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Mestre Negoativo leva história negra de Minas Gerais para os palcos

População negra teve história resgatada na apresentação do artista

Cami­la Boehm — Repórter da Agên­cia Brasil*
Pub­li­ca­do em 29/11/2025 — 18:03
Paraty (RJ)
Brasília 29/11/2025 - Mestre Negoativo leva história negra de Minas Gerais para os palcos. Foto: DIVULGAÇÃO SESC.
Repro­dução: © DIVULGAÇÃO SESC.

Parte fun­da­men­tal na con­strução e no desen­volvi­men­to de Minas Gerais, a pop­u­lação negra teve a história res­gata­da e hom­e­nagea­da na apre­sen­tação musi­cal de Mestre Negoa­t­i­vo e sua ban­da. Na noite de des­ta sex­ta-feira (28), o públi­co lotou o espaço de show do Sesc Caborê, na cidade de Paraty, pal­co do even­to de encer­ra­men­to da 27ª edição do fes­ti­val Sono­ra Brasil.

“Esse espetácu­lo faz o cam­in­ho dessa Minas Gerais pre­ta, que existe tam­bém. Ela só não é mostra­da. A min­ha ger­ação está trazen­do o des­per­tar para as out­ras ger­ações que estão chegan­do ago­ra para eles enten­derem isso e começarem a assumir e falar da nos­sa afro-mineiri­dade”, rela­tou Mestre Negoa­t­i­vo, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Negoa­t­i­vo can­tou sobre a vio­lên­cia con­tra o povo negro que se per­pet­ua até hoje, a resistên­cia por meio da arte e a cel­e­bração da ances­tral­i­dade. Nas canções, por meio das vozes e instru­men­tos, e em suas falas com o públi­co, ele trouxe ain­da a memória do tra­bal­ho força­do impos­to aos escrav­iza­dos, espe­cial­mente, no garim­po.

Out­ra memória que ele traz é a potên­cia dos quilom­bos, que têm papel cru­cial na preser­vação da cul­tura e de con­hec­i­men­tos tradi­cionais da pop­u­lação negra no país. “O show é um movi­men­to sanko­fa, um movi­men­to africano que a comu­nidade pre­ta no mun­do está fazen­do de retorno. Como se fos­se um regres­so, a gente aces­sar o que nos per­tence de fato. Enquan­to um afro-brasileiro, afro-mineiro, eu tam­bém estou fazen­do esse regres­so”, disse.

“Já faz anos que eu ven­ho me preparan­do para com­par­til­har essa afro-mineiri­dade, porque é necessário que a gente se aprox­ime daqui­lo que nos per­tence. Eu me sin­to muito hon­ra­do que eu con­segui, des­de cri­ança, viv­er com min­has avós, com min­ha mãe, pes­soas dos quilom­bos, onde essa cul­tura sem­pre esteve pre­sente”, rela­tou o músi­co, que fez diver­sas refer­ên­cias aos seus ances­trais durante a apre­sen­tação e por meio das canções.

Brasília 29/11/2025 - Mestre Negoativo leva história negra de Minas Gerais para os palcos. Foto: DIVULGAÇÃO SESC.
Repro­dução: Negoa­t­i­vo can­tou sobre a vio­lên­cia con­tra o povo negro que se per­pet­ua até hoje. Foto: Divul­gação Sesc.

O berim­bau, que tem forte pre­sença no show, foi o instru­men­to que des­per­tou Mestre Negoa­t­i­vo para a músi­ca. Para ele, o berim­bau é uma ponte ances­tral que o lev­ou até o con­ti­nente africano

“Eu [come­cei] por meio do arco, do berim­bau de bar­ri­ga, que escutei quan­do cri­ança. Pas­sou um cara na rua tocan­do, eu ouvi aque­le instru­men­to e ali logo eu já aces­sei a África. E, por meio do berim­bau, eu con­heci a capoeira”, con­tou.

“Todas essas man­i­fes­tações afro-mineiras — moçam­bique, can­dombe, vis­sun­go, con­go, catopês — estão entran­hadas em mim, no meu DNA. E tem dois artis­tas que foram fun­da­men­tais na min­ha vida: James Brown e Bob Mar­ley. Eles foram social­mente, racial­mente, politi­ca­mente, fun­da­men­tais na min­ha for­mação”, disse sobre suas refer­ên­cias.

No Sono­ra Brasil, o encon­tro de Mestre Negoa­t­i­vo foi com Dou­glas Din, ambos rep­re­sen­tan­do a músi­ca region­al mineira. Eles per­cor­reram o país com os shows do pro­je­to, mas Din não par­ticipou dessa apre­sen­tação final por questões de saúde.

“Foi um encon­tro diaspóri­co de ger­ações. Ele vem dessa lin­hagem do hip-hop, do rap, e eu ven­ho mais das man­i­fes­tações pre­tas de Minas Gerais. Foi um um encon­tro muito rico, apren­di mui­ta coisa com Din.”

Pro­movi­do pelo Sesc, o Sono­ra Brasil per­corre o país levan­do uma com­bi­nação de artis­tas ou gru­pos de difer­entes tendên­cias musi­cais que rep­re­sen­tam a diver­si­dade region­al da músi­ca brasileira. No biênio 2024–2025, perío­do des­ta 27ª edição, dez dessas for­mações de artis­tas, fru­to de uma curado­ria do Sesc, fiz­er­am mais de 300 shows em cer­ca de 70 cidades do país. Eles apre­sen­taram shows inédi­tos, mis­tu­ran­do suas refer­ên­cias, esti­los e instru­men­tos.

Neste final de sem­ana, o públi­co ain­da poderá se des­pedir do fes­ti­val. Ger­al­do Espín­dola & Marce­lo Loureiro, rep­re­sen­tan­do rit­mos do Mato Grosso do Sul, fazem show às 19h deste sába­do, no Sesc Caborê. No domin­go (30), Manoel Cordeiro & Felipe Cordeiro apre­sen­tam a músi­ca do Pará, no mes­mo local. Na sequên­cia, a ban­da Mundiá, de Paraty, faz show com par­tic­i­pação de Manoel Cordeiro.

*A repórter via­jou a con­vite do Sesc

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