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Coluna — Paralimpíada Escolar abre caminho para o alto rendimento

Repro­dução: © ALE CABRAL/CPB

Mais de um quarto dos medalhistas em Tóquio foram revelados no evento


Pub­li­ca­do em 27/09/2021 — 07:00 Por Lin­coln Chaves — Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional — São Paulo

Petrú­cio Fer­reira, Talis­son Glock, Gled­son Bar­ros, Leomon Moreno, Alex de Souza, Yeltsin Jacques, Wen­dell Belarmi­no e Gabriel Ger­al­do. O que eles têm em comum, além de terem con­quis­ta­do medal­has de ouro na Par­alimpía­da de Tóquio (Japão)? Os oito foram rev­e­la­dos em edições da Par­alimpía­da Esco­lar, even­to volta­do a jovens de 11 a 18 anos de todo o país e que, segun­do o Comitê Par­alímpi­co Brasileiro (CPB), é o maior do gênero volta­do a cri­anças com defi­ciên­cia em idade esco­lar no mun­do.

“Foi uma exper­iên­cia incrív­el com­pe­tir na Esco­lar. O primeiro con­ta­to que tive com o esporte par­alímpi­co, com uma com­petição de ver­dade, onde desco­bri que era pos­sív­el me tornar um atle­ta de alto rendi­men­to. Gostei daque­la atmos­fera. É uma por­ta de entra­da para out­ros atle­tas, como foi para mim”, desta­cou Wen­dell, nadador da classe S11 (defi­ciên­cia visu­al), que dis­putou o even­to em 2013 e 2015, à Agên­cia Brasil.

Ten­do como pre­cur­sor o pro­je­to “Paraolímpi­cos do Futuro”, em 2006, a Par­alimpía­da Esco­lar é real­iza­da des­de 2009. Talis­son (natação), Gled­son (fute­bol de 5), Alex (goal­ball), Yeltsin (atletismo) e Leomon sur­gi­ram jus­ta­mente nes­ta edição, dis­puta­da em Brasília. O últi­mo deles, campeão par­alímpi­co no goal­ball em Tóquio, assim como Alex, curiosa­mente se desta­cou nas pis­tas. Out­ros medal­his­tas tam­bém foram rev­e­la­dos naque­le even­to pio­neiro, como o velocista e campeão par­alímpi­co Alan Fonte­les, a arremes­sado­ra de peso Mari­vana Oliveira, o salta­dor Mateus Evan­ge­lista, a mesatenista Bruna Alexan­dre e os nadadores Ruiter San­tos, Andrey Garbe e Matheus Rheine.

“O even­to ofer­ece aos estu­dantes a opor­tu­nidade de mostrarem seus tal­en­tos, como em 2009, quan­do o Alan Fonte­les cor­reu com uma prótese de madeira. Além dis­so, impacta out­ros pro­je­tos da ini­ci­ação esporti­va, prin­ci­pal­mente no Camp­ing Esco­lar, onde nós sele­cionamos os mel­hores da Par­alimpía­da Esco­lar e eles pas­sam a ser acom­pan­hados, por um ano, por téc­ni­cos de alto rendi­men­to do Comitê, além de par­tic­i­parem de dois encon­tros no Cen­tro de Treina­men­to Par­alímpi­co [em São Paulo] e dis­putarem torneios region­ais e nacionais [das respec­ti­vas modal­i­dades]”, expli­cou o coor­de­nador de Desporto Esco­lar do CPB, Ramon Pereira, à Agên­cia Brasil.

Segun­do o diri­gente, 65 dos 236 atle­tas com defi­ciên­cia que rep­re­sen­taram o país em Tóquio (27,5%, ou seja, mais de um quar­to do total) dis­putaram a Par­alimpía­da Esco­lar em algum momen­to. Alguns, inclu­sive, em edições recentes. Bronze no reveza­men­to 4x100 met­ros livre da classe S14 (defi­ciên­cia int­elec­tu­al), a nadado­ra Ana Karoli­na Soares com­petiu em 2018. No ano seguinte, o even­to teve a velocista e salta­do­ra Jardê­nia Felix, mais jovem inte­grante da seleção de atletismo no Japão, onde foi bronze nos 400 met­ros da classe T20 (defi­ciên­cia int­elec­tu­al).

“Para desco­brir­mos ess­es tal­en­tos, tra­bal­hamos com três planil­has. A primeira, desen­volvi­da pela Ciên­cia do Esporte do CPB, detec­ta no mun­do inteiro, com dados atu­al­iza­dos a cada seis meses, os resul­ta­dos dos oito mel­hores atle­tas de acor­do com a modal­i­dade, o gênero, a classe e a pro­va. O pro­fes­sor que tem um atle­ta com defi­ciên­cia visu­al, por exem­p­lo, pode con­sul­tar os mel­hores tem­pos do mun­do e equipará-los con­forme a idade do atle­ta, para ter um parâmetro. Em para­le­lo, temos uma car­til­ha de clas­si­fi­cação que mostra, super­fi­cial­mente, a classe do aluno [de acor­do com o tipo e o grau de defi­ciên­cia]. E temos avali­ações fun­cionais e antropométri­c­as. Jun­ta­mos todos ess­es dados para iden­ti­ficar tal­en­tos e os pinçar­mos”, descreveu Pereira.

Can­ce­la­da no ano pas­sa­do dev­i­do à pan­demia de covid-19, a Par­alimpía­da Esco­lar será real­iza­da nova­mente entre 22 e 27 de novem­bro deste ano, em São Paulo. São 12 modal­i­dades: atletismo, bocha, judô, natação tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, fute­bol de 5, vôlei sen­ta­do, fute­bol de 7 (par­al­isia cere­bral), goal­ball, bas­quete em cadeira de rodas e parabad­minton.

Em 2019, últi­ma ocasião em que ocor­reu, o even­to reuniu mais de 2 mil par­tic­i­pantes, entre alunos, pro­fes­sores, diri­gentes e estafe. O coor­de­nador do CPB entende que com a expan­são dos cen­tros de refer­ên­cia par­alímpi­cos (que fomen­tam o parade­sporto da ini­ci­ação ao alto rendi­men­to, repli­can­do ativi­dades desen­volvi­das no CT Par­alímpi­co), será pos­sív­el ampli­ar o alcance do esporte e qual­i­ficar a cap­tação de poten­ci­ais atle­tas. Segun­do ele, 14 esta­dos do país con­tam atual­mente com estes cen­tros.

“Com a opor­tu­nidade dos cen­tros de refer­ên­cia, ter­e­mos um quadro de recur­sos humanos espe­cial­iza­dos na descober­ta de tal­en­tos. Esta­mos falan­do de um pro­je­to cri­a­do em março de 2019, que pre­cisou ser inter­rompi­do por causa da pan­demia e está sendo reati­va­do, e que teve 24 atle­tas em Tóquio. Os cen­tros têm papel de faz­er a ini­ci­ação, mas­si­ficar e pinçar os alunos com desem­pen­ho difer­en­ci­a­do. São pro­je­tos que sabe­mos que vão reper­cu­tir em Paris [França, sede da próx­i­ma Par­alimpía­da, em 2024], com resul­ta­dos de rep­re­sen­tantes destes pro­je­tos envol­ven­do o esporte esco­lar”, con­cluiu o diri­gente.

Edição: Fábio Lis­boa

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