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Butantan recruta idosos para ensaio clínico da vacina da dengue

Testes serão realizados em 767 voluntários de 60 a 79 anos

Flávia Albu­querque — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 13/01/2026 — 15:14
São Paulo
Brasília (DF) 01/02/2024 - Butantan publica no NEJM dados que demonstram que vacina da dengue protege 79,6% dos imunizados Foto: Butantan/Divulgação
Repro­dução: © Butantan/Divulgação

O Insti­tu­to Butan­tan está recru­tan­do, a par­tir des­ta terça-feira (13), 767 vol­un­tários de 60 a 79 anos para ensaios clíni­cos com a sua vaci­na da dengue, a Butantan‑D. Os testes serão real­iza­dos ao lon­go do ano em qua­tro cen­tros de pesquisa em Por­to Ale­gre e Pelotas (RS) e um em Curiti­ba (PR). Par­tic­i­pam ain­da, 230 adul­tos de 40 a 59 anos como grupo con­t­role em cin­co cen­tros de pesquisa no RS e PR.

Os 997 par­tic­i­pantes do sexo mas­culi­no ou fem­i­ni­no, pre­cisam estar saudáveis ou com comor­bidades con­tro­ladas. Será feito um sorteio entre os idosos para rece­ber a vaci­na (690 par­tic­i­pantes) ou o place­bo (77 par­tic­i­pantes), enquan­to os 230 adul­tos (de 40 a 59 anos) rece­berão a vaci­na, sem sorteio para grupo place­bo.

Segun­do o Insti­tu­to Butan­tan, o obje­ti­vo dessa fase do estu­do é avaliar a segu­rança e com­parar a respos­ta imunológ­i­ca por meio de testes lab­o­ra­to­ri­ais para enten­der se a pro­dução de anti­cor­pos dos par­tic­i­pantes idosos é semel­hante à do grupo adul­to já acom­pan­hado nos estu­dos ante­ri­ores da Butan­tan-DV.

O recru­ta­men­to começa no Hos­pi­tal São Lucas da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Por­to Ale­gre (RS) e os inter­es­sa­dos em par­tic­i­par podem se inscr­ev­er ao preencher um ques­tionário. Em segui­da, as inscrições ocor­rerão nos out­ros qua­tro cen­tros: o Hos­pi­tal Moin­hos de Ven­to e o Núcleo de Pesquisa Clíni­ca do Rio Grande do Sul (PUCRS), ambos na cap­i­tal gaúcha; o Hos­pi­tal Esco­la da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh), em Pelotas (RS); e o Serviço de Infec­tolo­gia e Con­t­role de Infecção Hos­pi­ta­lar de Curiti­ba (PR).

“A faixa etária de maiores de 60 anos está entre as mais impactadas pela mor­bidade da dengue, por isso con­sid­er­amos de suma importân­cia que tal faixa etária ten­ha a opor­tu­nidade de se pro­te­ger através da vaci­nação. Este é o obje­ti­vo pri­mor­dial deste estu­do: garan­tir a segu­rança para que pes­soas entre 60 e 79 anos pos­sam rece­ber a Butan­tan-DV”, afir­mou a dire­to­ra médi­ca do Butan­tan, Fer­nan­da Bou­los.

De acor­do com o gestor médi­co de desen­volvi­men­to clíni­co do Butan­tan Érique Miran­da, a maio­r­ia dos par­tic­i­pantes da pesquisa terá que faz­er ape­nas qua­tro vis­i­tas ao cen­tro durante o estu­do. A ideia é faz­er um estu­do ‘enx­u­to’ para facil­i­tar a par­tic­i­pação das pes­soas.

“A primeira visi­ta já para tomar a vaci­na, com retorno em 22 dias; depois em 42 dias; e um ano depois da vaci­nação para cole­ta de sangue. Ini­cial­mente 56 idosos terão que faz­er mais vis­i­tas para cole­ta de exam­es de viremia. É um estu­do enx­u­to para facil­i­tar a par­tic­i­pação das pes­soas”, expli­cou.

Miran­da desta­cou que o Paraná e o Rio Grande do Sul foram escol­hi­dos para o teste por serem cen­tros de baixa prevalên­cia de casos de dengue, com 5 a 10% de casos e que teria uma soro­prevalên­cia de até 20%, sendo um bom con­t­role. Tam­bém foram avali­adas as pos­si­bil­i­dades de incluir regiões com grande parte da pop­u­lação já expostas à dengue, como Recife (PE), Sal­vador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN). Entre­tan­to, os resul­ta­dos pode­ri­am influ­en­ciar os resul­ta­dos pela pre­sença de anti­cor­pos da doença no sangue.

A vacina

A Butan­tan-DV foi aprova­da pela Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa) em 26 de novem­bro de 2025 para ser uti­liza­da na pop­u­lação brasileira de 12 a 59 anos. Com dose úni­ca, o imu­nizante foi incor­po­ra­do ao Pro­gra­ma Nacional de Imu­niza­ções (PNI) e o Min­istério da Saúde já adquir­iu as primeiras 1,3 mil­hão de dos­es fab­ri­cadas pelo Butan­tan. Elas serão des­ti­nadas a agentes de saúde e a pes­soas com 59 anos, com expan­são grad­ual para as demais faixas etárias até chegar ao públi­co de 15 anos.

Uma parte dessas dos­es será apli­ca­da pelo SUS, a par­tir de 17 de janeiro, nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), e Botu­catu (SP), na pop­u­lação entre 15 e 59 anos. A estraté­gia visa avaliar os resul­ta­dos da vaci­nação em mas­sa da pop­u­lação dess­es municí­pios. O obje­ti­vo é vaci­nar pelo menos 50% dos moradores.

“Vários estu­diosos apon­tam a pos­si­bil­i­dade de uma alta capaci­dade de con­t­role da infecção e do quadro epidêmi­co da dengue se a gente chegar entre 40% e 50% da pop­u­lação vaci­na­da. Vamos começar a vaci­nação nes­sas cidades para acom­pan­har o impacto que isso tem nes­sas cidades. Vamos acom­pan­har isso por um perío­do de anos para avaliar aqui­lo que pode ser uma parte impor­tante da estraté­gia do resul­ta­do da acel­er­ação da vaci­nação no país”, expli­cou o min­istro da Saúde, Alexan­dre Padil­ha, durante cer­imô­nia de assi­natu­ra de con­tra­to para com­pra de vaci­na da dengue do Butan­tan, em dezem­bro do ano pas­sa­do.

Os ensaios clíni­cos da Butan­tan-DV foram encer­ra­dos em jun­ho de 2024, quan­do o últi­mo par­tic­i­pante com­ple­tou 5 anos de acom­pan­hamen­to e os dados mostram 79,6% de eficá­cia ger­al para pre­venir casos de dengue sin­tomáti­ca. Os resul­ta­dos mostram uma pro­teção de 89% con­tra dengue grave e dengue com sinais de alarme. A vaci­na mostrou 74,7% de eficá­cia ger­al e 91,6% de eficá­cia con­tra dengue grave e com sinais de alarme no públi­co de 12 a 59 anos.

Dengue

A dengue é uma doença cau­sa­da por um vírus que é trans­mi­ti­do pelo mos­qui­to Aedes aegyp­ti. Os sin­tomas mais comuns da doença são febre alta, dor atrás dos olhos, dor no cor­po, man­chas aver­mel­hadas na pele, coceira, náuse­as e dores mus­cu­lares e artic­u­lares. Uma das prin­ci­pais for­mas de pre­venção da doença é o com­bate ao mos­qui­to trans­mis­sor. Isso pode ser feito elim­i­nan­do água para­da ou obje­tos que acu­mulem água como pratos de plan­tas ou pneus usa­dos.

 

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