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Evento no Rio reforça importância da vacinação contra o HPV

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Entidades médicas sugeriram campanhas e capacitação de profissionais


Pub­li­ca­do em 07/12/2023 — 23:12 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Sociedades cien­tí­fi­cas expuser­am nes­ta quin­ta-feira (7), no Rio de Janeiro, as con­tribuições que vêm sendo dadas ao Min­istério da Saúde, e que podem ser inten­si­fi­cadas, no enfrenta­men­to dos cânceres sen­síveis à vaci­nação con­tra o Papi­lo­ma Vírus Humano (HPV).

As diver­sas enti­dades pre­sentes par­tic­i­param do even­to “Vaci­na e pre­venção do câncer: vários olhares, muitos desafios”, pro­movi­do pelo Insti­tu­to Nacional de Câncer (Inca), em parce­ria com a Orga­ni­za­ção Pan-Amer­i­cana da Saúde (Opas) e orga­ni­za­ções não gov­er­na­men­tais (ONGs).

A pres­i­dente da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções (SBIM), Môni­ca Levi, desta­cou entre as ações que podem ser ampli­adas o apoio à vaci­nação nas esco­las e a capac­i­tação de profis­sion­ais que atu­am na imu­niza­ção. Para retomar a con­fi­ança da pop­u­lação brasileira na vaci­nação e com­bat­er as notí­cias fal­sas, ela indi­cou a neces­si­dade de reforço na divul­gação dos bene­fí­cios da vaci­nação, com elab­o­ração de car­til­has e car­tazes, entre out­ros instru­men­tos, além de auxílio às ini­cia­ti­vas munic­i­pais e estad­u­ais.

Môni­ca salien­tou a importân­cia de serem cri­adas novas for­mas de sen­si­bi­lizar as ger­ações mais jovens para a vaci­nação con­tra o HPV, além do já con­heci­do per­son­agem do Zé Got­in­ha. Ela propôs ain­da apro­fun­dar a cam­pan­ha “Quem vaci­na não vac­ila” no dia a dia das esco­las. “É o cam­in­ho para ter as cober­turas vaci­nais”. A pres­i­dente da SBIM sug­eriu a con­strução de um vídeo de ani­mação de qua­tro a cin­co min­u­tos de duração para explicar à sociedade como o vírus HPV pode resul­tar em câncer anos depois, para exibição em salas de aula, no intu­ito de aju­dar os profis­sion­ais de edu­cação na con­sci­en­ti­za­ção das cri­anças e ado­les­centes sobre a importân­cia da imu­niza­ção.

Clínico da mulher

A pres­i­dente da Comis­são Nacional Espe­cial­iza­da (CNE) de Vaci­nas da Fed­er­ação Brasileira das Asso­ci­ações de Gine­colo­gia e Obstetrí­cia (Febras­go), Cecília Maria Roteli Mar­tins, disse ser pre­ciso redefinir a comu­ni­cação sobre infecções de trans­mis­são sex­u­al, inclu­sive nas redes soci­ais, além de inten­si­ficar a vaci­nação para pes­soas com HIV/Aids.

Ela recomen­dou ain­da a vaci­nação con­tra HPV para mul­heres com lesões de alto grau no colo do útero diag­nos­ti­cadas bio­logi­ca­mente. Segun­do a pres­i­dente da CNE da Febras­go, é impor­tante incen­ti­var a inte­gração entre os min­istérios da Edu­cação e da Saúde para a dis­sem­i­nação de infor­mações e o desen­volvi­men­to de estraté­gias vaci­nais, com ori­en­tações para pais e respon­sáveis. Mostrou tam­bém pre­ocu­pação com a hes­i­tação vaci­nal. “Os gine­col­o­gis­tas têm que ten­tar diminuir essa hes­i­tação, que é uma tendên­cia no Brasil que deve ser elim­i­na­da”, sug­eriu.

Orofaringe

Mem­bro da dire­to­ria da Sociedade Brasileira de Cirur­gia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), a douto­ra Izabela Cos­ta San­tos rela­tou que o câncer de oro­faringe é o de menor incidên­cia den­tre os cânceres provo­ca­dos pelo HPV.

A cirurgiã afir­mou que para a área de cabeça e pescoço, o HPV foi um mar­co impor­tante e provo­cou uma mudança grande no diag­nós­ti­co e trata­men­to a par­tir do ano 2000, levan­do os médi­cos a procu­rarem enten­der o que era essa patolo­gia. As alter­ações são difer­entes em pacientes com HPV pos­i­ti­vo e aque­les rela­ciona­dos com uso de taba­co e álcool, expli­cou.

Uma novi­dade intro­duzi­da a par­tir de 2012 foi a abor­dagem de pacientes com câncer de oro­faringe com cirur­gia robóti­ca, em sub­sti­tu­ição ao pro­ced­i­men­to inva­si­vo ante­ri­or, que incluía uma mandibulec­to­mia (aber­tu­ra do ros­to do paciente) para faz­er ressecção ou trata­men­to com quimioter­apia e radioter­apia, que ofer­e­cia resul­ta­dos difí­ceis. “Essa questão do gan­ho dessa tec­nolo­gia é até mes­mo no tem­po de inter­nação”, comen­tou Izabela.

Cobertura vacinal

A vaci­nação é con­sid­er­a­da estraté­gia cru­cial para pre­venir a infecção pelo HPV. Uma das metas é atin­gir 90% de cober­tu­ra vaci­nal entre meni­nas de até 15 anos, para reforçar as ações de vaci­nação con­tra o HPV no Brasil. No entan­to, a cober­tu­ra vaci­nal per­manece abaixo do esper­a­do, espe­cial­mente entre os meni­nos. Dados do Min­istério da Saúde mostram que, em 2021, somente 57,2% das meni­nas e 37,69% dos meni­nos tomaram as duas dos­es da vaci­na e estão com o cal­endário vaci­nal em dia, enfa­ti­zan­do a neces­si­dade de maior enga­ja­men­to na vaci­nação.

A vaci­nação con­tra o HPV no Brasil é real­iza­da pelo Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS), sendo disponi­bi­liza­da para meni­nas e meni­nos entre 9 e 14 anos, com a admin­is­tração de duas dos­es.

Tam­bém podem se vaci­nar mul­heres e home­ns de 15 a 45 anos que apre­sen­tam uma das seguintes condições: pes­soas viven­do com HIV, trans­plan­ta­dos de órgãos sóli­dos ou medu­la óssea, pacientes oncológi­cos, imunos­suprim­i­dos por doenças e/ou trata­men­to com dro­gas imunos­su­pres­so­ras e víti­mas de vio­lên­cia sex­u­al. De acor­do com o min­istério, ess­es gru­pos são mais suscetíveis a infecções per­sis­tentes pelo HPV e têm um risco ele­va­do de desen­volver câncer e out­ras com­pli­cações asso­ci­adas ao vírus.

Edição: Marce­lo Brandão

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