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Escritora carioca Nélida Piñon morre aos 85 anos em Lisboa

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Ela foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras


Pub­li­ca­do em 17/12/2022 — 17:44 Por Léo Rodrigues — Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A escrito­ra car­i­o­ca Nél­i­da Piñon mor­reu hoje (17) em Lis­boa, aos 85 anos. Inte­grante da Acad­e­mia Brasileira de Letras (ABL) des­de 1989, ela foi a primeira mul­her a pre­sidir a enti­dade. Ocupou o pos­to entre 1996 e 1997.

Em nota, a ABL desta­cou a importân­cia de Nél­i­da Piñon. A causa da morte não foi infor­ma­da. A enti­dade anun­ciou que o sepul­ta­men­to será no seu mau­soléu, mas não divul­gou a data. A real­iza­ção de uma Sessão da Saudade está con­fir­ma­da para o dia 2 de março de 2023, no Salão Nobre. A ABL infor­mou que tra­ta-se de uma cer­imô­nia tradi­cional, na qual os inte­grantes externarão o seu sen­tir e o seu pen­sar sobre a cole­ga hom­e­nagea­da. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) tam­bém lamen­tou a per­da de “uma das mais bril­hantes escritoras brasileiras”.

Descen­dente de gale­gos, Nél­i­da Piñon nasceu na cap­i­tal flu­mi­nense em 1937 e se for­mou em jor­nal­is­mo pela Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca do Rio de Janeiro. Estre­ou na lit­er­atu­ra com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcan­jo, pub­li­ca­do em 1961, que tem como temas o peca­do, o perdão e a relação dos mor­tais com Deus.

Em 1984, lançou uma de suas obras mais mar­cantes: A repúbli­ca dos son­hos. No romance, basea­do na história de uma família de imi­grantes gale­gos, ela faz reflexões sobre a Galí­cia, a Espan­ha e o Brasil.

Seus escritos foram traduzi­dos em mais de 30 país­es e con­tem­plam romances, con­tos, ensaios, dis­cur­sos, crôni­cas e memórias, que ren­der­am con­quis­tas impor­tantes, entre eles o Prêmio Jabu­ti, o mais tradi­cional recon­hec­i­men­to literário do Brasil. Ela rece­beu a hon­raria na edição de 2005 com o romance Vozes do Deser­to. Nél­i­da Piñon rece­beu ao lon­go de sua car­reira mais de 40 con­dec­o­rações nacionais e inter­na­cionais.

No meio acadêmi­co, foi pro­fes­so­ra na Fac­ul­dade de Letras da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ) e obteve o títu­lo de Doutor Hon­oris Causa em insti­tu­ições de ensi­no de difer­entes país­es. Em 1998, foi a primeira mul­her a alcançar esse feito na Uni­ver­si­dade de San­ti­a­go de Com­postela, na região da Galí­cia, na Espan­ha.

Sua morte foi lamen­ta­da por ami­gos nas redes soci­ais. “Um silên­cio ina­cred­itáv­el se faz na alma dos que amam a lit­er­atu­ra. A min­ha queri­da ami­ga de tan­tos anos, Nél­i­da Piñon nos deixou há pouco em Lis­boa. Ela me man­dou esta foto sem­ana pas­sa­da, prom­e­tendo estar hoje no Rio para um almoço. Tris­teza imen­sa”, escreveu o jor­nal­ista, escritor e gestor cul­tur­al Afon­so Borges. Jun­to à postagem, ele com­par­til­hou uma imagem da escrito­ra acari­cian­do no colo seu cachor­ro de esti­mação.

O sociól­o­go Sér­gio Abranch­es tam­bém prestou man­i­festou seu pesar. “Estou arrasa­do com a morte da ami­ga queri­da, Nél­i­da Piñon. Era de uma doçu­ra e gen­tileza inex­cedíveis. Uma escrito­ra forte. Uma mul­her autode­ter­mi­na­da. Uma per­da para o Brasil e para a lit­er­atu­ra. Uma per­da pes­soal. Falam­os pouco antes de ela par­tir para Espan­ha e Por­tu­gal”, escreveu.

*Matéria alter­a­da às 17h58 para acrésci­mo da nota da Acad­e­mia Brasileira de Letras.

Edição: Fer­nan­da Cruz

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