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Pessoas com asma devem redobrar cuidados no outono e no inverno

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Brasil registra mais de 20 milhões de pessoas com asma


Pub­li­ca­do em 21/05/2022 — 12:14 Por Flávia Albu­querque — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Pelo menos 300 mil­hões de pes­soas no mun­do são asmáti­cas e no Brasil esse número chega a mais de 20 mil­hões. No Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS), a doença oscila entre a ter­ceira e quar­ta posição no rank­ing das causas de hos­pi­tal­iza­ções, sendo os meses de abril a jul­ho os que reg­is­tram os maiores números de inter­nação por asma, de acor­do com a Sociedade Brasileira de Pneu­molo­gia e Tisi­olo­gia.

Com a chega­da do frio, o Insti­tu­to do Coração do Hos­pi­tal das Clíni­cas da FMUSP (InCor) aler­ta para a neces­si­dade de redo­brar os cuida­dos, já que as vari­ações de tem­po seco, típi­cas do out­ono e do inver­no, são propí­cias para o aumen­to de casos.

Segun­do o InCor, a con­junção entre poluição, ausên­cia de chu­va e tem­po frio leva muitos asmáti­cos aos serviços de emergên­cia com crises pre­ocu­pantes, mas que podem ser evi­tadas. A recomen­dação bási­ca é man­ter a doença trata­da o ano todo, para chegar ao out­ono em boa condição de saúde.

Foi o que Michele Bene­v­ides, 36 anos, diag­nos­ti­ca­da com asma grave aos 20 anos, começou a faz­er, depois de já ter pas­sa­do por mais de 30 inter­nações por con­ta de crises da doença. Ela teve uma para­da cardía­ca, um choque anafiláti­co e foi parar na Unidade de Ter­apia Inten­si­va (UTI). Por con­ta dis­so, pas­sou a ter mais atenção com a saúde para enfrentar o tem­po frio e isso foi deci­si­vo para mudar sua vida.

“A sazon­al­i­dade do out­ono e inver­no é sem­pre muito difí­cil para quem tem asma. É o momen­to onde as crises mais apare­cem. Então eu bus­co sem­pre evi­tar friagem e fal­ta de pro­teção tér­mi­ca. Ten­ho um gan­ho muito grande sendo acom­pan­ha­da por um médi­co e toman­do a med­icação cor­re­ta, tem sido essen­cial para que eu não evolua no meu quadro nes­ta época do ano. Tudo isso tam­bém evi­tou que eu tivesse novas inter­nações e até mes­mo con­sul­tas no pron­to atendi­men­to”, disse.

A asma é a infla­mação dos brôn­quios, peque­nas estru­turas respon­sáveis pela tro­ca de ar den­tro dos pul­mões. O proces­so infla­matório causa inchaço das vias áreas e pro­dução de muco que, iso­lada­mente ou com­bi­na­dos, podem levar à fal­ta de ar de grau leve a extremo. Os sin­tomas mais comuns são tosse, chi­a­do, aper­to no peito e difi­cul­dades res­pi­ratórias. A doença atinge cri­anças, jovens e adul­tos.

De acor­do com o dire­tor do Ambu­latório de Asma do InCor, o pneu­mol­o­gista Rafael Stel­mach, baixas tem­per­at­uras e umi­dade, agentes alergêni­cos como mate­r­i­al par­tic­u­la­do no ar, fun­gos e ácaros, e infecções típi­cas da estação, entre elas, gripe e res­fri­a­do, são os fatores ambi­en­tais que podem causar as crises de asma. Sem o trata­men­to ade­qua­do e uma ter­apia com medica­men­tos, no caso do aumen­to dos sin­tomas, a infla­mação pode pro­gredir para a obstrução das vias aéreas e para a neces­si­dade de inter­nação.

“Pes­soas que já têm a doença pre­cisam estar pre­venidas para pas­sar por esse perío­do do ano. Caso isso não acon­teça, pode haver agrava­men­to e descon­t­role da doença e assim difi­cul­tar a recu­per­ação durante e depois das crises. Pacientes que moram em grandes cen­tros urbanos cos­tu­mam ser mais atingi­dos por con­ta da poluição. As regiões Sud­este e Sul do país são as mais afe­tadas. O Sul, prin­ci­pal­mente, dev­i­do às tem­per­at­uras extrema­mente baixas nos perío­dos mais frios do ano”, afir­mou.

Stel­mach recomen­dou ain­da que a pes­soa com asma evite fumar, já que esse hábito provo­ca o agrava­men­to da doença. Ele aler­ta que tan­to o cig­a­r­ro eletrôni­co quan­to a macon­ha são nocivos para os asmáti­cos, que devem inclu­sive evi­tar o fumo pas­si­vo (quan­do o indi­ví­duo con­vive ou fica per­to de alguém que fuma). É necessário ain­da evi­tar o con­ta­to com obje­tos e ambi­entes que ten­ham fun­gos e ácaro.

A ori­en­tação do médi­co é que as roupas de uso pes­soal e de cama, incluin­do cober­tores, edredom e trav­es­seiros, que este­jam guardadas há muito tem­po, sejam higi­en­izadas antes de serem usadas. Ele desta­cou ain­da que é pre­ciso ter cuida­do com os ani­mais de esti­mação, evi­tan­do que eles entrem no quar­to de dormir, porque os pets são alergêni­cos para quem é asmáti­co.

“Depois de lavadas e pas­sadas a fer­ro, enquan­to não forem nova­mente usadas, essas roupas devem ser guardadas, de prefer­ên­cia, em sacos plás­ti­cos, para pro­tegê-las do con­ta­to com ess­es agentes alergêni­cos. Casa em que con­vivem pes­soas com asma tem que ter trav­es­seiros, colchões, tapetes e corti­nas con­stan­te­mente higi­en­iza­dos, e os ambi­entes are­ja­dos para evi­tar poeira e mofo”, disse o médi­co.

Stel­mach desta­cou ain­da a importân­cia de as pes­soas com a doença tomarem a vaci­na con­tra a Influen­za todos os anos, já que o imu­nizante é uma arma impor­tante no con­t­role e na pre­venção de quadros graves da asma, porque a gripe é um gatil­ho para as crises.

Edição: Lílian Beral­do

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