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Aplicativo deve agilizar pré-cadastro de doadores de medula óssea

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Já foram feitos 13.021 downloads


Pub­li­ca­do em 18/09/2021 — 09:05 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

O Reg­istro Nacional de Doadores Vol­un­tários de Medu­la Óssea (Redome), coor­de­na­do pelo Insti­tu­to Nacional de Câncer José Alen­car Gomes da Sil­va (Inca), apre­sen­ta neste sába­do (18), no Rio de Janeiro, um novo aplica­ti­vo que vai agilizar a atu­al­iza­ção de dados de doadores e facil­i­tar o pré-cadas­tro de inter­es­sa­dos na doação de órgãos.

O aplica­ti­vo está disponív­el para celu­lares com sis­tema iOS e Android. A apre­sen­tação do aplica­ti­vo faz parte da comem­o­ração do Dia Mundi­al do Doador de Medu­la Óssea 2021 (WMDD, do nome em inglês) que, este ano, será fes­te­ja­do hoje.

Des­de janeiro deste ano, o aplica­ti­vo está sendo usa­do em caráter exper­i­men­tal para pré-cadas­tro de novos inscritos no Redome nos esta­dos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.

Os primeiros resul­ta­dos mostram que foram feitos, até agos­to, 13.021 down­loads do aplica­ti­vo. Dos 486 pré-cadas­tros efe­t­u­a­dos, 129 pes­soas se diri­gi­ram a um hemo­cen­tro para finalizar a inscrição.

A coor­de­nado­ra téc­ni­ca do Redome, médi­ca Daniel­li Oliveira, desta­cou em entre­vista à Agên­cia Brasil que, para fun­cionar como pré-cadas­tro em nív­el nacional, o hemo­cen­tro estad­ual tem que faz­er o cadas­tro tam­bém usan­do os dados do aplica­ti­vo. “A gente está con­vo­can­do os nos­sos hemo­cen­tros para que  entrem no aplica­ti­vo. Ele não é obri­gatório”, afir­mou.

Daniel­li obser­vou que o aplica­ti­vo já per­mite a atu­al­iza­ção de dados pes­soais daque­les que estão há mais tem­po no reg­istro, como mudança de tele­fone e endereço, o que é fun­da­men­tal para a ráp­i­da local­iza­ção do doador com­patív­el.

Reforçou que o aplica­ti­vo tem duas funções. “Para o pré-cadas­tro, depende do hemo­cen­tro do esta­do que está usan­do. O que qual­quer doador já pode faz­er no aplica­ti­vo é atu­alizar o seu cadas­tro. Isso é muito impor­tante porque a gente tem sem­pre aque­le desafio de atu­al­iza­ção do cadas­tro para a local­iza­ção do doador. E a gente sem­pre aprovei­ta essa data do Dia Mundi­al do Doador para chamar a atenção para a neces­si­dade de atu­al­iza­ção do cadas­tro”, disse. A data mundi­al é comem­o­ra­da sem­pre no ter­ceiro sába­do de setem­bro.

Redome

Atual­mente, estão cadastra­dos no Redome 5,4 mil­hões de doadores, dos quais 120 mil entraram este ano. Em 2021, até agos­to pas­sa­do, foram feitos no Brasil 200 trans­plantes de medu­la óssea, sendo 140 com doadores brasileiros. Daniel­li salien­tou tam­bém que o ban­co de doadores do Brasil ben­efi­ciou este ano em torno de 20 pacientes de out­ros país­es.

A coor­de­nado­ra téc­ni­ca do Redome infor­mou, tam­bém, que a ativi­dade de trans­plante este ano está maior do que em 2020, quan­do sofreu impactos da pan­demia de covid-19. Salien­tou, entre­tan­to, que “o impacto não foi sobre os doadores, mas sobre os serviços. Os pacientes ficaram com medo de trans­plan­tar, os hos­pi­tais ficaram muito afe­ta­dos. Isso acon­te­ceu este ano tam­bém. Os doadores, ape­sar de todas as restrições, con­tin­uaram doan­do”, expli­cou.

Em 2020, foram efe­t­u­a­dos 279 trans­plantes de medu­la óssea no país, con­tra 411 em 2019. “Na ver­dade, vín­hamos numa cres­cente e fomos afe­ta­dos pela pan­demia. Mas não fomos atingi­dos porque hou­ve menos doadores cadastra­dos. A redução do número de trans­plantes não afe­tou a chance de encon­trar um doador, nem os doadores deixaram de doar. Foi uma con­jun­tu­ra de fatores”, reforçou. “Os serviços foram muito atingi­dos”. De 2018 para 2019, o total de trans­plantes no Brasil subiu de 380 para 411.

Daniel­li admi­tiu que, este ano, o pro­gra­ma de trans­plantes de medu­la óssea no Brasil não será capaz de recu­per­ar o rit­mo de 2019. A meta é super­ar o total reg­istra­do em 2020. “Eu gostaria que pas­sasse de 300 este ano”, frisou a médi­ca do Inca/Redome. A expec­ta­ti­va é que os números mel­horem ain­da mais com a ampli­ação do uso do aplica­ti­vo por doadores de todo o Brasil.

Empatia

Morado­ra da cidade de Fer­nandópo­lis, inte­ri­or de São Paulo, Lil­ian Alves de Lima, 34 anos, foi diag­nos­ti­ca­da com leucemia mieloide agu­da em dezem­bro de 2019. Ela pre­cisa­va de um trans­plante de medu­la óssea, porém, ninguém da família era com­patív­el. Com alguns meses de espera, uma doado­ra foi local­iza­da por meio do Redome e aceitou faz­er o pro­ced­i­men­to.

“Eu tive a vida sal­va por uma pes­soa que não me con­hece. É um peso muito grande, você sente mui­ta empa­tia quan­do percebe que alguém que nun­ca te viu escol­heu te sal­var. Um ato tão sim­ples, como se cadas­trar em um aplica­ti­vo ou só atu­alizar seus dados, pode mudar a esper­ança e a vida de alguém”, acen­tu­ou.

Campanha 2021

A Asso­ci­ação Mundi­al de Doadores de Medu­la Óssea (WMDA, do nome em inglês World Mar­row Donor Asso­ci­a­tion) vai cel­e­brar o Dia Mundi­al do Doador, neste sába­do, com trans­mis­são, durante 24 horas, de vídeos e fotos de hom­e­na­gens e histórias inspi­rado­ras de doadores, pacientes e famil­iares de todo o mun­do. Por con­ta da pan­demia, o Redome não fará nen­hum even­to pres­en­cial, mas envi­ou um vídeo à WMDA e está con­vo­can­do toda a sua rede de hemo­cen­tros, cen­tros de trans­plante e orga­ni­za­ções não gov­er­na­men­tais (ONGs), além de pacientes e doadores, para par­tic­i­par da cam­pan­ha. A WMDA é uma orga­ni­za­ção glob­al de reg­istros, que rep­re­sen­ta mais de 38 mil­hões de doadores vol­un­tários de 55 país­es.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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