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Livro resgata Teatro Experimental do Negro

Edição analisa papel dramatúrgico de Abdias do Nascimento

Gilber­to Cos­ta — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 05/01/2026 — 08:02
Rio de Janeiro
Brasília (DF) 14/03/2024 - Abdias Nascimento, 115 anos: a luta para unir africanos e descendentes Foto: Acervo do Ipeafro/Divulgação
Repro­dução: © Acer­vo do Ipeafro/Divulgação

Está nas livrarias a obra “Teatro Exper­i­men­tal do Negro: teste­munhos e ressonân­cias”, orga­ni­za­da orig­i­nal­mente por Abdias Nasci­men­to (1966) e ago­ra recu­per­a­da e ampli­a­da pela sociólo­ga Elisa Larkin Nasci­men­to e pelo gestor cul­tur­al Jessé Oliveira.

Adias Nasci­men­to (1914–2011) foi artista plás­ti­co, ativista, ator, dep­uta­do fed­er­al, dra­matur­go, econ­o­mista, escritor, poeta, pro­fes­sor uni­ver­sitário e senador. Em todos os papéis, defend­eu a liber­dade e o com­pro­me­ti­men­to com a trans­for­mação social.

O livro foi lança­do na últi­ma pri­mav­era (novem­bro), mar­can­do 80 anos de fun­dação do Teatro Exper­i­men­tal do Negro (TEN), para ensaios em out­ubro de 1944. A pub­li­cação é da Edições Sesc, em parce­ria com a Edi­to­ra Per­spec­ti­va (328 pági­nas).

A edição traz tex­tos do dra­matur­go Nel­son Rodrigues, do poeta Efrain Tomás Bó, dos cien­tis­tas soci­ais Guer­reiro Ramos, Flo­restan Fer­nan­des, entre out­ros. O livro apre­sen­ta o ensaio fotográ­fi­co de José Medeiros com ima­gens em pre­to e bran­co do elen­co do TEN.

Protagonismo

Cri­a­do há menos de 60 anos após a abolição da escravidão, o TEN tin­ha como propósi­to val­orizar a her­ança cul­tur­al afro-brasileira, destacar histórias e dar pro­tag­o­nis­mo a autores e atores negros. Entre 1945 e 1958, o TEN ence­nou mais de 20 espetácu­los, com peças brasileiras e estrangeiras, e rev­el­ou nomes como Léa Gar­cia e Ruth de Souza.

“Quem definia os temas [das peças], os tex­tos [a serem ence­na­dos] e quem definia o rumo das atu­ações essa eram as pes­soas negras”, assi­nala Jessé Oliveira. “O Teatro Exper­i­men­tal do Negro é um divi­sor de águas. Amplia o local de debate das questões raci­ais e esta­b­elece profis­sion­al­is­mo em uma com­pan­hia teatral negra.”

Na avali­ação Elisa Larkin Nasci­men­to, o TEN “faz a ponte entre o teatro mod­er­no e con­tem­porâ­neo no Brasil” e apre­sen­ta uma ver­são da sociedade brasileira difer­ente do dis­cur­so ofi­cial e de parte da int­elec­tu­al­i­dade (ger­ação do sociól­o­go Gilber­to Freyre) de que o país seria uma “democ­ra­cia racial”.

A nova edição do livro tem o obje­ti­vo da pub­li­cação orig­i­nal, de “faz­er um reg­istro mais estáv­el” e con­tribuir para evi­tar o apaga­men­to da história do TEN.

“Nas esco­las de teatro, sem­pre vêm me diz­er que não con­hecem o Teatro Exper­i­men­tal do Negro. Inclu­sive os jovens que estão cur­san­do teatro e estu­dam a história do teatro brasileiro”, lamen­ta Elisa Larkin Nasci­men­to.

A obra mostra como as con­cepções de Abdias seguem ressoan­do em práti­cas cêni­cas e cole­tivos atu­ais, man­ten­do vivo o ide­al de um teatro antir­racista.

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