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Sérgio Cabral deixa legado de valorização do samba e cultura popular

Repro­dução: © Instagram/Martinho  da Vila

Amigos e familiares se despediram do jornalista nesta segunda-feira


Publicado em 15/07/2024 — 17:56 Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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Mor­to no domin­go (14), aos 87 anos, em decor­rên­cia de com­pli­cações de um enfise­ma pul­monar, após vários meses inter­na­do na Clíni­ca São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, o jor­nal­ista Sér­gio Cabral San­tos, ou sim­ples­mente Sér­gio Cabral, como era con­heci­do, teve o cor­po cre­ma­do nes­ta segun­da-feira (15), no Cemitério Memo­r­i­al do Car­mo, no Caju, zona por­tuária da cap­i­tal flu­mi­nense. Ele era pai do ex-gov­er­nador do Rio Sér­gio Cabral.

O can­tor e com­pos­i­tor Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz, um dos ide­al­izadores da Feiras das Yabás, que des­de 2008 é real­iza­da nas ime­di­ações da Praça Paulo da Portela, unin­do sam­ba e gas­trono­mia, disse que Sér­gio Cabral pai foi um dos int­elec­tu­ais mais impor­tantes do país. “Ele foi o cara que fez o cam­in­ho do Túnel Rebouças [que liga a zona sul à zona norte do Rio]. Foi quem trouxe toda essa cul­tura de sam­ba, de mor­ro, de sub­úr­bio para que as pes­soas de classe média tivessem con­hec­i­men­to dis­so. E não só isso, mas divul­gou aque­las pes­soas como nun­ca .“

Uma coisa que muito emo­cio­nou Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz como porte­lense, uma das esco­las de coração de Cabral pai, foi quan­do o com­pos­i­tor Chico San­tana, morador deste sub­úr­bio car­i­o­ca, mor­reu. “Ele escreveu no jor­nal O Dia uma coisa boni­ta sobre Chico San­tana. Os tex­tos que Sér­gio Cabral fazia. Pega­va aque­las pes­soas, que para a grande mídia seri­am insignif­i­cantes, emb­o­ra tivessem importân­cia muito grande naque­la região, e con­seguia dar o dev­i­do val­or a essas pes­soas para a cidade, o esta­do e o país. Ele dedi­cou a vida ao sam­ba. Todas essas pes­soas pas­saram pela mão do Sér­gio Cabral. Era um cara que tin­ha praz­er em con­tar histórias de fulano, de bel­tra­no. É um cri­ador de mitos até. Um bara­to isso”, disse Mar­quin­hos à Agên­cia Brasil.

MIS

O musicól­o­go e his­to­ri­ador Ricar­do Cra­vo Albin afir­mou à Agên­cia Brasil que o desa­parec­i­men­to de Sér­gio Cabral “deixa um vácuo enorme na his­to­ri­ografia, críti­ca e na músi­ca pop­u­lar, sobre­tu­do suas fontes, suas ori­gens e entre as fig­uras mais anti­gas que, em ger­al, são esque­ci­das pela ver­tigem do novo e dos lança­men­tos mais recentes”.

Para o his­to­ri­ador, Sér­gio Cabral rep­re­sen­tou a elegân­cia de con­fir­mar val­ores que sem­pre valer­am a pena, porque são per­ma­nentes. “Esse tipo de ded­i­cação às coisas per­ma­nentes era uma das car­ac­terís­ti­cas que mais encan­tavam as pes­soas que con­vivi­am com Ser­gio Cabral”. Foi o caso do próprio Ricar­do Cavo Albin, que con­viveu com o jor­nal­ista Ser­gio Cabral pai des­de o começo do Museu da Imagem e do Som (MIS). Cabral foi um dos pio­neiros ao entre­vis­tar os grandes vul­tos da músi­ca pop­u­lar brasileira no museu, o que viria a ser a car­ac­terís­ti­ca prin­ci­pal do MIS, que é con­sagra­do uni­ver­salmente por isso.

“Por­tan­to, Ser­gio Cabral tam­bém foi um pio­neiro nesse cam­po”. Quan­do Cra­vo Albin lem­brou a Ser­gio Cabral essa orig­i­nal­i­dade, ele prom­e­teu abrir a biografia para inserir mais um capí­tu­lo que era ter inau­gu­ra­do, como entre­vis­ta­dor, o MIS. “A memória de Ser­gio Cabral me é muito queri­da e muito valiosa.”

Sassaricando

O pro­du­tor cul­tur­al e coor­de­nador de Pro­moção Cul­tur­al do Arqui­vo Ger­al da Cidade do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Mal­ta, con­viveu com Ser­gio Cabral durante dez anos, perío­do em que ficou em car­taz a peça Sas­sar­i­can­do, escri­ta pelo jor­nal­ista e por Rosa Maria Araújo, atu­al pres­i­dente da insti­tu­ição. “A con­vivên­cia que a gente teve no Sas­sar­i­can­do foi mar­avil­hosa, um musi­cal do qual ele era autor e no qual eu tive a sorte de tra­bal­har como can­tor e ator. E a con­vivên­cia com Ser­gio foi um priv­ilé­gio, um pre­sente que eu gan­hei para min­ha vida”, disse Mal­ta à Agên­cia Brasil.

Ele já con­hecia, e ado­ra­va, a figu­ra de Ser­gio Cabral. “Apaixon­a­do por sam­ba que eu era, tin­ha os livros dele, cur­tia seu tra­bal­ho e pas­sei cur­tir mais ain­da o Ser­gio nes­sa con­vivên­cia que tive de poder sair das sessões e ir para um bar, um restau­rante, e con­ver­sar mais sobre per­son­agens impor­tantes da músi­ca pop­u­lar brasileira, dos quais ele era fonte primária. O Ser­gio con­heceu Pixin­guin­ha, Jacob do Ban­dolim, Don­ga, Car­to­la, João da Baiana, essas pes­soas que impor­tam e já não estão aí há muito tem­po. E o Ser­gio ago­ra não está mais aí fisi­ca­mente, mas a obra dele está.”

Para Pedro Paulo Mal­ta, Ser­gio Cabral foi o mel­hor con­ta­dor das histórias de fig­uras lig­adas ao sam­ba. “Além de ter sido jor­nal­ista e repórter de jor­nais impor­tantes, como o Jor­nal do BrasilDiário Car­i­o­caO Pasquim, ele deixou uma obra escri­ta fun­da­men­tal”, lem­brou. Da obra literária de Cabral, o livro preferi­do de Mal­ta é As Esco­las de Sam­ba do Rio de Janeiro. “Para mim, é a bíblia do car­naval car­i­o­ca, da história do car­naval car­i­o­ca, dos des­files, e ele con­ta não só como começaram os des­files, mas a história de cada uma das esco­las. Enfim, um cara fun­da­men­tal”, definiu o pro­du­tor cul­tur­al.

Redes sociais

Em men­sagem no X (anti­go Twit­ter), a Esco­la de Sam­ba Império Ser­ra­no desta­cou nes­ta segun­da-feira (15)  a des­pe­di­da do Rio de Janeiro do jor­nal­ista Sér­gio Cabral. “Um grande nome na cober­tu­ra das esco­las de sam­ba e da músi­ca pop­u­lar brasileira, ele foi uma voz que sem­pre exal­tou a nos­sa cul­tura e a beleza do car­naval”. Emb­o­ra se auto­procla­masse torce­dor da Portela, Cabral tin­ha tam­bém amor por out­ras agremi­ações, entre as quais a Império Ser­ra­no.

Na noite do próprio domin­go (14), em seu Insta­gram, a direção da Portela lamen­tou a per­da de Ser­gio Cabral: “A Portela lamen­ta pro­fun­da­mente o falec­i­men­to do jor­nal­ista Sér­gio Cabral, aos 87 anos. Porte­lense e apaixon­a­do pelo sam­ba, Ser­gio ficou pop­u­lar­mente con­heci­do no car­naval por ser um grande pesquisador sobre o assun­to, se tor­nan­do refer­ên­cia em 1996, com o lança­men­to da obra As Esco­las de Sam­ba do Rio de Janeiro, que se tornou um mar­co na car­reira do jor­nal­ista, sendo rev­er­en­ci­a­da até hoje para vários pesquisadores e sam­bis­tas.

Ten­do cer­ca de 20 obras de sua auto­ria, o jor­nal­ista começou a car­reira no final da déca­da de 50 no Jor­nal Asso­ci­a­dos, onde escrevia para o Diário da Noite. Car­i­o­ca, sub­ur­bano, nasci­do em Cas­cadu­ra e cri­a­do no bair­ro de Cav­al­can­ti, Sér­gio Cabral deixa esposa, três fil­hos e um grande lega­do sobre a cul­tura pop­u­lar brasileira.

“O pres­i­dente da Portela, Fábio Pavão, o vice-pres­i­dente, Junior Esca­fu­ra, e toda a família porte­lense se sol­i­darizam com os famil­iares e ami­gos de Ser­gio Cabral nesse momen­to. Des­canse em paz, Sér­gio Cabral”, con­clui a postagem da Portela.

Out­ra agremi­ação que lamen­tou a morte de Cabral pai foi a Moci­dade Inde­pen­dente de Padre Miguel: “Domin­go começan­do de luto… Hoje, perdemos o grande jor­nal­ista Ser­gio Cabral. Um dos grandes per­son­agens car­i­o­cas e apaixon­a­do por car­naval, Cabral foi fun­da­men­tal den­tro da comu­ni­cação em nos­so tem­po. Des­canse em paz. A Estrela está de luto”.

Da mes­ma for­ma, a Estação Primeira de Mangueira rev­er­en­ciou o jor­nal­ista: ”A Estação Primeira de Mangueira, em nome da pres­i­den­ta Gua­nayra Firmi­no, lamen­ta o falec­i­men­to de Sér­gio Cabral. Ilus­tre mangueirense, jor­nal­ista, escritor e com­pos­i­tor, Cabral foi cri­a­do no sub­úr­bio car­i­o­ca e foi um dos prin­ci­pais difu­sores do sam­ba.

Em suas obras, o livro Mangueira — Nação Verde e Rosa de (1998) e o sam­ba Os Meni­nos da Mangueira cer­ta­mente mar­caram a história da verde e rosa. Nos­sos sen­ti­men­tos aos ami­gos e famil­iares. Sua con­tribuição ao sam­ba e à cidade do Rio de Janeiro é ímpar. Siga em paz!.”

Políticos

A dep­uta­da fed­er­al Jandi­ra Feghali (PCdoB-RJ) ressaltou na rede social X que a cul­tura brasileira, e prin­ci­pal­mente a do Rio de Janeiro, sem­pre tiver­am no jor­nal­ista, escritor, pesquisador e com­pos­i­tor Ser­gio Cabral um dos maiores entu­si­as­tas e divul­gadores. “Fun­dador do Pasquim, entu­si­as­ta do sam­ba, do car­naval, do fute­bol (era vas­caíno invet­er­a­do) e dos sub­úr­bios, tam­bém foi vereador por três vezes. Sua con­tribuição à músi­ca e ao esporte do Rio são indeléveis. Meus sen­ti­men­tos aos famil­iares e admi­radores de sua obra, tão pop­u­lar quan­to rep­re­sen­ta­ti­va do espíri­to car­i­o­ca.”

O tam­bém dep­uta­do fed­er­al Chico Alen­car (PSOL-RJ) lamen­tou a morte do jor­nal­ista e escritor: “Con­fi­dente nas sessões modor­rentas da Câmara Munic­i­pal do Rio de Janeiro, entu­si­as­ta da nos­sa MPB [músi­ca pop­u­lar brasileira] e do car­naval, bió­grafo de grandes, con­cluiu sua vida biológ­i­ca. Deixa biografia lin­da. Cer­ta vez me disse que emoção maior era ver o Vas­co entran­do em cam­po. Ser­jão deixa o cam­po aplau­di­do”, afir­mou o dep­uta­do.

Edição: Nádia Fran­co

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