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Outubro Rosa: histórias inspiradoras de mulheres que superaram câncer

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Hábitos de vida saudáveis contribuem para a prevenção da doença


Pub­li­ca­do em 08/10/2022 — 08:44 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Ouça a matéria:

A fisioter­apeu­ta Rober­ta Perez, espe­cial­iza­da na área car­dior­res­pi­ratória, tin­ha a vida profis­sion­al com que son­hou, mas às cus­tas do aban­dono da saúde e do autocuida­do, como ela con­ta. “Esta­va há anos sem ir ao médi­co, só me con­sul­ta­va quan­do caía gri­pa­da entre um plan­tão e out­ro. Vivia um estresse con­stante, me ali­men­ta­va super mal e tin­ha pés­si­mos hábitos”. 

Mas, ao ler uma pub­li­cação na inter­net, de uma con­heci­da con­tan­do que esta­va com câncer de mama aos 26 anos, ela ficou assus­ta­da. “Deci­di que mar­caria alguns médi­cos. Enrolei muito e fazia o autoex­ame como for­ma de me sen­tir menos cul­pa­da, mas esse gesto fez toda a difer­ença na min­ha vida.”

Um dia ela sen­tiu um nódu­lo. “Na mes­ma hora acen­deu o aler­ta. Pro­curei um mas­tol­o­gista que, na avali­ação, por eu ser jovem e sem históri­co famil­iar, não se pre­ocupou tan­to com o caso, mas lev­ou em con­sid­er­ação a min­ha angús­tia e pediu uma bióp­sia. Foi assim que desco­bri um câncer de mama aos 27 anos.”

Durante o trata­men­to de quimioter­apia, em 2016, ela decid­iu que mudaria de hábitos. “Come­cei a cam­in­har na quin­ta sessão e ter­minei a 16ª sessão com cor­ri­da de 8 quilômet­ros. Desco­bri na ativi­dade físi­ca uma maneira de me empoder­ar como paciente e de esque­cer um pouco dos prob­le­mas.”

Ela fez a mas­tec­to­mia bilat­er­al e três cirur­gias nas mamas. Tam­bém teve um tumor benig­no no ovário, que resul­tou na per­da do órgão e de uma trompa. “Tive depressão pós-trata­men­to, porque me sen­tia per­di­da e não me encaix­a­va mais na vida que eu tin­ha. Com­preen­di que o maior desafio que já enfrentei era o propósi­to da min­ha vida e, em 2018, fiz uma tran­sição de car­reira e come­cei a tra­bal­har na causa do câncer”. Hoje, aos 33 anos, ela é empreende­do­ra na causa do câncer e fun­dado­ra do Por­tal Vai por mim, que ofer­ece acol­hi­men­to e infor­mação aos pacientes de câncer.

Roberta Baraçal Peres teve a filha Helena após ter se curado de um câncer de mama.
Repro­dução: Rober­ta Baraçal Peres teve a fil­ha Hele­na após ter se cura­do de um câncer de mama. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Rober­ta con­ta que, como não que­ria ter fil­hos, optou por não con­ge­lar óvu­los. Além dis­so, e por con­ta do trata­men­to e com os prob­le­mas ginecológi­cos, os médi­cos a aler­taram, em 2020, que ela não teria condições de engravi­dar. “Não sei se me impres­sionei com a notí­cia, mas son­hei que tin­ha uma fil­ha chama­da Hele­na. Três meses depois desse son­ho, ten­tan­do evi­tar uma gravidez, engravidei de for­ma nat­ur­al. Opta­mos por desco­brir o sexo ape­nas no par­to, e no dia 12 de setem­bro de 2021 meu son­ho virou real­i­dade e dei à luz a min­ha sor­ri­dente Hele­na.”

Sintomas

O nódu­lo, como o que a Rober­ta encon­trou no autoex­ame, é um dos sin­tomas do câncer de mama. Qual­quer alter­ação nota­da na pal­pação ou autoex­ame das mamas como nódu­los e áreas endure­ci­das são sinais que devem ser inves­ti­ga­dos. Out­ros sin­tomas são: alter­ações no for­ma­to da mama como abaula­men­tos, inver­são do mami­lo e retração de pele. Saí­da de secreção trans­par­ente ou com sangue pelo mami­lo, já as secreções amare­ladas, esverdeadas ou amar­ronzadas ten­dem a ser benig­nas.

Segun­do o Insti­tu­to Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é uma doença cau­sa­da pela mul­ti­pli­cação des­or­de­na­da de célu­las anor­mais da mama, que for­ma um tumor com poten­cial de invadir out­ros órgãos.

Há vários tipos de câncer de mama. Enquan­to alguns tipos têm desen­volvi­men­to rápi­do, out­ros crescem lenta­mente. O câncer de mama apre­sen­ta vários está­gios da doença, que vari­am des­de tumor ini­cial microscópi­co, tumores acome­tendo toda a mama, e tumores que inva­dem out­ros órgãos, como teci­do lin­fáti­co, fíga­do, pul­mão e ossos. O câncer de mama tam­bém acomete home­ns, porém é raro, rep­re­sen­tan­do ape­nas 1% do total de casos da doença.

A maio­r­ia dos casos, quan­do trata­dos ade­quada­mente e pre­co­ce­mente, apre­sen­tam boa evolução, mas cada um deve ser avali­a­do indi­vid­ual­mente. “O trata­men­to do câncer de mama apre­sen­ta diver­sas eta­pas, o obje­ti­vo é destru­ir o tumor atu­al, evi­tar que célu­las tumorais se espal­harem para out­ros órgãos e reduzir as chances do tumor voltar no futuro. O trata­men­to ini­cia-se pela quimioter­apia ou pela cirur­gia; algu­mas caraterís­ti­cas tumorais irão guiar o mas­tol­o­gista nes­sa decisão”, expli­ca a mas­tol­o­gista e gine­col­o­gista Lau­ra Pen­tea­do, tam­bém obste­tra e dire­to­ra clíni­ca da Theia, clíni­ca cen­tra­da na saúde da ges­tante, que uti­liza tec­nolo­gia para rev­olu­cionar a saúde da mul­her.

Mamografia

A detecção pre­coce, que pode ser fei­ta por meio da mamo­grafia, é o prin­ci­pal exame para ras­trear pacientes sem sin­tomas aparentes, expli­ca a médi­ca espe­cial­ista em radi­olo­gia mamária, Maria Hele­na Lou­veira, tam­bém pro­fes­so­ra da Esco­la Brasileira de Med­i­c­i­na.

“O exame de mamo­grafia é o prin­ci­pal e o úni­co efi­caz nos ras­trea­men­tos do câncer em pacientes ass­in­tomáti­cas. Emb­o­ra ten­hamos muitos estu­dos em desen­volvi­men­to e novas tec­nolo­gias na bus­ca pelo câncer, ain­da assim, a mamo­grafia é o prin­ci­pal méto­do. Sabe­mos que existe um cer­to descon­for­to em relação à com­pressão das mamas no equipa­men­to, porém, é um descon­for­to rápi­do, que dura em torno a três segun­dos, algo bem tol­eráv­el”.

A espe­cial­ista reforça que o bene­fí­cio supera o incô­mo­do. “Mes­mo com esse incô­mo­do momen­tâ­neo, pois a mama é um órgão sen­sív­el mes­mo, o bene­fí­cio é infini­ta­mente maior ao faz­er o exame e, even­tual­mente, detec­tar um câncer e, com isso, sal­var vidas. A dica é nun­ca deixar de faz­er o exame e bus­car sem­pre a pre­venção pre­coce, pois ela sal­va”.

Quan­do diag­nos­ti­ca­do no iní­cio, a taxa de cura do câncer de mama é alta. “Se diag­nos­ti­ca­do pre­co­ce­mente, o câncer de mama apre­sen­ta uma alta taxa de cura, mais de 90% em cin­co anos”, com­ple­ta a mas­tol­o­gista Lau­ra Pen­tea­do. Ini­ci­a­do logo após o diag­nós­ti­co, o trata­men­to aumen­ta a sobre­v­i­da e as chances de cura da paciente.

A Sociedade Brasileira de Mas­tolo­gia recomen­da a mamo­grafia de ras­trea­men­to anu­al a par­tir dos 40 anos para mul­heres de risco habit­u­al e a par­tir dos 30 anos para mul­heres de alto risco. O Min­istério da Saúde recomen­da mamo­grafia de ras­trea­men­to a par­tir dos 50 anos e anu­al a par­tir dos 35 anos para mul­heres de alto risco. Mas, a mamo­grafia diag­nós­ti­ca, aque­la que é solic­i­ta­da para elu­ci­dação de alter­ações palpáveis, deve ser real­iza­da em qual­quer idade sem­pre que necessário.

Em casos especí­fi­cos, porém, o mas­tol­o­gista pode recomen­dar out­ros exam­es além da mamo­grafia. “Atual­mente, com os avanços da tec­nolo­gia, alguns cen­tros ofer­e­cem a tomoss­in­tese, um exame 3D que apre­sen­ta maior sen­si­bil­i­dade e deve ser real­iza­do em con­jun­to com a mamo­grafia — exame 2D — sem­pre que pos­sív­el. Para as mul­heres que apre­sen­tam alto risco para a doença, tam­bém real­iza-se a ressonân­cia mag­néti­ca das mamas como exame de roti­na. O ultra­ssom é indi­ca­do como ras­trea­men­to somente em alguns casos especí­fi­cos, como o de mamas muito den­sas”, com­ple­ta a mas­tol­o­gista Lau­ra Pen­tea­do.

Histórico familiar

Dois ou mais par­entes de primeiro grau (pais, irmãs ou fil­has) ou de segun­do grau (neta, avó, tia, sobrin­ha, meio-irmão) com câncer de mama e/ou de ovário já indicam alto risco para câncer de mama. Ou seja, o históri­co famil­iar é um indica­ti­vo para começar a pre­venção o quan­to antes.

É o caso da Ana Clara Vere­da, mod­e­lo e influ­en­ci­ado­ra dig­i­tal, de 30 anos. Em 2010, a mãe dela teve câncer na faixa dos 40 anos, e na mes­ma época ela havia descober­to dois nódu­los chama­dos tumor filoide. A mãe se tra­tou e ela fazia os exam­es anual­mente. “A cada ano um nódu­lo novo apare­cia, total­izan­do oito nódu­los benig­nos e dev­i­da­mente acom­pan­hados. Não quis tirar pois sem­pre tive medo de cirur­gias”.

Ana Clara Todero Vereda fala sobre a vitória sobre o câncer de mama.
Repro­dução: Ana Clara Todero Vere­da fala sobre a vitória sobre o câncer de mama. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Ape­sar da vida regra­da e de praticar esportes des­de 2019, a roti­na da mod­e­lo ficou par­al­isa­da com o iní­cio da pan­demia. “Em maio de 2020 eu havia engor­da­do 10 qui­los e resolvi voltar a min­ha roti­na de esportes e dietas. Pro­curei uma clíni­ca de med­i­c­i­na do esporte e fiz uma série de exam­es. Na hora de realizar o ultra­ssom, avi­sei ao médi­co que havia oito nódu­los que eram acom­pan­hados pela min­ha mas­tol­o­gista. E aí ele achou o nono, disse que era difer­ente dos out­ros e que era para eu acom­pan­har. Como já tin­ha o cam­in­ho das pedras, peguei o atal­ho e fui dire­to faz­er a bióp­sia”, con­ta.

“Com 28 anos fui diag­nos­ti­ca­da com car­ci­no­ma inva­si­vo do tipo não espe­cial (Lumi­nal B). Origem com­ple­ta­mente hor­mon­al pela pro­dução exac­er­ba­da de estrogênio. Desco­bri tão no iní­cio que não pre­ci­sei de quimioter­apia e nem radioter­apia. Após a cirur­gia, fui dire­to para o Tamox­ifeno, que é um trata­men­to com­ple­men­tar via oral. Graças ao diag­nós­ti­co pre­coce, as chances de cura aumen­tam até 90%! Meu nódu­lo não era palpáv­el, somente os exam­es de roti­na pode­ri­am detec­tá-lo”.

Diag­nos­ti­ca­da no primeiro ano da pan­demia, ela con­ta como foi se tratar na época. “Todo o proces­so até a cirur­gia foi muito del­i­ca­do, pois eu não pode­ria me con­t­a­m­i­nar em hipótese algu­ma dev­i­do a min­ha imu­nidade baixís­si­ma. Mas, fiz todo o proces­so, operei e dois dias depois fui pra casa”. Ana fez a ade­no­mas­tec­to­mia bilat­er­al com recon­strução ime­di­a­ta das mamas, cirur­gia para mul­heres que neces­si­tam de mas­tec­to­mia, mas que pos­suem a pele livre para a real­iza­ção de uma recon­strução mamária ime­di­a­ta.

“Mul­heres com históri­co famil­iar de câncer de mama são con­sid­er­adas pacientes de alto risco para desen­volver o tumor e por isso neces­si­tam de um acom­pan­hamen­to e de uma inves­ti­gação mais detal­ha­da. Recomen­da-se que essa mul­her real­ize ressonân­cia mag­néti­ca anu­al após os 25 anos e mamo­grafia após os 30 anos. Geral­mente, em famílias com mutações genéti­cas que favore­cem o aparec­i­men­to do câncer de mama (por exem­p­lo, mutação BRCA 1 e 2) o tumor tende a sur­gir em idade mais pre­coce do que nas ger­ações ante­ri­ores”, aler­tou a mas­tol­o­gista.

Ana Clara Todero Vereda, com o filho Marco Antônio e o marido Antônio Carlos Cirillo, após a cura de um câncer de mama.
Repro­dução: Ana Clara Todero Vere­da, com o fil­ho Mar­co Antônio e o mari­do Antônio Car­los Cir­il­lo, após a cura de um câncer de mama. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Prevenção

Para o câncer de mama existe a pre­venção primária, ou seja, reduzir os riscos de surg­i­men­to da doença, a qual está muito cor­rela­ciona­da com os fatores hor­mon­ais da mul­her. “Ter fil­hos, ama­men­tar, não usar anti­con­cep­cional hor­mon­al, não realizar ter­apia de reposição hor­mon­al são fatores pro­te­tores para as mul­heres”, expli­ca a mas­tol­o­gista. Já a pre­venção secundária são exam­es de ras­trea­men­to para detecção pre­coce da doença.

Ela expli­ca como se dá o fator pro­te­ti­vo da ama­men­tação. “Quan­do você tem fil­hos e ama­men­ta, estim­u­la o desen­volvi­men­to das glân­du­las mamárias e pela alter­ação hor­mon­al da ges­tação, o que aca­ba pro­te­gen­do a mama con­tra alter­ações celu­lares can­cerí­ge­nas”.

“Quan­to à reposição hor­mon­al na menopausa, out­ro fator que pre­dis­põe ao câncer de mama, ela acon­sel­ha a usar com mui­ta parcimô­nia. “Em alguns casos a mul­her tem mui­ta sin­toma­tolo­gia e real­mente neces­si­ta de uma reposição hor­mon­al, mas os casos tem que ser indi­vid­u­al­iza­dos, porque está cor­rela­ciona­do com o aumen­to de câncer de mama. Prin­ci­pal­mente as mul­heres que têm alto risco famil­iar para desen­volvi­men­to de câncer de mama, pre­cisa ser muito bem pon­der­a­do o uso da reposição hor­mon­al”.

Para as mul­heres que optam por não ter fil­hos, ela recomen­da a pre­venção secundária, mas aler­ta. “Realizar mamo­grafia todo ano não vai impedir que a doença apareça, mas aumen­ta a chance de detec­tar tumores em está­gios pre­co­ces, o que aumen­ta a cura”.

Hábitos saudáveis são protetores

Os hábitos saudáveis tam­bém são pro­te­tores e aux­il­iam a reduzir o risco do câncer de mama, assim como de out­ras doenças. “A inges­ta de bebi­da alcoóli­ca, o sobrepe­so e a obesi­dade, o seden­taris­mo e a exposição à radi­ação ion­izante são fatores cor­rela­ciona­dos a aumen­to de taxas da doença. Assim, reduzir a ingestão de álcool, praticar ativi­dade físi­ca e ter uma ali­men­tação saudáv­el para man­ter-se em um IMC [índice de mas­sa cor­pórea] ade­qua­do são hábitos recomen­da­dos para evi­tar a doença”.

A médi­ca expli­ca como a obesi­dade está cor­rela­ciona­da a um aumen­to do câncer de mama. “As célu­las de gor­du­ra pro­duzem estrogênio. Então a mul­her obe­sa tem mais estrogênio cir­cu­lante e a gente sabe que alguns tipos de tumores de câncer de mama se ali­men­tam dess­es hor­mônios. Então quan­to maior o nív­el, maior a pre­dis­posição aos surg­i­men­tos de câncer de mama”.

Man­ter ativi­dade físi­ca reg­u­lar e a ali­men­tação saudáv­el reduzem os riscos de aparec­i­men­to de cânceres e diminui tam­bém out­ras doenças como hiperten­são, dia­betes e tumores.

Por isso, des­de o surg­i­men­to do câncer de mama, a fisioter­apeu­ta Rober­ta Perez não se des­cuidou mais. “Emb­o­ra bio­logi­ca­mente eu este­ja cura­da, uma vez que você desco­bre a doença, nun­ca mais sua vida será igual. E quan­to mais jovem você desco­bre, mais chance você tem de desen­volver o câncer de novo. Hoje, faço acom­pan­hamen­to anu­al. Mudei pés­si­mos hábitos que tin­ha e, quan­do vou à acad­e­mia vejo como parte do trata­men­to. Quan­do me ali­men­to bem e, de for­ma saudáv­el, faz parte do meu cuida­do. Sem­pre temos uma atenção espe­cial quan­do se desco­bre uma doença como essa. Ago­ra, vou faz­er uma ren­o­vação dos meus exam­es genéti­cos, pois está muito avança­da a pesquisa genéti­ca, para ver se ten­ho algu­ma mutação e, assim aju­dar meus famil­iares de primeiro grau, mãe e irmã”.

Impacto da pandemia

Revista Brasileira de Can­cerolo­gia de jul­ho de 2022, apon­tou dados em relação à fal­ta de bus­ca das mul­heres pela mamo­grafia durante a pan­demia. O Data SUS, que é o sis­tema de infor­mação dos exam­es real­iza­dos pelo sis­tema úni­co de saúde, rev­el­ou um déficit de mais de 1,7 mil­hões de mul­heres que deixaram de faz­er o exame em 2020 com relação a 2019. Essa que­da sig­nifi­ca quase 40% no número de exam­es real­iza­dos em pacientes ass­in­tomáti­cas (mamo­grafias de ras­trea­men­to) em 2020 em com­para­ção a 2019, enquan­to, em pacientes sin­tomáti­cas, ou seja, com algu­ma queixa clíni­ca rel­a­ti­va às mamas, a redução foi em torno de 20% nesse mes­mo ano.

“Além do aumen­to na incidên­cia, é pre­ciso diz­er que o câncer de mama é uma doença evo­lu­ti­va. A fal­ta de diag­nós­ti­co e de trata­men­to pre­coce reflete em menores chances de cura e em trata­men­to mais com­plexo e agres­si­vo. E aque­le grupo de mul­heres que apre­sen­tou sin­tomas sus­peitos de câncer mamário durante a pan­demia, e que tiver­am seu atendi­men­to e diag­nós­ti­co atrasa­dos, provavel­mente sofr­eram com o avanço da doença, que pode ter alter­ado seu esta­di­a­men­to) proces­so para deter­mi­nar a local­iza­ção e a exten­são do câncer pre­sente no cor­po de uma pes­soa) e, even­tual­mente, tam­bém sua expec­ta­ti­va de vida”, lamen­ta a espe­cial­ista em radi­olo­gia mamária Maria Hele­na Lou­veira.

Conselhos

A mod­e­lo Ana Clara ain­da dá o seu con­sel­ho para as mul­heres jovens. “Mul­heres, se toquem! Con­heçam seu próprio cor­po. Não ten­ham medo de inves­ti­gar algo inco­mum por con­ta do resul­ta­do. Sua vida, sua saúde estão a um toque de dis­tân­cia! O diag­nós­ti­co pre­coce aumen­ta em 90% das chances de cura! Idade não é regra e autocuida­do nun­ca sai de moda”.

A fisioter­apeu­ta Rober­ta Perez tam­bém tem seu con­sel­ho. “Quan­to mais jovem, temos em nos­so sub­con­sciente que vamos mor­rer vel­hin­hos, e isso dá uma margem para cer­tas pri­or­i­dades, como colo­car tra­bal­ho na frente de saúde, laz­er na frente de autocuida­do, e isso não pode. Aos 27 anos, era muito imatu­ra, worka­holic [alguém que tra­bal­ha muito], e sei que, parte do meu câncer ter sido diag­nos­ti­ca­do em fase avança­da se deve a isso. Esta­va há qua­tro anos sem ir ao médi­co e acabei neg­li­gen­cian­do meu cuida­do. Mul­heres, a dica que dou, eu que pas­sei por isso é, reve­jam suas pri­or­i­dades, olhem com car­in­ho para você emo­cional­mente e fisi­ca­mente. Olhar para a fini­tude pode levar à reflexão de como esta­mos vive­mos e sem­pre é hora de mudar”.

Para a espe­cial­ista em radi­olo­gia mamária, Maria Hele­na Lou­veira, as cam­pan­has de con­sci­en­ti­za­ção, como as rela­cionadas ao Out­ubro Rosa, têm con­tribuí­do de for­ma sig­ni­fica­ti­va para difundir infor­mações ver­dadeiras acer­ca do câncer de mama, e têm influ­en­ci­a­do pos­i­ti­va­mente as mul­heres na bus­ca do exam­es de mamo­grafia.

“Temos que incen­ti­var a bus­ca pelos exam­es de detecção, mas, antes dis­so, for­t­ale­cer os vín­cu­los entre as mul­heres, para que olhem para suas com­pan­heiras  — tias, mães, irmãs que estão desas­sis­ti­das — e insis­tam para que falem o que sen­tem, se percebem algo sus­peito em suas mamas, algum nódu­lo palpáv­el que pas­sou des­perce­bido, para que procu­rarem o atendi­men­to médi­co o quan­to antes”, acon­sel­ha.

Alto risco para câncer de mama

- Dois ou mais par­entes de primeiro grau (pais, irmãs ou fil­has) ou de segun­do grau (neta, avó, tia, sobrin­ha, meio-irmão) com câncer de mama e/ou de ovário;

- Câncer de mama antes dos 50 anos (pré-menopausa) em um par­ente de primeiro grau;

- História famil­iar de câncer de mama e de ovário;

- Um ou mais par­entes com dois tumores (de mama e de ovário ou dois tumores mamários inde­pen­dentes);

- Par­entes do sexo mas­culi­no com câncer de mama.

Edição: Maria Clau­dia

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