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Mais brincadeira, menos tela: confira dicas para uma infância saudável

Sono, boa alimentação e brincar ao ar livre são fundamentais

Agên­cia Brasil*
Pub­li­ca­do em 12/10/2025 — 09:02
Rio de Janeiro
Brasília (DF), 26/03/2025 - O ministério dos Direitos Humanos e Instituto Maurício de Souza lançam gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade em escola no Itapuã, região administrativa do Distrito Federal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Se o mun­do se trans­for­mou com a inter­net, redes soci­ais e a mas­si­fi­cação dos dis­pos­i­tivos móveis, a infân­cia tam­bém. Em uma era hiper conec­ta­da, o con­ta­to com a natureza, as brin­cadeiras ao ar livre e o tem­po longe das telas já apare­cem como pre­scrição médi­ca.

Com 29 anos de práti­ca em con­sultório, Rena­ta Anice­to, mem­bro do Depar­ta­men­to Cien­tí­fi­co de Pedi­a­tria Ambu­la­to­r­i­al da Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria (SBP), desta­ca que já pre­screve em suas ori­en­tações, além de ali­men­tação saudáv­el e vaci­nação, tem­po de con­vívio entre pais e fil­hos.

“Eu quero que no final de sem­ana vocês ten­ham duas horas de brin­cadeiras no par­que, de vivên­cias em casa, que lev­em as cri­anças para coz­in­har, para faz­er jogos de tab­uleiro. É um retro­ces­so. Essa ger­ação de pais não sabe como brin­car com os fil­hos porque eles já vêm de uma fase conec­ta­da com as telas”, aler­ta.

Ela con­ta que obser­vou uma mudança com­por­ta­men­tal gigan­tesca, prin­ci­pal­mente com a entra­da das telas, do celu­lar e do tablet no cotid­i­ano das famílias.

“Hou­ve uma desconexão entre pais e fil­hos. Porque não só as cri­anças estão mais tem­po em tela, os pais tam­bém. No con­sultório, pas­saram a chegar muito mais alter­ações como ansiedade e depressão, quadros que nós nem estudá­va­mos na nos­sa for­mação [em pedi­a­tria] e hoje pre­cisamos lidar. É um momen­to muito conec­ta­do e desconec­ta­do ao mes­mo tem­po, com essa desconexão humana”, diz a pedi­atra.

Angela Uchoa Bran­co, pro­fes­so­ra do Depar­ta­men­to de Psi­colo­gia Esco­lar e do Desen­volvi­men­to da Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB), reforça a importân­cia das brin­cadeiras pres­en­ci­ais, face a face com out­ras cri­anças e adul­tos. Para as mais vel­has, recomen­da jogos como os de tab­uleiro.

“Jogos e brin­cadeiras livres são fun­da­men­tais para o desen­volvi­men­to da cri­ança. Con­tação de histórias dialo­gadas, ler para a cri­ança antes de dormir, deixar livrin­hos infan­tis disponíveis para desen­volver a cria­tivi­dade e o gos­to pela leitu­ra. E, sem­pre que pos­sív­el, levar a cri­ança para brin­car ao ar livre e con­viv­er com a natureza”, afir­ma Angela.

Para este Dia das Cri­anças, a Agên­cia Brasil con­ver­sou com médi­cos, psicól­o­gos e espe­cial­is­tas para reunir dicas para uma infân­cia mais saudáv­el. Con­fi­ra:

Mais brincadeira, menos tela

Rio de Janeiro (RJ), 27/08/2025 – Alunos jogam futebol durante intervalo no Ginásio Experimental Olímpico Reverendo Martin Luther King, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Rio de Janeiro (RJ) – Alunos jogam fute­bol durante inter­va­lo no Giná­sio Exper­i­men­tal Olímpi­co Rev­eren­do Mar­tin Luther King, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil -

Se no pas­sa­do a infân­cia era mar­ca­da pelas brin­cadeiras de rua e o tem­po livre, hoje se mis­tu­ra com as telas do celu­lar, noti­fi­cações e inter­ações online. Rena­ta desta­ca que, para além da per­da nas inter­ações e do con­vívio, o exces­so de telas pode prej­u­dicar tam­bém o desen­volvi­men­to do cére­bro e da cog­nição.

“O exces­so de telas vai estim­u­lar áreas que não são tão pri­mor­diais e pode levar à per­da de habil­i­dades, como foco, atenção, memória, res­olução de prob­le­mas. São ger­ações que estão ten­do mais difi­cul­dade na comu­ni­cação e na apren­diza­gem. Além dis­so, se eu mexo menos o cor­po, então haverá maior incidên­cia de obesi­dade”, expli­ca.

No ano pas­sa­do, a Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria (SBP) atu­al­i­zou as ori­en­tações sobre o tem­po de telas ade­qua­do para cada faixa etária.

  • De 0 a 2 anos: sem telas, mes­mo que pas­si­va­mente;
  • De 2 a 5 anos: uma hora por dia, com super­visão dos pais ou respon­sáveis;
  • De 6 a 10 anos: uma a duas horas por dia, no máx­i­mo, e sem­pre com super­visão;
  • Entre 11 e 18 anos: de duas a três horas por dia, e nun­ca deixar “virar a noite”.

A dire­to­ra exec­u­ti­va da ONG Vaga Lume, Lia Jam­ra, que há 25 anos atua com edu­cação nos nove esta­dos da Amazô­nia Legal, ressalta a importân­cia do incen­ti­vo à leitu­ra, em oposição ao dig­i­tal.

“É muito impor­tante pais e cuidadores terem ini­cia­ti­va de ler para a cri­ança para aju­dar a sair da tela. A leitu­ra traz um impacto socioe­mo­cional muito grande na for­mação de repertório, visão de mun­do, pos­si­bil­i­dade de son­har. A infân­cia na Amazô­nia é mais saudáv­el. Várias brin­cadeiras fora de casa fazem parte da roti­na dessa cri­ança, como um mer­gul­ho no rio”, diz Lia.

Sono

Brasília (DF) 28/01/2025 - Os irmãos Clara Santana (10) e Pedro Santana (13), são vistos com celular na mão embaixo de um cobertor. Uma a cada 3 crianças tem perfil aberto em redes, alerta pesquisa Dados foram divulgados nesta terça pela Unico e Instituto Locomotiva Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: Exces­so de telas pode prej­u­dicar qual­i­dade do sono das cri­anças . Foto: Joéd­son Alves/Agência Brasil

O sono de qual­i­dade é um dos pilares fun­da­men­tais para o bom desen­volvi­men­to infan­til. O des­can­so ade­qua­do está dire­ta­mente lig­a­do ao desen­volvi­men­to físi­co, cog­ni­ti­vo e emo­cional. Tam­bém nesse aspec­to, Rena­ta apon­ta que as telas podem atu­ar como vilãs da saúde das cri­anças;

“Se usar telas no perío­do noturno, fica com a luz da tela no meu cére­bro mais tem­po, o que diminui a pro­dução de mela­ton­i­na, hor­mônio respon­sáv­el pela indução ini­cial do sono. Assim, a cri­ança  vai ter mais difi­cul­dade para pegar no sono e des­pertares noturnos mais fre­quentes”, desta­ca.

A médi­ca expli­ca que o sono não é só para des­cansar, mas tra­ta-se de um perío­do em que proces­sos neu­rológi­cos acon­te­cem.

“A fix­ação de apren­diza­dos adquiri­dos durante o dia é fei­ta nesse perío­do noturno. Muitos hor­mônios são sec­re­ta­dos durante a noite, como o hor­mônio do cresci­men­to, os hor­mônios con­tro­ladores de fome e saciedade, que podem impactar no apetite e gan­ho de peso”, afir­ma.

Diálogo

A pro­fes­so­ra da UnB, Angela Uchoa, tam­bém desta­ca a importân­cia de esta­b­ele­cer diál­o­gos respeitosos para pro­mover uma edu­cação que esta­beleça lim­ites, mas que reforce a autoes­ti­ma dos pequenos, sem punições físi­cas.

“É necessário sem­pre escol­her o momen­to cer­to para con­ver­sar e esta­b­ele­cer lim­ites, dialo­gan­do. Deve­mos ter tol­erân­cia zero para agressões, mas man­ter uma ati­tude respeitosa e dan­do exem­p­lo de como se deve agir quan­do algo nos desagra­da. Respeito gera respeito, é necessário demon­strar afe­to para que a cri­ança se sin­ta ama­da e elo­giar aqui­lo que ela sabe faz­er bem. Isso for­t­alece a sua autoes­ti­ma, essen­cial para seu pleno desen­volvi­men­to como ser humano” com­ple­ta a pro­fes­sor da UnB.

Alimentação

Brasília-DF, 10.11.2023, A Diversas frutas, legumes e verduras que são vendidos diariamente na Centrais de Abastecimento do Distrito Federal, a CEASA-DF. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: Fru­tas devem estar pre­sente na ali­men­tação des­de o primeiro ano de vida. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Aos 6 meses de vida, quan­do os primeiros dentin­hos em ger­al apare­cem, o bebê ini­cia a chama­da intro­dução ali­men­tar. A fase é con­sid­er­a­da pri­mor­dial na for­mação dos futur­os hábitos ali­menta­res da cri­ança, desta­ca a pro­fes­so­ra Diana Bar­bosa Cun­ha, do Insti­tu­to de Med­i­c­i­na Social da Uni­ver­si­dade do Esta­do do Rio de Janeiro (Uerj).

Ela desta­ca que hábitos ruins na infân­cia podem man­ter-se ao lon­go da vida, tor­nan­do-se fator de risco para o desen­volvi­men­to de doenças crôni­cas como as cardía­cas, hiperten­são arte­r­i­al, dia­betes tipo 2, entre out­ras.

 “Essa fase deve ser tran­quila, pen­san­do que o obje­ti­vo da intro­dução ali­men­tar é que o bebê con­heça os ali­men­tos. Nes­sa fase, o leito mater­no ain­da é o ali­men­to mais impor­tante. A recomen­dação é que a intro­dução ali­men­tar se ini­cie aos 6 meses e a gente espera que, aos 2 anos, a cri­ança este­ja ple­na­mente adap­ta­da à ali­men­tação da família”, diz a pro­fes­so­ra.

Diana desta­ca que é muito impor­tante que a família este­ja se ali­men­tan­do de for­ma ade­qua­da, dan­do o exem­p­lo, ten­do como base os ali­men­tos min­i­ma­mente proces­sa­dos, como cereais, legu­mi­nosas, carnes, fru­tas.

“Deve-se restringir o con­sumo de ali­men­tos ultra­proces­sa­dos. É fun­da­men­tal estim­u­lar a autono­mia da cri­ança escol­hen­do as opções saudáveis que o respon­sáv­el vai apre­sen­tar. Levar as cri­anças para a feira para ela escol­her os ali­men­tos. Levar a cri­ança para o preparo dos ali­men­tos como lavá-los, cortá-los. Isso favorece a relação com a ali­men­tação”, con­clui a pro­fes­so­ra.

*Colaborou Ana Cristi­na Cam­pos

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