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Fila para transplante de córnea no Brasil quase dobra em cinco anos

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr./Agência Brasil

Houve redução do volume de cirurgias depois da pandemia de covid-19


Pub­li­ca­do em 23/05/2023 — 09:15 Por Paula Labois­sière – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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A fila de espera por um trans­plante de córnea no Brasil prati­ca­mente dobrou ao lon­go dos últi­mos cin­co anos, pas­san­do de 12.212 em 2019 para 23.946 atual­mente. O Con­sel­ho Brasileiro de Oftal­molo­gia (CBO) aler­ta que o vol­ume de pro­ced­i­men­tos não reto­mou os níveis pré-pan­demia de covid-19 – o total de inter­venções real­izadas no Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) em 2022 é menor do que o que era exe­cu­ta­do no iní­cio da déca­da pas­sa­da.

Os dados con­stam no Obser­vatório CBO, platafor­ma cri­a­da pela enti­dade de aces­so públi­co e gra­tu­ito, que agru­pa infor­mações sobre con­sul­tas, exam­es, cirur­gias e trans­plantes real­iza­dos. De acor­do com o lev­an­ta­men­to, o número de trans­plantes de córnea no SUS recu­ou ao pata­mar do que era exe­cu­ta­do em 2013. Em 2020, auge da pan­demia, a série históri­ca reg­istrou o seu pior desem­pen­ho na déca­da: 4.374 cirur­gias.

Regiões

Os números mostram que, entre 2012 e 2022, a rede públi­ca real­i­zou cer­ca de 86 mil trans­plantes de córnea no Brasil. As cirur­gias estão con­cen­tradas no Sud­este, que responde por 46% do total de pro­ced­i­men­tos. Na sequên­cia, apare­cem Nordeste, com 25%; Sul (13%); Cen­tro-Oeste (9%); e Norte (5%).

Estados

O esta­do de São Paulo con­tabi­liza nove unidades de trans­plante e responde por um terço das cirur­gias desse tipo no perío­do anal­isa­do: 29,9 mil inter­venções entre 2012 e 2022. Nas posições sub­se­quentes apare­cem Per­nam­bu­co (5.770), Minas Gerais (5.696), Paraná (4.946) e Ceará (4.727).
Na out­ra extrem­i­dade do rank­ing estão Tocan­tins (145), Acre (237), Rondô­nia (569), Alagoas (625) e Paraí­ba (1.115). Em todo o país, 24 esta­dos pos­suem pelo menos um ban­co de teci­dos ocu­lares na rede públi­ca, exce­to Acre, Amapá e Roraima.

Perfil

Ain­da de acor­do com o lev­an­ta­men­to, o vol­ume de trans­plantes no Brasil é divi­di­do prati­ca­mente ao meio entre home­ns (50,7%) e mul­heres (49,3%). Porém, nas regiões geográ­fi­cas, essa pro­por­cional­i­dade muda. Os home­ns são maio­r­ia entre os ben­e­fi­ci­a­dos no Norte (59%), Cen­tro-Oeste (56%), Sul (53%) e Nordeste (51%). Ape­nas no Sud­este, a pop­u­lação fem­i­ni­na apre­sen­ta per­centu­al ligeira­mente maior, com 51% dos casos.

Out­ro pon­to desta­ca­do é o vol­ume sig­ni­fica­ti­vo de inter­venções nas faixas etárias de 40 a 69 anos (39,2%) e de 20 a 39 anos (27%) o que, para o CBO, demon­stra o val­or social desse tipo de pro­ced­i­men­tos. Out­ros gru­pos tam­bém são favore­ci­dos, como idosos com mais de 70 anos (25% dos casos) e cri­anças e ado­les­centes (8,4%).

Espera

Números do Sis­tema Nacional de Trans­plantes (SNT) rev­e­lam que, atual­mente, há 24.319 pacientes à espera de algum pro­ced­i­men­to nas córneas. Em 2020, esse total já era de 16.337 e, em 2021, de 20.134. Os dados se ref­er­em a atendi­men­tos feitos no SUS e nas redes pri­va­da e suple­men­tar.
O tem­po de espera por um trans­plante de córnea, segun­do o CBO, é de 13,2 meses, em média. O índice, entre­tan­to, varia de acor­do com o esta­do: no Pará, 26,2 meses; no Maran­hão, 22,6; no Rio de Janeiro, 21,4; no Rio Grande do Norte, 18,4; e em Alagoas, 17,7.

Por out­ro lado, a demo­ra reg­istra­da é menor no Ceará (1,2 mês), no Ama­zonas (2,2), em San­ta Cata­ri­na (4,9), no Mato Grosso (6,1) e no Paraná (6,5). Para o CBO, o vol­ume de trans­plantes e a celeri­dade no atendi­men­to das deman­das está dire­ta­mente vin­cu­la­da à existên­cia de uma rede ati­va de cap­tação de córneas em cada local­i­dade.

Agên­cia Brasil pediu posi­ciona­men­to do Min­istério da Saúde sobre o tema e aguar­da respos­ta.

Edição: Aline Leal

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