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Brasil não adotará horário de verão neste ano

Para o ministro Minas e Energia, decisão poderá ser revista em 2025

Alex Rodrigues – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 16/10/2024 — 15:15
Brasília
Este ano o horário de verão, que começa à meia-noite de sábado (18), será estendido em uma semana, por causa do carnaval, vai até 22 de fevereiro de 2015 (José Cruz/Agência Brasil)
Repro­dução: © José Cruz/Agência Brasil
Brasìlia (DF), 16/10/2024 - Ministro Alexandre Silveira (Minas Energia), durante entrevista para falar sobre os apagões em São Paulo e a volta ou não do horário de verãoFoto:Wilson Dias/Agência Brasil
Repro­dução: Min­istro Alexan­dre Sil­veira, Brasil não ado­tará horário de verão neste ano Foto: Wil­son Dias/Agência Brasil

O gov­er­no fed­er­al descar­tou a pos­si­bil­i­dade de insti­tuir o horário de verão este ano. A decisão foi anun­ci­a­da hoje (16), pelo min­istro de Minas e Ener­gia, Alexan­dre Sil­veira, horas após se reunir com rep­re­sen­tantes do Oper­ador Nacional do Sis­tema  Elétri­co (ONS).

“Cheg­amos à con­clusão de que não há neces­si­dade de dec­re­tação do horário de verão para este perío­do, para este verão”, declar­ou Sil­veira, durante cole­ti­va de impren­sa na sede do min­istério, em Brasília.

“Temos a segu­rança energéti­ca asse­gu­ra­da. É o iní­cio de um proces­so de resta­b­elec­i­men­to da nos­sa condição hídri­ca ain­da muito modesto, mas temos condições de chegar, depois do verão, em condição de avaliar a vol­ta des­ta políti­ca [para o verão de 2025/2026]”, acres­cen­tou o min­istro, defend­en­do a eficá­cia da medi­da em deter­mi­nadas cir­cun­stân­cias.

“É impor­tante que esta políti­ca seja sem­pre con­sid­er­a­da. [O horário de verão] não pode ser fru­to de uma avali­ação ape­nas dog­máti­ca ou de cun­ho políti­co, pois tem reflex­os tan­to pos­i­tivos, quan­to neg­a­tivos, no setor elétri­co, quan­to na econo­mia [em ger­al], deven­do estar sem­pre na mesa”, dis­cor­reu o min­istro ao destacar que a ini­cia­ti­va é ado­ta­da por vários out­ros país­es, em uns, ape­nas com o condão energéti­co, mas, em out­ros, um caráter quase que exclu­si­va­mente econômi­co.

“País­es que têm matrizes de ener­gia nuclear, como, por exem­p­lo, a França, ado­tam o horário de verão muito mais por uma questão econômi­ca, de impul­sion­ar a econo­mia em cer­tos perío­dos do ano, do que pela segu­rança energéti­ca”, comen­tou o min­istro.

“O pico do cus­to-bene­fí­cio do horário de verão é nos meses de out­ubro e novem­bro, até mea­d­os de dezem­bro. Se nos­sa posição fos­se dec­re­tar o horário de verão ago­ra, usufruiríamos muito pouco deste pico. Porque teríamos que faz­er um plane­ja­men­to mín­i­mo para os setores poderem se adap­tar. Con­seguiríamos entrar com isso só em mea­d­os de novem­bro e o cus­to-bene­fí­cio seria muito pequeno”, acres­cen­tou o min­istro.

No Brasil, o horário de verão foi insti­tuí­do pela primeira vez em 1931. Seguiu sendo ado­ta­do de for­ma irreg­u­lar até 1985, quan­do pas­sou a ser imple­men­ta­do sis­tem­ati­ca­mente, com a jus­ti­fica­ti­va de con­tribuir para a redução do con­sumo de ener­gia elétri­ca e ben­e­fi­ciar setores de laz­er e con­sumo como o tur­is­mo, comér­cio, bares e restau­rantes a par­tir do mel­hor aproveita­men­to da luz nat­ur­al.

A par­tir de 2019, e durante todo o gov­er­no Bol­sonaro, a ini­cia­ti­va foi descar­ta­da. Na ocasião, o Min­istério de Minas e Ener­gia apon­tou que, ao lon­go dos anos, os hábitos de con­sumo da pop­u­lação mudaram dras­ti­ca­mente, alteran­do os horários de maior con­sumo energéti­co e tor­nan­do a medi­da sem efeito.

Neste ano, con­tu­do, o gov­er­no fed­er­al voltou a cog­i­tar adi­antar os reló­gios em parte do país, como for­ma de enfrentar o que, segun­do o Cen­tro Nacional de Mon­i­tora­men­to e Aler­tas de Desas­tres Nat­u­rais (Ceman­den), é a pior seca já reg­istra­da no país.

“O Brasil viveu [e ain­da] está viven­do, este ano, a maior seca da nos­sa história – emb­o­ra já haja sinais de super­ação do momen­to mais críti­co, com chu­vas no Sud­este e na cabe­ceira de alguns rios impor­tantes”, reforçou Sil­veira.

Ele lem­brou que a prin­ci­pal fonte de ener­gia da matriz elétri­ca brasileira é a hidrelétri­ca. “Graças a algu­mas medi­das de plane­ja­men­to feitas durante um ano, con­seguimos chegar com nos­sos reser­vatórios com índices de resil­iên­cia que nos dão cer­ta tran­quil­i­dade”, con­cluiu o min­istro.

Popularidade

Nes­ta segun­da-feira (14), o insti­tu­to Datafol­ha divul­gou o resul­ta­do de uma pesquisa que apon­ta que a vol­ta do horário de verão divide brasileiros. Quarenta e sete por cen­to dos entre­vis­ta­dos declararam ser favoráveis à medi­da. Out­ros 47% dis­ser­am ser con­trários, enquan­to os 6% restantes respon­der­am ser indifer­entes à ini­cia­ti­va. A pesquisa foi real­iza­da nos dias 7 e 8 de out­ubro. Foram ouvi­das 2.029 pes­soas em 113 cidades das cin­co regiões.

Em mea­d­os de setem­bro, o por­tal Reclame Aqui e a Asso­ci­ação Brasileira de Bares e Restau­rantes (Abrasel) divul­gar­am as con­clusões de um lev­an­ta­men­to que indi­ca que a maior parcela (54,9%) da pop­u­lação está de acor­do com o horário de verão: 41,8% dis­ser­am ser total­mente favoráveis e 13,1%, par­cial­mente favoráveis.

Out­ros 25,8% se mostraram total­mente con­trários à imple­men­tação da medi­da e 2,2% par­cial­mente con­trários. Dezes­sete por cen­to afir­maram ser indifer­entes.

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