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Ministras exaltam luta das mulheres em ato contra o feminicídio

Protesto foi convocado por organizações da sociedade civil

Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 07/12/2025 — 17:34
Brasília
Brasília (DF), 07/12/2025 - Ministras e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Seis min­is­tras e um min­istro do gov­er­no fed­er­al par­tic­i­param, neste domin­go (7), em Brasília, do ato Lev­ante Mul­heres Vivas con­vo­ca­do por dezenas de orga­ni­za­ções da sociedade civ­il. A man­i­fes­tação ocor­reu em diver­sas cap­i­tais do país após sucessão de casos de fem­i­nicí­dios que chocaram a sociedade. 

Sob fortes pan­cadas de chu­va, o ato con­tou tam­bém com a par­tic­i­pação da primeira-dama Jan­ja Lula da Sil­va. O min­istro que par­ticipou foi o do Desen­volvi­men­to Social, Welling­ton Dias. 

Brasília (DF), 07/12/2025 - As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução: As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante o Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília — Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

A min­is­tra da Mul­her, Már­cia Lopes, defend­eu que as mul­heres pre­cisam ocu­par 50% dos car­gos políti­cos no Brasil. “Não vamos votar em homem que agri­da, que ofen­da as mul­heres. Não vamos votar”.

A min­is­tra das Relações Insti­tu­cionais, Gleisi Hoff­mann, disse que essa é uma luta civ­i­liza­tória, que pre­cisa da par­tic­i­pação dos home­ns.

“É muito impor­tante ter os home­ns ao lado da gente nes­sa cam­in­ha­da. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa cha­ga da sociedade. Nós temos um prob­le­ma históri­co e cul­tur­al de sub­or­di­nação das mul­heres e temos que mudar isso”, afir­mou.

A min­is­tra da Igual­dade Racial, Anielle Fran­co, lem­brou sua irmã Marielle Fran­co, vereado­ra car­i­o­ca assas­si­na­da em 2018 no Rio de Janeiro (RJ).

Brasília (DF), 07/12/2025 - A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução: A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, fala durante o Levante Mulheres Vivas em Brasília — Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Quan­do Marielle foi assas­si­na­da da maneira que foi, com cin­co tiros na cabeça, logo depois a mãe Bernadete, poucos anos depois, com 21 tiros na cabeça, há um reca­do dado para essas mul­heres. A gente tá aqui hoje pra diz­er que vai per­manecer viva, de pé, lutan­do, ocu­pan­do todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai per­manecer”, afir­mou.

Mes­mo se recu­peran­do de uma cirur­gia, a min­is­tra dos Povos Indí­ge­nas, Sônia Gua­ja­jara, par­ticipou do ato em uma cadeira de rodas. Ela lem­brou que a vio­lên­cia con­tra as mul­heres indí­ge­nas segue invisív­el.

“Essa vio­lên­cia que a gente vê hoje em redes soci­ais, em noti­ciários, nos ter­ritórios indí­ge­nas acon­tece igual­mente e nem notí­cia vira. Elas con­tin­u­am no anon­i­ma­to e ain­da nem estatís­ti­ca viraram”, lamen­tou.

Tam­bém par­ticipou do ato a min­is­tra da Ciên­cia e Tec­nolo­gia, Luciana San­tos, que argu­men­tou que a luta das mul­heres con­tra a vio­lên­cia é sec­u­lar. 

“Isso é para que a gente pos­sa ter a dimen­são da batal­ha que tem pela frente. Por isso, a luta para que ten­hamos salário igual para função igual, crech­es, dire­itos para que, nas uni­ver­si­dades, as mul­heres que sigam a car­reira cien­tí­fi­ca pos­sam avançar sem nen­hum tipo de empecil­ho”, afir­mou.

Em sua fala, a primeira dama Jan­ja Lula da Sil­va lamen­tou os fem­i­nicí­dios e pediu medi­das mais duras con­tra o assas­si­na­to de mul­heres.

Brasília (DF), 07/12/2025 - A primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução: A primeira-dama, Janja Lula da Silva, pediu penas mais duras para o feminicídio — Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Que hoje seja um dia que fique mar­ca­do na história desse movi­men­to das mul­heres pelo Brasil. A gente pre­cisa de penas mais duras para o fem­i­nicí­dio. Não é pos­sív­el um homem matar uma mul­her e, uma sem­ana depois, estar na rua para matar out­ra. Isso não pode acon­te­cer”, disse.

Tam­bém par­ticipou do ato, na Torre de TV, na área cen­tral de Brasília, a min­is­tra da Gestão e Ino­vação, Esther Dweck.

Entenda

A mobi­liza­ção nacional foi con­vo­ca­da após uma onda de fem­i­nicí­dios recentes que abalaram o país.

No final de novem­bro, Tainara Souza San­tos teve as per­nas muti­ladas após ser atro­pela­da e arras­ta­da por cer­ca de um quilômetro, enquan­to ain­da esta­va pre­sa embaixo do veícu­lo. O motorista, Dou­glas Alves da Sil­va, foi pre­so acu­sa­do do crime.

Na mes­ma sem­ana, duas fun­cionárias do Cen­tro Fed­er­al de Edu­cação Tec­nológ­i­ca (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mor­tas a tiros por um fun­cionário da insti­tu­ição que se matou em segui­da.

Na sex­ta-feira (5), foi encon­tra­do, em Brasília, o cor­po car­boniza­do da cabo do Exérci­to Maria de Lour­des Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo inves­ti­ga­da como fem­i­nicí­dio após o sol­da­do Kelvin Bar­ros da Sil­va, 21 anos, ter con­fes­sa­do a auto­ria do assas­si­na­to.

Cer­ca de 3,7 mil­hões de mul­heres brasileiras viver­am um ou mais episó­dios de vio­lên­cia domés­ti­ca nos últi­mos 12 meses, segun­do o Mapa Nacional da Vio­lên­cia de Gênero.

Em 2024, 1.459 mul­heres foram víti­mas de fem­i­nicí­dios. Em média, cer­ca de qua­tro mul­heres foram assas­si­nadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já reg­istrou mais de 1.180 fem­i­nicí­dios.

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