...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Economia / Streaming impulsiona crescimento do mercado fonográfico no Brasil

Streaming impulsiona crescimento do mercado fonográfico no Brasil

Repro­dução: © Her­bert Aust/Pixaba

Balanço da Pró-Musica Brasil mostra expansão de 15,4% no setor


Pub­li­ca­do em 22/03/2023 — 20:27 Por Alana Gan­dra – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

O mer­ca­do fono­grá­fi­co brasileiro arrecadou R$ 2,5 bil­hões em 2022, alta de 15,4% em com­para­ção com o ano ante­ri­or. É o sex­to ano con­sec­u­ti­vo de cresci­men­to do setor, con­forme bal­anço apre­sen­ta­do pela Pro-Músi­ca Brasil Pro­du­tores Fono­grá­fi­cos Asso­ci­a­dos, enti­dade que rep­re­sen­ta as prin­ci­pais gravado­ras e pro­du­toras fono­grá­fi­cas do país.O resul­ta­do foi equiv­a­lente a quase o dobro do obti­do nos últi­mos qua­tro anos e lev­ou o país a subir da déci­ma primeira para a nona posição no rank­ing da Fed­er­ação Inter­na­cional da Indús­tria Fono­grá­fi­ca (IFPI, do nome em inglês).

Em entre­vista nes­ta quar­ta-feira (22) à Agên­cia Brasil, o pres­i­dente da Pró-Músi­ca, Paulo Rosa, disse que os números do bal­anço se baseiam em infor­mações dos asso­ci­a­dos da enti­dade, que são os maiores pro­du­tores fono­grá­fi­cos que oper­am no Brasil, e tam­bém em esti­ma­ti­vas sobre o mer­ca­do inde­pen­dente.

“A arrecadação é exata­mente o que o mer­ca­do fono­grá­fi­co fatu­ra no que se ref­ere a ven­das físi­cas, que é muito pouco, no que se ref­ere aos meios dig­i­tais, em espe­cial ao stream­ing, que é a maior parte, e às exe­cuções públi­cas, que já abrangem os dire­itos conex­os, que cabem ao pro­du­tor fono­grá­fi­co, ao artista e aos músi­cos acom­pan­hantes”, expli­cou Paulo Rosa. Em ter­mos globais, o mer­ca­do cresceu 9% no ano pas­sa­do, arrecadan­do US$ 26,2 bil­hões, impul­sion­a­do pelo cresci­men­to do stream­ing por assi­natu­ra paga, segun­do a IFPI. Stream­ing é a tec­nolo­gia de trans­mis­são de con­teú­do online que per­mite con­sumir filmes, séries e músi­cas.

Con­sideran­do as ven­das dig­i­tais e físi­cas, a arrecadação no Brasil somou R$ 2,2 bil­hões, com expan­são de 15,4% sobre 2021. As receitas de exe­cução públi­ca ren­der­am R$ 323 mil­hões para pro­du­tores, artis­tas e músi­cos, com cresci­men­to de 15,3% em relação ao ano ante­ri­or. O stream­ing rep­re­sen­tou 86,2% do total arrecada­do, caben­do à exe­cução públi­ca 12,8%.

As ven­das físi­cas de CDs, DVDs e dis­cos de  vinil par­tic­i­param com 0,5% do total arrecada­do (R$ 12 mil­hões), com que­da de 3% sobre o ano ante­ri­or. No físi­co, os CDs foram o for­ma­to mais ven­di­do no ano pas­sa­do, com fat­u­ra­men­to de R$ 6,7 milhões, segui­do pelos dis­cos de vinil (R$ 4,7 milhões) e DVDs (R$ 0,4 milhão).

Continuidade

Para Paulo Rosa, a tendên­cia é que o cresci­men­to do setor con­tin­ue neste ano, emb­o­ra isso depen­da tam­bém do com­por­ta­men­to da econo­mia brasileira. Em 2016, hou­ve recuo nos dire­itos de exe­cução públi­ca, mas não foi na parte de stream­ing, lem­brou Rosa. “O for­ma­to stream­ing está crescen­do, des­de que foi ado­ta­do no Brasil, e a tendên­cia é con­tin­uar crescen­do no Brasil e no mun­do inteiro”. As ven­das físi­cas de CDs, vinil e DVDs rep­re­sen­tam hoje ape­nas 0,5% do fat­u­ra­men­to no país, onde quase não se encon­tram mais lojas espe­cial­izadas em músi­ca. “É muito difí­cil. O setor de vare­jo foi muito prej­u­di­ca­do e diminuiu muito durante os anos de pirataria físi­ca.”

Ele disse que não vê pos­si­bil­i­dade de recu­per­ação sig­ni­fica­ti­va das ven­das físi­cas, a não ser que ocor­ra um movi­men­to forte nesse sen­ti­do, e desta­cou a ressurgên­cia do vinil em alguns mer­ca­dos, emb­o­ra sem repe­tir as condições ante­ri­ores exis­tentes no Brasil. Segun­do o pres­i­dente do Pro-Músi­ca, a tendên­cia é que os for­matos físi­cos fiquem em um nicho, o que não sig­nifi­ca nec­es­sari­a­mente que con­tin­uem em que­da de fat­u­ra­men­to. “Eles podem ter até mais fat­u­ra­men­to, mas devem con­tin­uar no nicho. Pelo menos para os próx­i­mos anos, o for­ma­to dom­i­nante con­tin­uará sendo o das platafor­mas de stream­ing inter­a­ti­vo e on demand [con­teú­do fica disponív­el para ser assis­ti­do na hora que o usuário quis­er].”

Segun­do Paulo Rosa, a pan­demia da covid-19 não afe­tou o seg­men­to de stream­ing, que já vin­ha crescen­do e deu uma acel­er­a­da nos anos de 2020 e 2021, porque as pes­soas tiver­am que ficar em casa por causa do dis­tan­ci­a­men­to social e do tra­bal­ho remo­to, e procu­raram con­sumir con­teú­dos trans­mi­ti­dos pela inter­net. As platafor­mas de stream­ing, tan­to para músi­ca como para audio­vi­su­al tiver­am mais cresci­men­to no perío­do. “A pan­demia, de cer­ta for­ma, favore­ceu uma acel­er­ação do cresci­men­to. Aliás, 2022 foi o primeiro ano após a pan­demia, e ain­da se percebe cresci­men­to sig­ni­fica­ti­vo em relação a 2021.”

O Escritório Cen­tral de Arrecadação e Dis­tribuição (Ecad), admin­istra­do por sete asso­ci­ações de músi­ca, que facili­ta o proces­so de paga­men­to e dis­tribuição dos dire­itos autorais aos com­pos­i­tores e demais tit­u­lares, não quis comen­tar as informações.Segundo a asses­so­ria de impren­sa do Ecad, a insti­tu­ição “não comen­ta dados de ter­ceiros”.

De acor­do com o relatório da Fed­er­ação Inter­na­cional da Indús­tria Fono­grá­fi­ca, as receitas de stream­ing de áudio por assi­natu­ra, por meio de 589 mil­hões de usuários de con­tas de assi­natu­ra pagas, aumen­taram 10,3% no mun­do, atingin­do US$ 12,7 bil­hões, no final de 2022. O stream­ing total (incluin­do assi­natu­ra paga e suporte de pub­li­ci­dade) cresceu 11,5%, com arrecadação de US$ 17,5 bil­hões, ou 67% do total das receitas globais de músi­ca grava­da.

Mais tocadas

O relatório da Pro-Músi­ca traz a lista das 200 músi­cas mais tocadas nas platafor­mas de stream­ing no Brasil em 2022. As dez mais aces­sadas foram: Mal Feito (ao vivo), Hugo & Guil­herme, Marília Men­donça; Mal­vadão 3, Xamã, Gus­tah & Neo Beats; Vai Lá Em Casa Hoje (feat Marília Men­donça), George Hen­rique & Rodri­go; Blo­quea­do (ao vivo), Gust­ta­vo Lima; Mol­han­do o Volante, Jorge & Mateus; Ter­mi­na Comi­go Antes, Gust­ta­vo Lima; Mal­va­da, Zé Felipe; Bal­anço da Rede, Matheus Fer­nan­des & Xand Avião; A Maior Saudade (ao vivo), Hen­rique & Juliano; e Sen­ta­dona S2, Davi Kneip, Mc Frog, Dj Gabriel do Borel & Luísa Son­za.

A Pro-Músi­ca sub­sti­tu­iu, em 2016, a Asso­ci­ação Brasileira dos Pro­du­tores de Dis­cos (ABPD), cri­a­da em abril de 1958

Edição: Nádia Fran­co

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d