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Dia dos Povos Indígenas: educação é fundamental contra estereótipos

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Preconceito costuma ser reforçado em comemorações da data


Pub­li­ca­do em 19/04/2023 — 08:48 Por Say­onara Moreno – Repórter da Radio Nacional — Brasília

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Em jul­ho do ano pas­sa­do, a Lei 14.402/22 definiu 19 de abril como o Dia dos Povos Indí­ge­nas – e não mais Dia do Índio –, para cel­e­brar a cul­tura e her­ança dess­es povos. A medi­da, aprova­da pelo Con­gres­so Nacional, deixa de lado o ter­mo índio, con­sid­er­a­do pre­con­ceitu­oso con­tra os povos orig­inários.

Para o coor­de­nador exec­u­ti­vo da Artic­u­lação dos Povos Indí­ge­nas do Brasil (Apib), Dina­mam Tuxá, o pre­con­ceito aca­ba sendo reforça­do com estereóti­pos que ain­da per­sis­tem em comem­o­rações e nos livros esco­lares.

“Várias esco­las fan­tasian­do; cri­anças, querem colo­car os indí­ge­nas em um for­ma­to, den­tro de uma caix­in­ha. Indí­ge­na é aque­le que mora den­tro da flo­res­ta, que anda, tem ves­ti­men­tas. Isso cria um cenário de um racis­mo porque essas cri­anças crescem na ide­olo­gia de um indí­ge­na do cabe­lo liso, dos olhos pux­a­dos, uma pele aver­mel­ha­da. Nós pas­samos por um proces­so de mis­ci­ge­nação. Nós pas­samos por um proces­so de vio­lên­cia. Quan­tas mul­heres indí­ge­nas não sofr­eram abu­sos sex­u­ais? Tiver­am a mis­ci­ge­nação força­da”.

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A existên­cia dos povos indí­ge­nas é atrav­es­sa­da por sécu­los de vio­lên­cia. Para Dina­mam Tuxá, essa vio­lên­cia per­siste em for­ma de racis­mo, como resquí­cio da col­o­niza­ção por­tugue­sa.

“Proces­so de mui­ta vio­lên­cia, de acul­tur­ação força­da, de reti­ra­da de lín­gua, de abu­so, de traz­er os povos indí­ge­nas de for­ma força­da a uma real­i­dade que não lhes per­tence, de não demar­car os ter­ritórios indí­ge­nas, de não pro­mover ações de políti­cas públi­cas que fomentem a cul­tura dos povos indí­ge­nas. Então todo esse cenário con­tribui ain­da para que essa vio­lên­cia se propague den­tro e fora das ter­ras indí­ge­nas”.

Brasília - Criança indígena no Acampamento Terra Livre
Repro­dução: Cri­ança indí­ge­na no Acam­pa­men­to Ter­ra Livre, em Brasília — Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Genocídio

O pro­fes­sor de História da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Recôn­ca­vo da Bahia, Fab­rí­cio Lyrio, reforça que a chega­da dos por­tugue­ses trouxe uma série de vio­lên­cias con­tra os povos orig­inários, o que resul­tou em genocí­dio. Enquan­to 5 mil­hões de indí­ge­nas vivi­am no Brasil, em 1500, atual­mente essa pop­u­lação não chega a 1 mil­hão.

“É, sobre­tu­do, uma vio­lên­cia sim­bóli­ca de demar­car uma pre­sença em uma ter­ra onde já havia out­ras pes­soas viven­do. E essa vio­lên­cia tende a crescer. Tan­to a vio­lên­cia inten­cional da guer­ra, da escrav­iza­ção, quan­to a vio­lên­cia que não foi plane­ja­da, mas que teve um impacto absur­do sobre as pop­u­lações nati­vas, a chega­da de novas agentes infec­ciosos. Há uma dimen­são de genocí­dio, não há dúvi­da”.

Fab­rí­cio Lyrio lem­bra que, antes de imi­grantes e pes­soas do con­ti­nente africano, os indí­ge­nas foram os primeiros escrav­iza­dos pelos por­tugue­ses no Brasil. Segun­do o espe­cial­ista, os primeiros engen­hos de açú­car no país foram mon­ta­dos com mão de obra indí­ge­na, em maior parte escrav­iza­da.

Em 1500, os por­tugue­ses que aqui chegaram acred­i­tavam ter chega­do às Índias. Por isso, der­am nome de índios aos que aqui já vivi­am. Mas, o ter­mo cor­re­to é indí­ge­na, que sig­nifi­ca, no latim, nat­ur­al do lugar em que vive.

Edição: Paula de Castro/Pedro Lacerda/Denise Griesinger

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