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Investigação: garimpo em área yanomami é mantido por crime organizado

Repro­dução: © Poli­cia Federal/divulgação

Garimpeiro morto era integrante de facção criminosa, informa governo


Pub­li­ca­do em 02/05/2023 — 05:58 Por Pedro Rafael Vilela — Envi­a­do espe­cial — Boa Vista (RR)

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Um dos qua­tro garimpeiros mor­tos por agentes de segu­rança no últi­mo domin­go (30) na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi, em Roraima, era inte­grante de uma facção crim­i­nosa com atu­ação nacional. Essa lin­ha de inves­ti­gação pas­sou a ser um dos focos de ações de inteligên­cia do gov­er­no fed­er­al na região. A infor­mação foi rev­e­la­da pelo pres­i­dente do Insti­tu­to Brasileiro de Meio Ambi­ente e Recur­sos Nat­u­rais Ren­ováveis (Iba­ma), Rodri­go Agostin­ho, em entre­vista a jor­nal­is­tas em Boa Vista, na noite dessa segun­da-feira (1º).

“Nos­so serviço de inteligên­cia tem encon­tra­do indí­cios muito fortes de que alguns pon­tos de garim­po são man­ti­dos com o apoio de orga­ni­za­ções crim­i­nosas. Isso está sendo inves­ti­ga­do. Uma das pes­soas que mor­reu na oper­ação de domin­go [30] tin­ha envolvi­men­to muito forte com uma das orga­ni­za­ções crim­i­nosas”, disse Agostin­ho. O pres­i­dente do Iba­ma fez parte de uma comi­ti­va do gov­er­no fed­er­al que esteve em Roraima para mon­i­torar a situ­ação dos yanoma­mi após aten­ta­do que deixou um indí­ge­na mor­to e dois feri­dos no últi­mo sába­do (29).

Um dia depois, qua­tro garimpeiros teri­am reagi­do à incursão de agentes da Polí­cia Rodoviária Fed­er­al (PRF) e do Iba­ma num pon­to de garim­po con­heci­do como Ouro Mil, den­tro da ter­ra indí­ge­na. Eles acabaram sendo mor­tos em con­fron­to. A Agên­cia Brasil apurou que um dos mor­tos com vín­cu­los ao crime orga­ni­za­do é do Amapá. Ele é apon­ta­do como inte­grante do grupo PCC, que tem origem em São Paulo, mas atua em todo o país.

No local do con­fron­to, segun­do a PRF, foi apreen­di­do um arse­nal de armas, com fuzil, três pis­to­las, sete esp­in­gar­das e duas miras holo­grá­fi­cas, além de munição de diver­sos cal­i­bres, car­regadores e out­ros equipa­men­tos béli­cos.

Lavagem e capitalização

Segun­do o pres­i­dente do Iba­ma, a atu­ação de facções crim­i­nosas é cada vez mais comum em ativi­dades extra­tivis­tas ile­gais, como o garim­po, a gri­lagem de ter­ras e o comér­cio clan­des­ti­no de madeira.

“A gente tem perce­bido que essas ativi­dades pas­saram a exercer uma atração de facções crim­i­nosas. Elas servem, ao mes­mo tem­po, como for­ma de lavagem de din­heiro, por meio do garim­po ile­gal, por exem­p­lo, mas tam­bém como fonte de cap­i­tal­iza­ção dess­es gru­pos, já que o trá­fi­co inter­na­cional de dro­gas deman­da grande inves­ti­men­to de oper­ação”, expli­cou Rodri­go Agostin­ho, em con­ver­sa com a Agên­cia Brasil.

Balanço

O Iba­ma infor­mou que, des­de o iní­cio da oper­ação, há cer­ca de três meses, foram destruí­dos 327 acam­pa­men­tos de garimpeiros, 18 aviões, dois helicópteros, cen­te­nas de motores e dezenas de bal­sas, bar­cos e tra­tores. Tam­bém foram apreen­di­das 36 toneladas de cas­si­teri­ta, 26 mil litros de com­bustív­el, além de equipa­men­tos usa­dos por crim­i­nosos.

Edição: Graça Adju­to

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