a­to e pre­cisa ser asso­ci­a­do a out­ras ações para com­bat­er a doença. “O méto­do Wol­bachia não é um méto­do de ação ime­di­a­ta, como é um inseti­ci­da, por exem­p­lo, que você apli­ca e mata o mos­qui­to. A Wol­bachia é pre­ven­ti­va. A gente pre­cisa cobrir um ter­ritório, aguardar esse esta­b­elec­i­men­to dos mos­qui­tos. Aca­ba sendo algo pre­ven­ti­vo, de médio pra­zo, porque a gente pre­cisa esta­b­ele­cer, faz­er todo o proces­so e aguardar um tem­po para que os resul­ta­dos sejam vis­tos”, expli­ca o líder de oper­ações da WMP Brasil, Gabriel Sylvestre.

Segun­do ele, em cer­ca de 2 anos, é pos­sív­el obser­var os resul­ta­dos do méto­do. No entan­to, ele não deve ser a úni­ca for­ma de com­bate à dengue e às demais doenças. “O méto­do Wol­bachia não pode ser pen­sa­do de uma for­ma úni­ca. É pre­ciso que haja esse esforço cole­ti­vo, tan­to do poder públi­co quan­to da pop­u­lação. Aí a gente entra como mais uma força nesse com­bate”, enfa­ti­za.

Ape­sar de tam­bém ter rece­bido o Wol­bito, a cidade do Rio de Janeiro está em situ­ação difer­ente da do municí­pio viz­in­ho. A cidade declar­ou situ­ação de emergên­cia dev­i­do ao aumen­to do número de inter­nações por sus­pei­ta de dengue.

No Rio, o  Wol­bito foi lib­er­a­do ape­nas em algu­mas regiões e não em toda a cidade como em Niterói.

“São dados muito com­plex­os de serem anal­isa­dos. Isso vai depen­der, em grande parte, da dimen­são do pro­je­to. Em Niterói, a cidade inteira par­ticipou do pro­je­to. Então, toda a cidade, cada bair­ro, tem Wol­bito esta­b­ele­ci­do. Isso garante uma pro­teção na cidade como um todo. O impacto aca­ba sendo mais rel­e­vante, mais forte do que em uma cidade com a com­plex­i­dade que tem o Rio de Janeiro. E a gente não con­seguiu chegar em grandes pro­porções da cidade do Rio ain­da”, expli­ca Sylvestre.

A melhor forma de combater a dengue é impedir a reprodução do mosquito. Foto: Arte/EBC
Reprodução: Arte/EBC

 

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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