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Alunos da rede pública participam de mostra de cinema na França

Repro­dução: © Maria Car­oli­na Cas­tro

Estudantes brasileiros apresentarão seus filmes no encontro


Pub­li­ca­do em 28/05/2022 — 09:30 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Fun­dado­ra da orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal (ONG) Raiar, a pro­fes­so­ra e dire­to­ra do Pro­gra­ma Ima­gens em Movi­men­to (PIM), Ana Dil­lon, ex-mon­ta­do­ra de filmes do cineas­ta Eduar­do Coutin­ho, fale­ci­do em 2014, embar­ca neste sába­do (28) para a França, acom­pan­ha­da por seis estu­dantes dos níveis médio e fun­da­men­tal da rede públi­ca de ensi­no. O grupo par­tic­i­pará do encon­tro inter­na­cional À nous le cin­e­ma! Une expe­ri­ence inter­na­tionale de ciné­ma à l’é­cole em Pan­tin, na per­ife­ria de Paris.

O even­to acon­tece de 1º a 3 de jun­ho, pela primeira vez pres­en­cial­mente des­de o iní­cio da pan­demia de covid-19, e per­mi­tirá aos estu­dantes brasileiros apre­sentarem os filmes real­iza­dos em suas esco­las. Os seis alunos são moradores do Rio de Janeiro, de Camaçari (BA) e Várzea Paulista (SP). O retorno ao Brasil está pre­vis­to para 5 de jun­ho.

O Pro­gra­ma Ima­gens em Movi­men­to (PIM) foi cri­a­do há 12 anos por Ana Dil­lon, com o obje­ti­vo de ofer­e­cer ofic­i­nas de cri­ação e real­iza­ção artís­ti­ca em esco­las públi­cas. “A gente tra­bal­ha com cin­e­ma, músi­ca, expressão cor­po­ral”, disse Ana à Agên­cia Brasil. As ofic­i­nas ocor­rem em horários fora das aulas nor­mais, de modo a pro­mover ocu­pação inte­gral no horário esco­lar. “Se os alunos estu­dam pela man­hã, eles par­tic­i­pam à tarde; se eles são da tarde, as ofic­i­nas acon­te­cem de man­hã. É uma for­ma de faz­er com que o horário deles na esco­la seja mais exten­so”.

Rede

O PIM é uma parce­ria pio­neira na Améri­ca Lati­na, com uma rede mundi­al de 16 orga­ni­za­ções ded­i­cadas ao ensi­no de cin­e­ma e audio­vi­su­al em esco­las, chama­da Cin­e­ma, 100 anos de juven­tude. A rede con­ta com a ori­en­tação ger­al do cineas­ta e pro­fes­sor Alain Bergala, con­sid­er­a­do refer­ên­cia mundi­al no cam­po da ped­a­gogia do cin­e­ma. Ele defende o ensi­no do cin­e­ma para cri­anças e ado­les­centes na esco­la.

Bergala foi ori­en­ta­dor de mestra­do de Ana Dil­lon na França e já estu­da­va, à época, como a edu­cação gan­ha com o ensi­no do cin­e­ma nas esco­las, como a edu­cação cin­e­matográ­fi­ca pode con­tribuir para uma edu­cação ino­vado­ra, que seja difer­ente dos moldes tradi­cionais e, ao mes­mo tem­po, como o cin­e­ma pode se ali­men­tar de novos olhares, “dess­es olhares fres­cos e jovens, que são os de cri­anças e ado­les­centes”, desta­cou a cineas­ta.

A ideia, afir­mou Ana, é jun­tar pro­fes­sores, cineas­tas e estu­dantes para olhar para o cin­e­ma e, jun­tos, dis­cu­tir e debater o que é faz­er cin­e­ma, partin­do da ideia de que não há for­ma cer­ta ou erra­da. “O que inter­es­sa é que a gente apren­da jun­to, que a gente troque olhares, ideias, per­cepções. O tra­bal­ho parte muito dessa pre­mis­sa”.

O even­to mar­ca o encon­tro anu­al da rede Cin­e­ma, 100 anos de juven­tude, cri­a­da em 1995. Cada um dos 16 país­es par­tic­i­pantes vai exibir dois filmes. O Brasil será rep­re­sen­ta­do por um cur­ta-metragem do Rio de Janeiro e out­ro de Camaçari (BA). Além dos dois estu­dantes que rep­re­sen­tarão suas esco­las no even­to com os filmes pro­duzi­dos, mais qua­tro alunos de esco­las públi­cas vão par­tic­i­par dos debates, emb­o­ra não ten­ham seus filmes pro­je­ta­dos.

O resul­ta­do, segun­do Ana Dil­lon, é bas­tante pos­i­ti­vo. “Surge uma tro­ca de exper­iên­cias. São país­es de con­tex­tos soci­ais e cul­tur­ais muito diver­sos”. Entre os par­tic­i­pantes estão Japão, Fin­lân­dia, Uruguai, Méx­i­co, Itália, Inglater­ra, Escó­cia e Brasil. As tro­cas abrangem não só a esfera cin­e­matográ­fi­ca, mas tam­bém de vida, porque os filmes são todos inspi­ra­dos nas vivên­cias dos estu­dantes. Nas pelícu­las, eles falam de suas vidas, dos lugares onde moram, das questões que estão na ordem do dia para cada um. “Os debates tratam tan­to da con­strução cin­e­matográ­fi­ca, quan­to das histórias con­tadas, das inspi­rações que mobi­lizaram a rede”.

Cada orga­ni­za­ção que par­tic­i­pa da rede encon­tra recur­sos para finan­ciar as ofic­i­nas e via­gens por con­ta própria. No caso da Raiar, que par­tic­i­pa da rede des­de 2011, a ONG tem com patrocínios cul­tur­ais de empre­sas pelas leis fed­er­al e munic­i­pal de Incen­ti­vo à Cul­tura.

Balanço

Ana Dil­lon infor­mou que ao lon­go dess­es 12 anos do pro­gra­ma, foram exibidos no encon­tro inter­na­cional 18 filmes pro­duzi­dos por alunos de esco­las públi­cas brasileiras. Em 2020 e 2021, em razão da pan­demia de covid-19, o even­to ocor­reu de for­ma vir­tu­al, impedin­do os filmes de serem exibidos pres­en­cial­mente.

Já par­tic­i­param do Pro­gra­ma Ima­gens em Movi­men­to cer­ca de 1.400 alunos e 100 edu­cadores de todo o país, com a pro­dução de mais de 160 filmes nas ofic­i­nas. Este ano, os eixos temáti­cos do PIM estão volta­dos para as questões da iden­ti­dade, do ter­ritório, da cul­tura afro-brasileira e da diver­si­dade de gêneros. A intenção é “inte­grar os estu­dantes brasileiros neste con­tex­to de van­guar­da mundi­al em condição de igual­dade, con­tribuin­do para a trav­es­sia de alguns abis­mos soci­ais que, tradi­cional­mente, iso­lam os estu­dantes da rede públi­ca”, disse Ana Dil­lon. Os cur­tas-metra­gens pro­duzi­dos pelos alunos são envi­a­dos tam­bém para fes­ti­vais nacionais e inter­na­cionais estu­dan­tis.

No final do ano, são feitas mostras aber­tas e gra­tu­itas no âmbito do pro­gra­ma. São exibidos na ocasião filmes de par­ceiros estrangeiros tam­bém. “Isso deve acon­te­cer em dezem­bro, em salas de cin­e­ma, em even­tos aber­tos ao públi­co e gra­tu­itos, no Rio de Janeiro”. Serão feitas ain­da ver­sões menores em out­ras cidades, como Vitória, Várzea Paulista, Camaçari e Macaé.

Edição: Graça Adju­to

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