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Participação feminina ainda é desigual no mercado musical

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil

Relatório é divulgado pelo Ecad no Dia Internacional da Mulher


Pub­li­ca­do em 08/03/2022 — 08:30 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

A par­tic­i­pação fem­i­ni­na no mer­ca­do musi­cal, em relação ao número de tit­u­lares de músi­ca ben­e­fi­ci­a­dos com dire­itos autorais, apre­sen­tou aumen­to dis­cre­to, mas impor­tante, de 5% em 2021. Do total de val­ores dis­tribuí­dos no ano pas­sa­do a 267 mil com­pos­i­tores, artis­tas, demais tit­u­lares e asso­ci­ações, de R$ 901 mil­hões, as mul­heres rece­ber­am cer­ca de 7%, resul­ta­do equiv­a­lente ao de 2020. Os dados estão no segun­do relatório “O que o Brasil ouve – Edição Mul­heres na Músi­ca”, divul­ga­do pelo Escritório Cen­tral de Arrecadação e Dis­tribuição (Ecad) por ocasião do Dia Inter­na­cional da Mul­her, comem­o­ra­do hoje (8),

Foram ben­e­fi­ci­adas quase 23 mil artis­tas do sexo fem­i­ni­no, rep­re­sen­tan­do cer­ca de 10% do total de tit­u­lares pes­soa físi­ca con­tem­pla­dos com dire­itos autorais em 2021. Foram 66% de autoras, 29% de intér­pretes e 5% das demais cat­e­go­rias, como musicis­tas e pro­du­toras fono­grá­fi­cas. Quan­to à nacional­i­dade, o relatório infor­ma que 67% são brasileiras e 33% são estrangeiras.

Os tit­u­lares de músi­ca são os com­pos­i­tores, intér­pretes, músi­cos, edi­tores e pro­du­tores fono­grá­fi­cos fil­i­a­dos em uma das sete asso­ci­ações de músi­ca que admin­is­tram o Ecad, a Asso­ci­ação de Músi­cos Arran­jadores e Regentes (Amar), a Asso­ci­ação de Intér­pretes e Músi­cos (Assim), a Sociedade Brasileira de Autores, Com­pos­i­tores e Escritores de Músi­ca (Sbacem), a Sociedade Inde­pen­dente de Com­pos­i­tores e Autores Musi­cais (Sicam), a Sociedade Brasileira de Admin­is­tração e Pro­teção de Dire­itos Int­elec­tu­ais (Socin­pro) e a União Brasileira de Com­pos­i­tores (UBC).

Apoio

O estu­do visa a apoiar a atu­ação das mul­heres na cadeia pro­du­ti­va da músi­ca para que alcancem seus espaços. A super­in­ten­dente exec­u­ti­va do Ecad, Isabel Amor­im, acred­i­ta que lev­an­ta­men­tos como esse sobre as mul­heres na músi­ca podem aju­dar não só a mostrar a par­tic­i­pação fem­i­ni­na no setor, mas tam­bém a apoiar e estim­u­lar o seu cresci­men­to. “Os dados indicam lon­go cam­in­ho a ser per­cor­ri­do em favor de total igual­dade de gênero nesse mer­ca­do, mas é fun­da­men­tal ter um estu­do que apre­sente a relevân­cia e a par­tic­i­pação da mul­her. É impor­tante levar­mos em con­sid­er­ação que o ecos­sis­tema da músi­ca não é for­ma­do ape­nas por intér­pretes e com­pos­i­toras, mas tam­bém por pro­du­toras e musicis­tas”, afir­mou Isabel.

Tam­bém no rank­ing dos 100 autores com maior rendi­men­to, con­sideran­do todos os seg­men­tos de exe­cução públi­ca, a pre­sença fem­i­ni­na cresceu de 2% para 4%, emb­o­ra os home­ns con­sti­tu­am a grande maio­r­ia. A super­in­ten­dente exec­u­ti­va do Ecad admi­tiu que mes­mo com os avanços, a média de ape­nas qua­tro mul­heres entre os 100 autores com maior rendi­men­to nos últi­mos cin­co anos deixa claro que o cenário ain­da está longe da igual­dade. Em 2018, a par­tic­i­pação fem­i­ni­na no rank­ing dos 100 autores com maior rendi­men­to alcançou 6%.

A com­pos­i­to­ra e pianista Chiquin­ha Gon­za­ga foi uma das pio­neiras, no Brasil, na defe­sa dos dire­itos autorais na vira­da do sécu­lo 20 e abriu cam­in­ho para as mul­heres nos setores de músi­ca e teatro. Em 2021, as mul­heres tiver­am a maior parte de seus rendi­men­tos prove­niente dos seg­men­tos de rádio, TV aber­ta e sonoriza­ção ambi­en­tal, que somaram quase 60% de todos os val­ores pagos a elas, com con­tribuições de 30,9%, 16,3% e 12,7%, respec­ti­va­mente.

Banco de dados

Até o fim do ano pas­sa­do, o ban­co de dados da gestão cole­ti­va tin­ha cer­ca de 4 mil­hões de tit­u­lares fil­i­a­dos ativos, cadastra­dos como pes­soa físi­ca, sendo 11% do gênero fem­i­ni­no. Um por cen­to de novas artis­tas foi cadastra­do em 2021. Do total de quase 390 mil tit­u­lares mul­heres, cer­ca de 95% estão fil­i­adas a uma das asso­ci­ações de músi­ca como autoras: 8% são brasileiras e 92% estrangeiras, em função dos con­tratos de rep­re­sen­tação fir­ma­dos entre as asso­ci­ações nacionais e sociedades con­gêneres em todo o mun­do, infor­mou o Ecad.

Por cat­e­go­ria, o per­centu­al de mul­heres cadastradas no ban­co de dados é de 94,7% autoras, 11,3% intér­pretes, 9,7% musicis­tas exe­cu­tantes e 3,1% pro­du­toras fono­grá­fi­cas. Isabel Amor­im avaliou que o cenário ain­da é desafi­ador para as mul­heres na músi­ca. “E o cam­in­ho ain­da é lon­go para poder­mos falar de igual­dade entre home­ns e mul­heres neste mer­ca­do e em tan­tos out­ros. O cenário de pan­demia vivi­do trouxe desafios novos para as mul­heres, que muitas vezes têm jor­nadas duplas e triplas. O fato de elas per­si­s­tirem na músi­ca, man­ten­do uma par­tic­i­pação ati­va em com­para­ção com 2020, mostra que a ban­deira foi fin­ca­da e o espaço está con­quis­ta­do, mas ago­ra é pre­ciso cri­ar condições para aumen­tar essa pre­sença.”

Desigualdade

Do mes­mo modo, a edição 2022 do estu­do “Por Elas Que Fazem a Músi­ca”, da União Brasileira de Com­pos­i­tores (UBC), con­fir­ma que a desigual­dade con­tin­ua grande entre home­ns e mul­heres na indús­tria fono­grá­fi­ca. Nes­ta quin­ta edição, o estu­do, tam­bém divul­ga­do no Dia Inter­na­cional da Mul­her (8), mostra que no ano pas­sa­do, do total dis­tribuí­do em dire­itos autorais, o val­or des­ti­na­do às mul­heres con­tin­u­ou estag­na­do em 9%, dos quais 67% se des­ti­naram a autoras, 26% a intér­pretes, 5% a músi­cas exe­cu­tantes e 1% a pro­du­toras fono­grá­fi­cas. Con­sideran­do os rendi­men­tos proce­dentes do exte­ri­or, entre os 100 maiores arrecadadores de dire­itos autorais, ape­nas 13 são mul­heres. A UBC não infor­mou, entre­tan­to, o val­or dis­tribuí­do em dire­itos autorais, porque a políti­ca da enti­dade não per­mite divul­gar o val­or anu­al de arrecadação.

Em relação ao ano ante­ri­or, a par­tic­i­pação fem­i­ni­na na quan­ti­dade de obras e fono­gra­mas cadastra­dos cresceu em qua­tro cat­e­go­rias, com expan­são de 13% no número de autoras e ver­sion­istas, de 10% no número de intér­pretes, 9% de músi­cas exe­cu­tantes e de 22% de pro­du­toras fono­grá­fi­cas. A UBC responde pela dis­tribuição de quase 60% dos dire­itos autorais de exe­cução públi­ca musi­cal no país e mostra, em relatório, que entre artis­tas mul­heres a maior con­cen­tração está no Sud­este, com 63%, enquan­to a Região Norte reúne ape­nas 2%. Rep­re­sen­tan­do mais de 48 mil artis­tas, a enti­dade ver­i­fi­cou que, em 2021, dobrou o número de asso­ci­adas em relação ao primeiro lev­an­ta­men­to, feito em 2018. Ago­ra, elas rep­re­sen­tam 16% do quadro ger­al. No ano pas­sa­do, dos quase 8 mil novos asso­ci­a­dos, 18% foram mul­heres.

De 2020 para 2021, o per­centu­al de mul­heres asso­ci­adas na faixa de 18 a 30 anos, soman­do 30% do total, ultra­pas­sou pela primeira vez o per­centu­al da faixa de 31 a 40 anos (29%) que, des­de o iní­cio da pesquisa, era pre­dom­i­nante no quadro de asso­ci­adas. Segun­do a UBC, os tradi­cionais meios de rádio e TV aber­ta con­tin­u­am sendo as maiores fontes de dis­tribuição de dire­itos autorais para as mul­heres, com 25% e 20% de par­tic­i­pação respec­ti­va­mente, mostra o estu­do.

Debate

A coor­de­nado­ra de Comu­ni­cação da UBC, Mila Ven­tu­ra, desta­cou a neces­si­dade de debate e urgên­cia com vis­tas a uma par­tic­i­pação maior das mul­heres na indús­tria. “Mes­mo com a pan­demia, o aumen­to sig­ni­fica­ti­vo do número total de asso­ci­adas demon­stra que ape­sar de todos os desafios, as mul­heres per­sis­tem e, pouco a pouco, vêm ocu­pan­do seus espaços, um reflexo dire­to da sociedade. Além de aumen­tar­mos o debate sobre os espaços ocu­pa­dos pela mul­her no cenário musi­cal, este ano apre­sen­ta­mos tam­bém dados inter­nos, provan­do que nos­so com­pro­mis­so com a mudança começa de den­tro para fora. O quadro de fun­cionários da UBC é com­pos­to por 58% de mul­heres e, dessas, 12 ocu­pam car­gos de lid­er­ança, incluin­do as gerên­cias de todas as fil­i­ais”, infor­mou.

Edição: Graça Adju­to

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