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Entidades condenam retirada da imprensa na Câmara

Hugo Motta afirmou ter determinado apuração

Luciano Nasci­men­to — Repórter da Agên­cia Brasil*
Pub­li­ca­do em 09/12/2025 — 21:27
São Luís
Brasília (DF), 09/12/2025 - Deputado Glauber Braga (PSOL) é retirado da mesa da presidencia da camâra dos deputados por seguranças. Frame Deputado Glauber Braga/Facebook
Repro­dução: © Frame Dep­uta­do Glauber Braga/Facebook

Enti­dades de defe­sa de jor­nal­is­tas e asso­ci­ações de veícu­los de comu­ni­cação divul­gar­am notas de repú­dio ao episó­dio de reti­ra­da e agressão a profis­sion­ais da impren­sa na Câmara dos Dep­uta­dos, na tarde des­ta terça-feira (9).

Nes­ta tarde, o dep­uta­do Glauber Bra­ga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidên­cia da Casa em protesto após o pres­i­dente da Casa, Hugo Mot­ta (Repub­li­canos ‑PB), anun­ciar que levaria ao plenário o pedi­do de cas­sação do dep­uta­do. O par­la­men­tar foi reti­ra­do à força por agentes da Polí­cia Leg­isla­ti­va Fed­er­al.

Neste momen­to, o sinal da TV Câmara, que trans­mi­tia ao vivo a sessão em plenário, foi ime­di­ata­mente cor­ta­do e jor­nal­is­tas, fotó­grafos, cine­grafis­tas e asses­sores de impren­sa foram reti­ra­dos pela Polí­cia Leg­isla­ti­va do Plenário da Câmara

A Fed­er­ação Nacional dos Jor­nal­is­tas (Fenaj) e o Sindi­ca­to dos Jor­nal­is­tas Profis­sion­ais do Dis­tri­to Fed­er­al (SJPDF) con­sid­er­aram “extrema­mente grave o cercea­men­to ao tra­bal­ho da impren­sa e à liber­dade e ao dire­ito de infor­mação da pop­u­lação brasileira”. As enti­dades citam ain­da graves episó­dios de agressões físi­cas a profis­sion­ais da impren­sa e cobram expli­cações do pres­i­dente da Casa.

“Não podemos admi­tir que medi­das autoritárias, que remon­tam às vivi­das em um perío­do não tão dis­tante durante a ditadu­ra mil­i­tar, sejam nat­u­ral­izadas e se repi­tam em nos­so Con­gres­so Nacional — que dev­e­ria ser a Casa do povo e não de quem ata­ca os dire­itos da pop­u­lação. Seguimos aten­tos e acom­pan­han­do os des­do­bra­men­tos desse lamen­táv­el e absur­do episó­dio”, criticaram.

Em out­ra man­i­fes­tação con­jun­ta, a Asso­ci­ação Brasileira de Emis­so­ras de Rádio e Tele­visão (Abert), a Asso­ci­ação Nacional de Jor­nais (ANJ) e a Asso­ci­ação Nacional de Edi­tores de Revis­tas (Aner) tam­bém con­denaram o cercea­men­to do tra­bal­ho da impren­sa.

“O imped­i­men­to do tra­bal­ho de jor­nal­is­tas e o corte de sinal da TV Câmara são incom­patíveis com o exer­cí­cio da liber­dade de impren­sa”, diz a nota. As enti­dades cobraram “apu­ração de respon­s­abil­i­dades para que tais práti­cas de intim­i­dação não se repi­tam e que sejam preser­va­dos os princí­pios da Con­sti­tu­ição Brasileira, que veda explici­ta­mente a cen­sura”.

Ima­gens e relatos mostram ação tru­cu­len­ta de poli­ci­ais leg­isla­tivos con­tra repórteres, cine­grafis­tas e fotó­grafos que ten­tavam realizar seu tra­bal­ho. Alguns profis­sion­ais pre­cis­aram de atendi­men­to médi­co por con­ta de agressões, que incluíram puxões, cotove­ladas e fortes empurrões.

O Fórum Nacional pela Democ­ra­ti­za­ção da Comu­ni­cação (FNDC) tam­bém criti­cou o episó­dio.

“De acor­do com notí­cias veic­u­ladas nos prin­ci­pais por­tais noti­ciosos, a TV Câmara teve seu sinal cor­ta­do às 17h34, mes­mo horário em que os jor­nal­is­tas começaram a ser reti­ra­dos do plenário. As ima­gens da bru­tal­i­dade, no entan­to, foram reg­istradas por out­ros par­la­mentares e out­ras pes­soas que per­manece­r­am no plenário e logo gan­haram os prin­ci­pais por­tais noti­ciosos”, disse.

Hugo Motta

Em nota no X, o pres­i­dente Hugo Mot­ta infor­mou que deter­mi­nou a “apu­ração de pos­síveis exces­sos em relação à cober­tu­ra da impren­sa”.

“Temos que pro­te­ger a democ­ra­cia do gri­to, do gesto autoritário, da intim­i­dação trav­es­ti­da de ato políti­co. Extrem­is­mos tes­tam a democ­ra­cia todos os dias. E todos os dias a democ­ra­cia pre­cisa ser defen­di­da. Deter­minei tam­bém a apu­ração de pos­síveis exces­sos em relação à cober­tu­ra da impren­sa”, afir­mou.

Entenda o caso

O dep­uta­do fed­er­al Glauber Bra­ga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidên­cia da Câmara dos Dep­uta­dos, no plenário da Casa, na tarde des­ta terça-feira (9), e foi arran­ca­do à força por agentes da Polí­cia Leg­isla­ti­va Fed­er­al.

A ocu­pação começou como protesto do par­la­men­tar, após o pres­i­dente da Câmara, Hugo Mot­ta (Repub­li­canos-PB), anun­ciar que levaria ao plenário o pedi­do de cas­sação do dep­uta­do, jun­ta­mente com os proces­sos de Car­la Zam­bel­li (PL-SP) e Del­e­ga­do Ram­agem (PL-RJ), os dois últi­mos con­de­na­dos pelo Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF). Os casos não tem relação entre si.

Além dis­so, Mot­ta tam­bém pautou a votação do pro­je­to para reduzir as penas dos envolvi­dos na tra­ma golpista.

“Que me arran­quem des­ta cadeira e me tirem do plenário”, disse o dep­uta­do.

Bra­ga pode perder o manda­to por ter agre­di­do, com um chute, um mil­i­tante do Movi­men­to Brasil Livre (MBL), no ano pas­sa­do, após ser provo­ca­do.

* Colaborou Pedro Rafael Vilela

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