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Consciência Negra: ato na Avenida Paulista reúne militância e cultura

Mnifestação contou com apoio de partidos e sindicatos

Guil­herme Jerony­mo — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 20/11/2025 — 17:14
São Paulo
São Paulo (SP), 20/11/2025 - XXII Marcha da Consciência Negra na avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Cen­te­nas de pes­soas par­tic­i­param, na man­hã des­ta quin­ta-feira (20), na região cen­tral de São Paulo, da 22ª edição da Mar­cha da Con­sciên­cia Negra — Zumbi e Dan­dara 300+ 30. 

O ato orga­ni­za­do pelo Movi­men­to Negro Unifi­ca­do (MNU) e pela União de Negras e Negros pela Igual­dade (Une­gro) reuniu cen­te­nas de pes­soas na Aveni­da Paulista para lem­brar a importân­cia de Pal­mares e seus líderes e a “rep­re­sen­tação dos negros nas insti­tu­ições com poder de decisão na sociedade”.

A man­i­fes­tação teve de dança e músi­ca de reli­giosi­dade afro-brasileira, com shows cur­tos de esti­los musi­cais diver­sos, incluin­do rit­mos como reg­gae, MPB e Black Music. Entre as apre­sen­tações, ocor­reram dis­cur­sos cur­tos e obje­tivos, foca­dos na importân­cia da mobi­liza­ção em torno de pau­tas comuns.

O pro­fes­sor Ail­ton San­tos, um dos orga­ni­zadores do even­to, afir­mou à Agên­cia Brasil, que o momen­to é “jus­ta­mente de faz­er com que a sociedade brasileira, que se diz democráti­ca, de fato faça incluir aque­les que, há muitos anos, his­tori­ca­mente con­tin­u­am à margem da sociedade.

São Paulo (SP), 20/11/2025 - XXII Marcha da Consciência Negra na avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: XXII Mar­cha da Con­sciên­cia Negra na aveni­da Paulista. Foto — Rove­na Rosa/Agência Brasil
“Diari­a­mente, o povo negro sofre em função de várias vio­lên­cias. Nor­mal­mente falam­os da morte mata­da, mas esse é o últi­mo está­gio, porque até ela chegar, pas­samos diari­a­mente por out­ras, que envolvem mobil­i­dade, segu­rança, saúde e edu­cação.”

 

Para o pro­fes­sor, é necessário que o gov­er­no recon­heça que uma pop­u­lação, his­tori­ca­mente, está sendo colo­ca­da de lado.

“Então, a nos­sa ban­deira é não mor­re­mos, e faz­er com que o pro­je­to que envolve a reparação, que hoje está na casa dos 20 mil­hões, seja aprova­do para todos os negros e negras do Brasil”, con­cluiu.

Cuidado, não corre na rua

Ana Paula Félix, 56 anos, é copeira e acom­pan­hou a mar­cha na tarde des­ta quin­ta-feira. Ela con­sid­era que é impor­tante apoiar as man­i­fes­tações, apoiar aque­les que sofrem pre­con­ceito e  desval­oriza­ção por causa da cor. Com três fil­hos cri­a­dos, de idades entre 34 e 30 anos, ela se diz orgul­hosa por todos terem cur­sa­do uni­ver­si­dades públi­cas, o que foi pos­sív­el por meio de  políti­cas de apoio. Mas ela ain­da recla­ma que out­ras situ­ações, “que ain­da não mel­ho­raram”.

“Você sabe que per­ife­ria ain­da é o pior lugar para os negros morarem, porque é o lugar que a polí­cia não respei­ta. E nos­sos fil­hos é que pagam esse preço. Então a gente tem que estar sem­pre falan­do aos nos­sos fil­hos: — Cuida­do, não corre na rua, anda sem­pre com doc­u­men­to, põe sem­pre a camisa, este­ja sem­pre com o cabe­lo cor­ta­do, bar­ba fei­ta. Porque são os negros que mais mor­rem.”

Pautas e reivindicações

São Paulo (SP), 20/11/2025 - XXII Marcha da Consciência Negra na avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: Públi­co na 22ª Mar­cha da Con­sciên­cia Negra, na Aveni­da Paulista . Foto: Rove­na Rosa/Agência Brasil

O grupo seguiu em cam­in­ha­da até o Masp —  Museu de Arte de São Paulo — onde foram sug­eri­das pau­tas, reivin­di­cações e a pos­si­bil­i­dade de par­tic­i­pação em movi­men­tos. Gio­vana San­tos, 31 anos, que esta­va pas­san­do pela via, parou para escu­tar e acom­pan­har os temas. “É impor­tante acom­pan­har as políti­cas públi­cas que estão real­mente ati­vas, sabe? Eu acho inter­es­sante, eu gos­to de me infor­mar”, disse a jovem, que tra­bal­ha como aten­dente de tele­mar­ket­ing. Para ela, a vio­lên­cia, inclu­sive poli­cial, é um dos pon­tos para o qual tem mais atenção.

“Temos vis­to a polí­cia, que dev­e­ria sem­pre nos pro­te­ger, nos atacar. É muito impor­tante a pop­u­lação saber dis­so, e é muito bom saber que os movi­men­tos tem se orga­ni­za­do para reivin­dicar,  emb­o­ra anin­da pareça um son­ho, a gente sen­tar e con­ver­sar e ten­tar se enten­der”, afir­mou.

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