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Desafio do Desodorante: polícia do DF apura morte de menina de 8 anos

Criança teria inalado produto imitando vídeos nas redes sociais

Alex Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 14/04/2025 — 16:43
Brasília
Brasília (DF) - Direção-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal. Foto: PCDF
Repro­dução: © PCDF

A Polí­cia Civ­il do Dis­tri­to Fed­er­al instau­rou inquéri­to para inves­ti­gar as cir­cun­stân­cias da morte de uma meni­na de 8 anos, em Ceilân­dia (DF). A família afir­ma que ela par­ticipou de um desafio com­par­til­ha­do pelas redes soci­ais, chama­do Desafio do Des­odor­ante.

Sarah Raís­sa Pereira de Cas­tro esta­va inter­na­da no Hos­pi­tal Region­al de Ceilân­dia (HRC) des­de a últi­ma quin­ta-feira (10) e mor­reu no últi­mo domin­go (13). Segun­do a Polí­cia Civ­il, a garo­ta foi encon­tra­da em sua casa, des­ma­ia­da, segu­ran­do um fras­co de des­odor­ante aerossol.

A sus­pei­ta é que a meni­na ten­ha inal­a­do o pro­du­to após assi­s­tir a uma espé­cie de pro­va, o Desafio do Des­odor­ante, na rede social Tik Tok.

“O episó­dio resul­tou em uma para­da car­dior­res­pi­ratória, sendo a víti­ma rean­i­ma­da após cer­ca de 60 min­u­tos, porém sem apre­sen­tar reflex­os neu­rológi­cos, o que cul­mi­nou na con­statação de morte cere­bral”, detal­hou a Polí­cia Civ­il, expli­can­do que par­entes de Bren­da a levaram às pres­sas ao hos­pi­tal.

Com a instau­ração do inquéri­to poli­cial, a 15ª Del­e­ga­cia de Polí­cia do Dis­tri­to Fed­er­al vai ten­tar esclare­cer se e como Sarah teve aces­so à divul­gação do desafio e iden­ti­ficar os even­tu­ais respon­sáveis por sua pub­li­cação.

“Os envolvi­dos poderão respon­der por homicí­dio dupla­mente qual­i­fi­ca­do (por emprego de meio capaz de causar peri­go comum e por se tratar de víti­ma menor de 14 anos), crime cuja pena pode chegar a 30 anos de reclusão”, acres­cen­tou a Polí­cia Civ­il, na mes­ma nota.

Segundo caso

A morte de Sarah é a segun­da de uma cri­ança brasileira asso­ci­a­da à divul­gação do chama­do Desafio do Des­odor­ante em ape­nas um mês. Em 9 de março, Bren­da Sophia Melo de San­tana, de 11 anos, fale­ceu no Hos­pi­tal Munic­i­pal Dr. Miguel Arraes, em Bom Jardim (PE), a cer­ca de 100 quilômet­ros de Recife.

Segun­do a prefeitu­ra de Bom Jardim, a mãe de Bren­da encon­trou a fil­ha quase des­fale­ci­da e a lev­ou às pres­sas para o hos­pi­tal. No tra­je­to, a meni­na sofreu uma para­da car­dior­res­pi­ratória e des­maiou. Já na unidade de saúde, profis­sion­ais a sub­me­ter­am ao pro­to­co­lo de ani­mação por quase 40 min­u­tos, mas Bren­da não resis­tiu.

De acor­do com a prefeitu­ra de Bom Jardim, par­entes de Bren­da afir­maram que a meni­na tin­ha o hábito de inalar des­odor­ante, ten­do sido adver­ti­da várias vezes. A prefeitu­ra ain­da aler­tou para a importân­cia dos respon­sáveis ori­entarem as cri­anças sobre os riscos do uso inad­e­qua­do de sub­stân­cias quími­cas e pro­du­tos domés­ti­cos, “bem como sobre os peri­gos rela­ciona­dos ao uso de smart­phones, inter­net e redes soci­ais, espe­cial­mente em desafios vir­tu­ais que podem com­pro­m­e­ter a saúde e a vida dos jovens.”

Risco grave

Médi­ca assis­tente do Cen­tro de Infor­mação e Assistên­cia Tox­i­cológ­i­ca (CIA­Tox), da Fac­ul­dade de Ciên­cias Médi­cas da Uni­ver­si­dade de Camp­inas (Uni­camp), a pedi­atra Cami­la Car­bone Pra­do expli­cou à Agên­cia Brasil que a inalação inde­v­i­da de pro­du­tos quími­cos, entre eles, os des­odor­antes, podem causar quadros muito graves, que podem ou não resul­tar na morte das víti­mas.

“Podem acon­te­cer várias coisas com a pes­soa. Des­de arrit­mias cardía­cas cau­sadas pela inalação de alguns dos gas­es [tóx­i­cos] exis­tentes nestes pro­du­tos, como o butano, que podem resul­tar em uma para­da cardía­ca; a asfix­ia, que afe­ta o cére­bro, com­pro­m­e­tendo os neurônios, até, no lim­ite, a morte”, comen­tou a médi­ca, acres­cen­tan­do que o uso inde­v­i­do dos des­odor­antes spray tam­bém podem afe­tar os pul­mões de difer­entes e graves for­mas.

Em uma ráp­i­da pesquisa na inter­net, a reportagem encon­trou menções ao Desafio dos Des­odor­antes que remon­ta a, pelo menos, 2018.

“Elas pare­cem inofen­si­vas, mas não são. Há vários casos descritos de óbitos cau­sa­dos por este desafio, [que moti­va] a exposição inde­v­i­da do pro­du­to”, con­fir­mou Cami­la ao se referir a sua exper­iên­cia jun­to à equipe do CIA­Tox.

“Já par­tic­i­pamos do atendi­men­to de alguns casos, tan­to aqui, no Hos­pi­tal das Clíni­cas da Uni­camp, no final de 2022, quan­to ofer­e­cen­do apoio tele­fôni­co, em out­ros momen­tos”, disse a médi­ca, desta­can­do que, em casos de intox­i­cação, quan­to mais rápi­do uma pes­soa rece­ber atendi­men­to médi­co, maiores as chances de ela ser sal­va, com menos seque­las.

“É impor­tante bus­car socor­ro o mais rápi­do pos­sív­el. Chamar uma ambulân­cia ou, se pos­sív­el, levar a pes­soa o mais rap­i­da­mente para um local de atendi­men­to de urgên­cia. O tem­po é um fator pri­mor­dial.”

Até a pub­li­cação des­ta reportagem, a empre­sa Tik Tok não tin­ha se man­i­fes­ta­do sobre a acusação de que a meni­na Sarah Raís­sa tomou con­hec­i­men­to do Desafio do Des­odor­ante ao uti­lizar a platafor­ma dig­i­tal. A Agên­cia Brasil segue aguardan­do uma respos­ta.

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