...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias do Mundo / Museu Sítio de Memória é reconhecido como patrimônio do Mercosul

Museu Sítio de Memória é reconhecido como patrimônio do Mercosul

Repro­dução: © Anto­nio Cruz/Agência Brasil

Ministra Margareth Menezes entrega certificado na Argentina


Pub­li­ca­do em 02/06/2023 — 20:05 Por Daniel­la Almei­da — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

ouvir:

Os min­istros da Cul­tura do Mer­co­sul recon­hece­r­am, nes­ta sex­ta-feira (2), o Museu Sítio de Memória Esma (Escuela de Mecáni­ca de la Arma­da) como patrimônio cul­tur­al do Mer­co­sul. A aprovação ocor­reu durante a 54ª Reunião de Min­istros da Cul­tura do Mer­co­sul, em Buenos Aires, na Argenti­na. 

A insti­tu­ição bus­ca preser­var a memória das víti­mas e pro­mover a con­sci­en­ti­za­ção sobre as vio­lações de dire­itos humanos ocor­ri­das durante a ditadu­ra mil­i­tar na Argenti­na (1976–1983).

Segun­do o Min­istério da Cul­tura, o recon­hec­i­men­to da Esma como patrimônio do Mer­co­sul con­tou com con­tribuição do Insti­tu­to do Patrimônio Históri­co e Artís­ti­co Nacional (Iphan). A notí­cia era aguarda­da pelos argenti­nos.

Repercussão

A min­is­tra da Cul­tura do Brasil, Mar­gareth Menezes (foto), esteve entre as autori­dades que entre­garam o cer­ti­fi­ca­do, em visi­ta às insta­lações do Museu Sítio de Memória Esma.

Ela disse que o Brasil tam­bém pre­cisa ter um memo­r­i­al sobre o perío­do dita­to­r­i­al vivi­do pelo país. “Tam­bém pas­samos, no Brasil, sobre essa questão da ditadu­ra e da tor­tu­ra e esta é uma memória muito cara ain­da para nós, que tam­bém esta­mos na bus­ca de ações com esta mag­ni­tude de ter um memo­r­i­al. [O obje­ti­vo é] que se refli­ta nas próx­i­mas ger­ações e que até para que a nos­sa ger­ação tam­bém refli­ta sobre o dire­ito à vida, à liber­dade e à democ­ra­cia”, afir­mou.

Ela desta­cou que, na comi­ti­va brasileira em viagem a Buenos Aires, está a pres­i­dente da Fun­dação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighel­la, fil­ha do guer­ril­heiro comu­nista baiano e ex-dep­uta­do, Car­los Marighel­la, mor­to em 1969 após aderir à luta arma­da con­tra a ditadu­ra mil­i­tar.

“Essa ação do Mer­co­sul for­t­alece a chama­da de atenção de todos nós, da Améri­ca Lati­na, e tam­bém do mun­do. Porque não quer­e­mos mais nen­hu­ma insta­lação de poder, onde a liber­dade de expressão e a liber­dade de ideias sejam con­de­nadas, onde a tor­tu­ra seja o cercea­men­to da palavra, o que é uma gravi­dade”, salien­tou.

A pres­i­dente da Funarte, Maria Marighel­la, disse estar emo­ciona­da com a aprovação do Esma como Patrimônio Cul­tur­al do Mer­co­sul, por ser local de memória das víti­mas argenti­nas da ditadu­ra do país viz­in­ho.

Memória

“É com mui­ta emoção que cheg­amos nesse sítio de memória, nesse espaço que ago­ra é um espaço cul­tur­al do Mer­co­sul. Sabe­mos que a memória é dire­ito de um povo, refun­da son­hos e, com a força da cul­tura, fun­dare­mos esse Brasil, essa Améri­ca Lati­na de justiça e igual­dade de aman­hã”, acres­cen­tou.

O min­istro dos Dire­itos Humanos da Argenti­na, Hora­cio Pietra­gal­la Cor­ti, disse que este foi o primeiro pré­dio des­ti­na­do à memória das víti­mas da repressão argenti­na.

“Enten­demos o Esma [como um lugar] emblemáti­co do que foi a ditadu­ra mil­i­tar não somente para Argenti­na como para região. Quan­do começamos a pen­sar com as autori­dades sobre o recon­hec­i­men­to do museu, com­preen­demos que este é um prêmio à Argenti­na. É para toda a Améri­ca Lati­na e para os mais de 300 mil pre­sos e desa­pare­ci­dos em toda a pátria grande. Então, é um prêmio à luta, à resistên­cia, àquele famil­iar que ain­da segue na luta pela justiça, pela memória e pela ver­dade”, expli­cou.

O min­istro da Cul­tura argenti­no, Tristán Bauer, agrade­ceu a pre­sença da min­is­tra da Cul­tura do Brasil e dos demais min­istros da Cul­tura do Mer­co­sul por terem vota­do a favor da con­cessão do cer­ti­fi­ca­do de patrimônio cul­tur­al do blo­co dos país­es sul-amer­i­canos ao Museu Sítio de Memória. “Este é um ato human­itário e bom para a humanidade. E é impor­tante para que essas histórias não se repi­tam nun­ca mais”, acen­tu­ou.

Esma

A Esma foi uma insti­tu­ição mil­i­tar até 1983, quan­do a democ­ra­cia retornou ao país. O local foi recon­heci­do como um dos prin­ci­pais cen­tros clan­des­ti­nos de detenção, tor­tu­ra, desa­parec­i­men­to e exter­mínio de persegui­dos pelo regime mil­i­tar argenti­no. Em 2004, o gov­er­no da ex-pres­i­dente Cristi­na Kirch­n­er trans­for­mou o pré­dio em um espaço de memória e museu e o chamou de “Espa­cio para la Memo­ria y para la Pro­mo­ción y Defen­sa de los Dere­chos Humanos” ou Museu Sítio de Memória Esma.

Edição: Kle­ber Sam­paio

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Brasil diz na OEA que sequestro de Maduro é “afronta gravíssima”

Embaixador Benoni Belli participou de reunião da entidade nesta terça Ana Cristi­na Cam­pos — Repórter …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d