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Museu do Pontal, no Rio, celebra as tradições das festas nordestinas

Evento será neste sábado e domingo, com transporte gratuito

Cristi­na Indio do Brasil — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 12/07/2025 — 08:05
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 11/07/2025 - Arraiá do Museu do Pontal. Foto: Ratão Diniz/Arraía do Pontal
Repro­dução: © Ratão Diniz/Arraía do Pon­tal

O Arraiá do Museu do Pon­tal 2025, no Rio de Janeiro, vai cel­e­brar, neste fim de sem­ana, os artis­tas e as cul­turas pop­u­lares do Nordeste brasileiro. Não vão fal­tar atrações gra­tu­itas para todas as idades. 

Neste sába­do (12), com dire­ito à comem­o­ração dos 30 anos de car­reira, a ban­da per­nam­bu­cana Mestre Ambró­sio se apre­sen­ta a par­tir das 19h30. O grupo é um dos maiores destaques do movi­men­to mangue­beat, que jun­tou ele­men­tos da cul­tura pop­u­lar nordes­ti­na, por exem­p­lo, o mara­catu, com o pop inter­na­cional, como o rock, a músi­ca eletrôni­ca e o hip hop.

No domin­go (13), será a vez da san­foneira Ceiça Moreno que subirá ao pal­co acom­pan­ha­da da atriz, can­to­ra e com­pos­i­to­ra alagoana Vitória Rodrigues.

“A expec­ta­ti­va é sem­pre grande, porque parece sem­pre a primeira vez. Cada lugar é difer­ente e como per­nam­bu­cana fico muito feliz. Estou muito con­tente”, disse Ceiça Moreno à Agên­cia Brasil sobre o que espera da apre­sen­tação.

A san­fona sem­pre foi uma paixão para a Ceiça, que aos 78 anos de idade, disse que vive um momen­to de feli­ci­dade na vida, por poder se dedicar mais ao instru­men­to que con­heceu ain­da cri­ança.

Ela elo­giou a pro­gra­mação do Arraiá do Museu do Pon­tal 2025, que tem ativi­dades para cri­anças.

“É muito impor­tante para que no futuro não se per­ca essa cul­tura. A gente não pode aban­donar o pas­sa­do, não pode esque­cer, porque se não vai se perder tudo. É bom que cresçam com esse con­hec­i­men­to”.

Ceiça lem­bra que já atu­ou em peças teatrais e em par­tic­i­pações de shows da can­to­ra Elba Ramal­ho, mas para ela, o que mais a sat­is­faz, é a músi­ca.

“Não sou atriz não, sou mes­mo é da min­ha san­fon­in­ha, fazen­do meu for­roz­in­ho”, con­fes­sou a per­nam­bu­cana que traz a cidade em que nasceu no sobrenome artís­ti­co.

A atriz, can­to­ra e com­pos­i­to­ra alagoana Virgí­nia Rodrigues disse que é uma imen­sa ale­gria poder se apre­sen­tar com a Ceiça, prin­ci­pal­mente porque ela rep­re­sen­ta uma out­ra ger­ação de can­toras que fiz­er­am história.

“É uma hon­ra poder tam­bém traz­er um pouco da nos­sa cul­tura pop­u­lar nordes­ti­na para o Museu do Pon­tal, que preser­va tan­to essa cul­tura. É uma fes­ta, é mui­ta ale­gria essa cul­tura viva que é o São João. Para o nordes­ti­no que fica fora do Nordeste esta época ele fica com o coração aper­ta­do, mas quan­do a gente vai para uma fes­ta jun­i­na, como essa que o Museu do Pon­tal prepara, enche o nos­so coração de ale­gria e dá para matar um pouquin­ho a saudade dos folgue­dos”, disse à Agên­cia Brasil.

Pela primeira vez, o grupo Coco Raízes de Arcoverde fará uma ofic­i­na e apre­sen­tação com o Mestre Assis Cal­ix­to, con­sid­er­a­do patrimônio vivo de Per­nam­bu­co. Ele é um dos respon­sáveis por trans­for­mar a cidade de Arcoverde na Cap­i­tal do Sam­ba de Coco, a região que fica entre o agreste e o sertão, celeiro de grandes mestres da cul­tura per­nam­bu­cana. A ativi­dade será no sába­do, às 13h e 15h30.

“A gente tam­bém está trazen­do dois rep­re­sen­tantes da Paraí­ba, que estão no Rio de Janeiro, que é o [Marce­lo] Mimoso, fil­ho de san­foneiro com uma tra­jetória ded­i­ca­da ao for­ró, e Edmil­son dos Tecla­dos, que tem trazi­do o piseiro. Vai ter tam­bém o repente com Miguel Bez­er­ra em um diál­o­go com o Via­jante Líri­co, que é da zona oeste e é do rap. Eles vão faz­er o encon­tro entre o rap e o repente. Vai ser fan­tás­ti­co”, anun­ciou o dire­tor exec­u­ti­vo do museu, Lucas Van de Beuque, empol­ga­do em ter novi­dades e exper­iên­cias musi­cais na pro­gra­mação.

Após o rit­u­al da fogueira, que cos­tu­ma ser um dos mais aguarda­dos da fes­ta, o públi­co vai poder dançar quadrilha nos dois dias da pro­gra­mação. No começo da noite, um corte­jo pux­a­do pelos arte-edu­cadores do Museu do Pon­tal vai levar os vis­i­tantes para o ter­reiro onde está uma grande fogueira, com 2 met­ros de altura, ten­do como tril­ha sono­ra clás­si­cos juni­nos.

Rio de Janeiro (RJ), 11/07/2025 - Arraiá do Museu do Pontal. Foto: Ratão Diniz/Arraía do Pontal
Repro­dução: Quadrilha do Arraiá do Museu do Pon­tal — Foto: Ratão Diniz/Arraiá do Pon­tal

Lucas Van de Beuque lem­bra que esta é a quar­ta edição do Arraiá, na atu­al sede do Museu, na Bar­ra da Tiju­ca, zona oeste do Rio de Janeiro. Antes era no Recreio dos Ban­deirantes.

“A gente pen­sa esse momen­to do Arraiá muito com­ple­to. Des­de a exposição que a gente sem­pre inau­gu­ra, que no ano pas­sa­do foi do J.Borges, e este ano é a exposição do Rat­in­ho, a gente tam­bém pen­sa nos shows, nas per­for­mances, nas ofic­i­nas, todo esse con­jun­to de uma for­ma muito inte­gral, pen­san­do nes­sa importân­cia da cul­tura pop­u­lar brasileira, essa cul­tura de tradição, que atrav­es­sa ger­ações e se ren­o­va a todo tem­po. É o caso do Mestre Ambró­sio, que está comem­o­ran­do 30 anos e o movi­men­to de Per­nam­bu­co de val­oriza­ção dos mestres da cul­tura pop­u­lar e de repen­sar essa pro­dução estéti­ca, musi­cal e per­for­máti­ca. É um con­jun­to que eles trazem”.

O dire­tor do museu desta­cou ain­da a pre­sença de Cacau Ama­r­al, do Maran­hão, que vai faz­er uma ofic­i­na de bum­ba meu boi.

“Vai ter uma par­tic­i­pação grande nordes­ti­na na fes­ta, mas ain­da tem uma tur­ma do Rio que tam­bém reper­cute a cul­tura nordes­ti­na de uma maneira espe­cial. Acho que essa fes­ta é um pouco isso, a cul­tura tradi­cional que vai estar pre­sente na culinária, nas brin­cadeiras, na fogueira, na músi­ca, mas ao mes­mo tem­po as ren­o­vações que ven­ham anco­radas nes­sa tradição tão impor­tante”, afir­mou.

Para a dire­to­ra do Museu do Pon­tal, Angela Masce­lani, o Arraiá traz as fes­tas jun­i­nas que estão no coração de todos os brasileiros, com a opor­tu­nidade de faz­er um mer­gul­ho na cul­tura nordes­ti­na como um todo.

“A gente faz uma pro­gra­mação muito com­ple­ta não só da músi­ca, da comi­da, da per­for­mance, mas tam­bém trazen­do os artis­tas pop­u­lares, uma vez que no Museu do Pon­tal o foco são os artis­tas pop­u­lares. É mais uma maneira da gente poder hom­e­nagear e pen­sar ness­es artis­tas impor­tantes que têm esse cir­cuito e tam­bém essas fes­tas na sua base”, disse à Agên­cia Brasil.

A pre­sença do Rat­in­ho, que o públi­co vai poder admi­rar o tra­bal­ho na exposição deste ano, é comem­o­ra­da por Angela Masce­lani, para quem o artista, que desen­volve a sua arte no Alto do Moura, bair­ro de Caru­aru, tem um tra­bal­ho espe­cial.

“Ele faz uma pro­dução muito par­tic­u­lar, muito for­ma­da pela con­tem­po­ranei­dade audio­vi­su­al que a gente tem hoje e pela cul­tura de mas­sa. É muito inter­es­sante tam­bém a gente ver como a arte pode acon­te­cer e os artis­tas se expres­sam de maneiras difer­entes, de acor­do com suas épocas, rompen­do e apro­fun­dan­do os lim­ites da época. O Rat­in­ho traz os seus mon­stros, que são muito diver­tidos, e por out­ro lado ele abre a per­spec­ti­va da gente pen­sar a arte de Caru­aru do Alto do Moura, porque o ateliê dele é no Alto do Moura, como essa pos­si­bil­i­dade de cada um expres­sar o seu mais pro­fun­do cria­ti­vo”, disse.

O Museu do Pon­tal é con­sid­er­a­do o maior e mais sig­ni­fica­ti­vo museu de arte pop­u­lar do país. Seu acer­vo, resul­ta­do de 45 anos de pesquisas e via­gens por todo país do design­er francês Jacques Van de Beuque, é com­pos­to por mais de 9.000 peças de 300 artis­tas brasileiros, pro­duzi­das a par­tir do sécu­lo XX.

Por meio da Lei Fed­er­al de Incen­ti­vo à Cul­tura, o Museu do Pon­tal tem como patroci­nador mas­ter a Shell, como patroci­nador estratégi­co o Insti­tu­to Cul­tur­al Vale e como patronos Rep­sol Sinopec Brasil, Terni­um, Tenaris e Itaú, além da Prefeitu­ra do Rio.

Como o esta­ciona­men­to do museu estará fecha­do, a recomen­dação é para o públi­co usar o trans­porte ofi­cial da fes­ta. Vans gra­tu­itas sairão da estação de metrô Jardim Oceâni­co (aces­so A — Lagoa) e do esta­ciona­men­to do ter­mi­nal de ônibus Alvo­ra­da, com uma para­da no New York City Cen­ter (pon­to dos con­domínios). Para obter infor­mações ness­es locais, a recomen­dação é procu­rar pelo ori­en­ta­dor de públi­co do Museu do Pon­tal.

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