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Grupo Especial retorna à Sapucaí depois de dois anos sem carnaval

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Abertura começou pontualmente às 22h


Pub­li­ca­do em 23/04/2022 — 10:42 Por Vladimir Platonow, Cristi­na Índio do Brasil e Vitor Abdala — Repórteres da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Quan­do a sirene tocou e o portão se abriu, a elite do car­naval voltou a se exibir na Mar­quês de Sapu­caí, na noite des­ta sex­ta-feira (22), após dois anos afas­ta­da do tem­p­lo do sam­ba. A apre­sen­tação das seis primeiras esco­las do Grupo Espe­cial começou pon­tual­mente às 22h.

A aber­tu­ra coube à Imper­a­triz Leopoldinense, da car­navalesca Rosa Mag­a­l­hães, com o enre­do Meni­nos eu vivi… Onde can­ta o sabiá, onde can­tam Dal­va e Lamar­tine!. É uma hom­e­nagem a Arlin­do Rodrigues, car­navale­sco que lev­ou a Imper­a­triz ao primeiro campe­ona­to, em 1980.

Imperatriz Leopoldinense abre o desfile do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro 2022
Repro­dução: Imper­a­triz Leopoldinense abre o des­file do grupo espe­cial do car­naval do Rio de Janeiro 2022 — Tomaz Silva/Agência Brasil

Como já é tradição, a força do car­naval de Rosa está nos detal­h­es dos car­ros-alegóri­cos e das fan­tasias, tudo con­struí­do com mui­ta per­feição e téc­ni­ca.

A comis­são de frente apre­sen­tou, como tripé, uma loco­mo­ti­va e um vagão ladea­do por espel­hos. Em cima do Trem das Lem­branças, vier­am inte­grantes rep­re­sen­tan­do Lamar­tine Babo, enre­do de 1981, quan­do a Imper­a­triz con­quis­tou seu segun­do títu­lo, e Dal­va de Oliveira, hom­e­nagea­da no últi­mo car­naval de Arlin­do, em 1987.

Entre o casal de mestre-sala e por­ta-ban­deiras e a primeira ala, a esco­la trouxe um tripé com uma enorme escul­tura móv­el de Arlin­do, que aplau­dia a entra­da da agremi­ação. As alas e ale­go­rias tam­bém fiz­er­am refer­ên­cias aos car­navais que ele preparou para o Salgueiro, onde ele con­quis­tou cin­co títu­los entre as décadas de 60 e 70, e para a Moci­dade, onde foi campeão em 1979.

Em segui­da, foi a vez da Mangueira, que este ano hom­e­na­geou três grandes per­son­al­i­dades da esco­la: Jamelão, Del­e­ga­do e Car­to­la. O desen­volvi­men­to do enre­do Angenor, José e Lau­rindo coube, mais uma vez, a Lean­dro Vieira. Ao entrar na aveni­da, a Mangueira levan­tou grande parte do públi­co nas arquiban­cadas. A comis­são de frente inovou com uma tro­ca de roupas relâm­pa­go. Em segun­dos, os dançari­nos tro­caram suas ves­ti­men­tas nas cores pre­ta, bran­ca e cin­za por ter­nos verde-rosas.

A Mangueira do pas­sa­do foi lem­bra­da no car­ro abre-alas, Teu Cenário é Poe­sia, que trouxe escul­turas car­i­cat­u­rais dos três artis­tas e o sam­bista Sergin­ho do Pan­deiro, fazen­do as tradi­cionais acroba­cias com seu instru­men­to musi­cal.

Mangueira é a segunda escola a desfilar no primeiro dia do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro 2022
Repro­dução: Mangueira é a segun­da esco­la a des­fi­lar no primeiro dia do grupo espe­cial do car­naval do Rio de Janeiro 2022 — Tomaz Silva/Agência Brasil

Durante o des­file, o intér­prete prin­ci­pal, Mar­quin­ho Art’Samba, pas­sou mal e teve que ser aten­di­do pelo Cor­po de Bombeiros. Ape­sar dis­so, a verde e rosa movi­men­tou as arquiban­cadas com muitos aplau­sos diante das exibições da comis­são de frente e do casal de mestre-sala e por­ta ban­deira.

Ter­ceira esco­la a pis­ar na aveni­da, o Salgueiro, do car­navale­sco Alex de Souza, propôs uma reflexão sobre o lega­do dos africanos escrav­iza­dos para o país, com o enre­do Resistên­cia.

A esco­la passeou pelos difer­entes aspec­tos da cul­tura negra no Rio de Janeiro, como o can­domblé, a umban­da, o pagode, o jon­go, o funk e a capoeira, e pelos locais onde essas man­i­fes­tações resistem, como os ter­reiros, a Pedra do Sal, o Cacique de Ramos e o Viadu­to de Madureira.

A comis­são de frente apre­sen­tou a dança dos heróis negros, com bailar­i­nos pin­ta­dos de bronze, como se fos­sem escul­turas que mere­cem estar em destaque em locais públi­cos da cidade, como Xica Da Sil­va, Ruth De Souza, Macha­do de Assis e André Rebouças. O tripé apre­sen­tou ain­da efeitos de fumaça e areia.

Uma ala de bailar­i­nas chamou a atenção no des­file. Era uma hom­e­nagem a Mer­cedes Bap­tista, a primeira baila­r­i­na negra brasileira, que mar­cou sua par­tic­i­pação na história da esco­la. Para rep­re­sen­tar Mer­cedes, quem esta­va na aveni­da era Ingrid Sil­va, tam­bém baila­r­i­na negra, inte­grante do Dance The­atre of Harlem, de Nova York.

Uma ale­go­ria que tam­bém teve destaque foi a Black Car­i­o­ca que sim­boliza­va o con­heci­do Baile Charme embaixo do viadu­to Negrão de Lima, em Madureira, na zona norte. O funk tam­bém foi rep­re­sen­ta­do neste setor do des­file. O últi­mo car­ro, a Resistên­cia Con­tin­ua ques­tio­nou o racis­mo e a vio­lên­cia con­tra a pop­u­lação negra.

Quar­ta esco­la a ocu­par a Sapu­caí, a São Clemente apos­tou em uma hom­e­nagem ao humorista Paulo Gus­ta­vo, mor­to por covid-19 no ano pas­sa­do. Com o enre­do Min­ha vida é uma peça, o car­navale­sco Tia­go Mar­tins lem­brou do ator com saudades, mas sem tris­teza, fazen­do a arquiban­ca­da vibrar com as pas­sagens do ído­lo da comé­dia.

No iní­cio do des­file, a esco­la teve prob­le­mas para acoplar as duas partes do car­ro abre-alas.

O que tam­bém apre­sen­tou prob­le­mas foi o tripé da comis­são de frente, um imen­so camarim, suas luzes não se acen­der­am e ele ficou para­do por alguns min­u­tos na aveni­da, antes de chegar até a cab­ine dos jura­dos.

A comis­são trouxe drag queens com vesti­dos nas cores do arco-íris, sím­bo­lo da comu­nidade LGBTQI+. Na apre­sen­tação aos jura­dos, as drags subi­ram no tripé e parte delas foi sub­sti­tuí­da por inte­grantes vesti­dos como Dona Her­mí­nia famosa per­son­agem do humorista. Uma corti­na se abriu para rev­e­lar a mãe de Paulo, Déa Lúcia, sen­ta­da em um sofá amare­lo.

Dona Her­mí­nia tam­bém foi lem­bra­da na fan­ta­sia da bate­ria e em uma das ale­go­rias. Ape­sar dos prob­le­mas, a esco­la con­seguiu ter­mi­nar o des­file den­tro do tem­po lim­ite.

Em segui­da, foi a vez da Viradouro, atu­al campeã, que bus­ca seu ter­ceiro títu­lo. O enre­do foi o car­naval de 1919, após a pan­demia da gripe espan­ho­la, que matou mil­hões pelo mun­do, com o enre­do Não há tris­teza que pos­sa supor­tar tan­ta ale­gria, dos car­navale­scos Mar­cus Fer­reira e Tar­cí­sio Zanon.

A Viradouro lev­ou ale­go­rias e alas com fan­tasias rep­re­sen­tan­do blo­cos e fig­uras car­navalescas. A plateia vibrou com a apre­sen­tação da bate­ria que tem à frente Mestre Ciça. Em vários momen­tos durante o des­file e, em espe­cial, diante das cab­ines dos jura­dos, os rit­mis­tas se abaix­avam e no meio deles sur­giam cin­co rit­mis­tas que fazi­am a mar­cação com pratos metáli­cos.

A respon­s­abil­i­dade de fechar o primeiro dia coube à Bei­ja-Flor de Nilópo­lis, com um tema falan­do da cul­tura negra na for­mação do povo brasileiro, com o enre­do Emprete­cer o pen­sa­men­to é ouvir a voz da Bei­ja-Flor, desen­volvi­do por Alexan­dre Louza­da.

O des­file teve iní­cio com a uti­liza­ção das cores pre­tas e azul inten­so com um abre alas que se dividia em três partes. Na da frente tin­ha um bei­ja-flor, sím­bo­lo da esco­la. Mas já no segun­do car­ro começaram as difi­cul­dades, por não con­seguir colo­car todos os destaques em cima da ale­go­ria, o car­ro ficou para­do ain­da na con­cen­tração antes de virar para a aveni­da.

Com a desistên­cia de incluir todos os destaques, o car­ro final­mente foi movi­men­ta­do, mas já tin­ha cau­sa­do transtornos na har­mo­nia da esco­la, com um bura­co entre as alas.

O out­ro que ficou emper­ra­do na con­cen­tração foi o quar­to car­ro chama­do de Escrevivên­cias que mostra­va uma favela com muitos livros. Depois de resolvi­do o prob­le­ma, o car­ro entrou na aveni­da e seguiu o des­file até o fim. A esco­la ter­mi­nou o des­file já com o sol raian­do no hor­i­zonte.

Edição: Lílian Beral­do

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