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Alerj propõe ações para combater violência nas escolas

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Acompanhamento psicossocial foi uma das propostas na audiência pública


Pub­li­ca­do em 11/05/2023 — 08:40 Por Dou­glas Cor­rêa – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Para dis­cu­tir o prob­le­ma da vio­lên­cia nas esco­las públi­cas, a Assem­bleia Leg­isla­ti­va do Rio de Janeiro (Alerj), real­i­zou audiên­cia públi­ca, com o tema Vio­lên­cia na esco­la e con­tra a esco­la. O encon­tro reuniu cen­te­nas de pes­soas, entre espe­cial­is­tas em Edu­cação, Saúde Públi­ca e Assistên­cia Social, alunos e pais de estu­dantes.

Um grupo de mais de 100 pesquisadores de uni­ver­si­dades e insti­tu­tos de vários esta­dos divul­gou um doc­u­men­to pro­pon­do um con­jun­to de ações para com­bat­er a vio­lên­cia estru­tur­al nas esco­las. Entre elas: con­t­role de posse e cir­cu­lação de armas, enfrenta­men­to ao bul­ly­ing, ações de medi­ação de con­fli­tos, ativi­dades con­tin­u­adas de cul­tura, laz­er e val­oriza­ção dos jovens e políti­ca edu­ca­cional basea­da no respeito à diver­si­dade.

“Há inúmeras ini­cia­ti­vas já real­izadas e avali­adas nesse sen­ti­do (respeito à diver­si­dade) que real­mente fazem a difer­ença no cotid­i­ano esco­lar”, avaliou Sue­ly Fer­reira Des­lan­des, cien­tista social e mestre em Saúde Públi­ca do Insti­tu­to Nacional da Mul­her, da Cri­ança e do Ado­les­cente Fer­nan­des Figueira (IFF/Fiocruz), que tam­bém assi­na o doc­u­men­to.

A dep­uta­da Car­la Macha­do (PT) voltou a defend­er mais inves­ti­men­tos do esta­do no acom­pan­hamen­to psi­cos­so­cial dos estu­dantes e falou do seu pro­je­to de lei para cri­ação do Con­sel­ho Estad­ual de Segu­rança Esco­lar, volta­do à pre­venção de todas as for­mas de vio­lên­cia no ambi­ente esco­lar.

“O prob­le­ma não está só no cam­po edu­ca­cional. Pre­cisamos bus­car saí­das pací­fi­cas para esse prob­le­ma tão com­plexo em sua origem, por meio de políti­cas públi­cas que busquem soluções efe­ti­vas. É pre­ciso uma união de esforços para pro­te­ger a cri­ança e o ado­les­cente”, disse.

O dep­uta­do Munir Neto (PSD), pres­i­dente da Comis­são de Assun­tos da Cri­ança, do Ado­les­cente e do Idoso da Alerj disse que encam­in­hará o doc­u­men­to ao gov­er­nador Cláu­dio Cas­tro e à secretária de Edu­cação, Rober­ta Bar­reto. “Um ataque a uma esco­la não é um fato iso­la­do. É parte de um ecos­sis­tema clara­mente fal­ho. E cuidar da cri­ança e do ado­les­cente é um dev­er de toda a sociedade”.

Mediação de conflitos

A psicólo­ga Nau­ra dos San­tos Amer­i­cano, da Sociedade de Medi­ação de Con­fli­tos (Somec- RJ), con­tou sua exper­iên­cia como medi­ado­ra de con­fli­tos pelo Tri­bunal de Justiça do Esta­do do Rio de Janeiro (TJRJ). Até 2018, como parte de um con­vênio com o gov­er­no do Esta­do, ela e out­ro profis­sion­al do TJ capac­i­taram mais de 300 pro­fes­sores para realizar a medi­ação de con­fli­tos em esco­las estad­u­ais.

A exper­iên­cia, segun­do Nau­ra, pode­ria ser repli­ca­da no atu­al con­tex­to, como medi­da pre­ven­ti­va. “Os con­fli­tos eclo­dem em con­du­tas vio­len­tas. Na medi­ação, difer­entes vozes são ouvi­das e abri­mos espaços de fala e escu­ta a alunos e pro­fes­sores. Não é algo mági­co, requer con­tinuidade e ação per­ma­nente para que eles pos­sam se sen­tir per­ten­centes àquele espaço”, expli­cou.

Pai da jovem Laris­sa Atanázio, de 13 anos, uma das 12 víti­mas do mas­sacre na Esco­la Tas­so da Sil­veira, em Realen­go, zona oeste do Rio, em 2011, Rob­son Atanázio cobrou mais pro­fes­sores con­cur­sa­dos, psicól­o­gos e inspetores nas esco­las, além da insta­lação de detec­tores de metais.

“Tem que ter psicól­o­go na esco­la para iden­ti­ficar os prob­le­mas das cri­anças e chamar os pais para con­ver­sar. Se tiv­er algum prob­le­ma famil­iar mais sério, pre­cisa levar para tratar na clíni­ca da família”.

Problemas mentais

O dire­tor do Sindi­ca­to Estad­ual dos Profis­sion­ais de Edu­cação, (Sepe-RJ), Dio­go Andrade, apre­sen­tou um cenário da saúde men­tal dos profis­sion­ais de edu­cação, agrava­do pela vio­lên­cia impos­ta em oper­ações poli­ci­ais em comu­nidades. Segun­do ele, de cada três afas­ta­men­tos por doença, um está rela­ciona­do à Psiquia­tria, o que apon­ta a neces­si­dade urgente de se imple­men­tar um con­jun­to de ações que mel­horem as condições de tra­bal­ho.

Segun­do Andrade, existe um déficit de 2 mil profis­sion­ais de edu­cação hoje no esta­do, inclu­sive de medi­adores para acom­pan­har estu­dantes com defi­ciên­cias e transtornos. “O piso da Edu­cação no Esta­do do Rio é o pior do país. No Acre é mel­hor. Aqui tem tra­bal­hador receben­do menos de um salário-mín­i­mo”, denun­ciou, afir­man­do que nes­ta quin­ta-feira (11) a cat­e­go­ria decide se entra em greve no esta­do.

Edição: Denise Griesinger

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