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Com atraso, Mocidade anuncia enredo de 2024

Repro­dução: © Fábio Fabato/ Arqui­vo Pes­soal

Escola de samba corre para compensar tempo perdido


Pub­li­ca­do em 05/07/2023 — 08:02 Por Cristi­na Indio do Brasil — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A Moci­dade Inde­pen­dente de Padre Miguel vai para o Sam­bó­dro­mo da Mar­quês de Sapu­caí, no Rio de Janeiro, em 2024, com o enre­do “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”. O tema foi anun­ci­a­do um pouco mais de um mês depois do pre­vis­to. Uma dis­pu­ta na políti­ca inter­na da agremi­ação resul­tou em uma decisão judi­cial que não per­mi­tia a real­iza­ção de eleição da nova dire­to­ria e nem o anún­cio do enre­do, o que só ocor­reu em 28 de jun­ho, após a rever­são de parte do imped­i­men­to pela Justiça.

A esco­la, que será a primeira do Grupo Espe­cial a entrar na aveni­da na segun­da-feira de car­naval, dia 12 de fevereiro, foi a últi­ma a divul­gar o enre­do para 2024, assi­na­do pelo car­navale­sco Mar­cus Fer­reira e pelo jor­nal­ista e escritor Fábio Faba­to, autor da sinopse.

“A con­jun­tu­ra [com a questão judi­cial e de estru­tu­ração da esco­la] lev­ou a isso. Lev­ou a gente a traz­er um tema rico de história, de con­teú­do e com a lev­eza de abrir o car­naval de segun­da-feira. Foi muito escol­hi­do por isso tam­bém”, disse o car­navale­sco em entre­vista à Agên­cia Brasil.

O perío­do em que a decisão judi­cial ain­da esta­va val­en­do por com­ple­to foi de mui­ta apreen­são para a equipe de car­naval que pre­cisou segu­rar um enre­do pron­to sem poder apre­sen­tar, disse Fábio Faba­to.

“As pes­soas começaram a cobrar muito, dizen­do que só a Moci­dade não tin­ha enre­do. Para nós, que já sabíamos qual era o enre­do e já está­va­mos tra­bal­han­do nele, havia, pelo menos, dois, três meses, ficá­va­mos pen­san­do que tin­ha que sair logo”.

O autor da sinopse tem uma relação grande com a Moci­dade. Além de escr­ev­er a biografia da esco­la, foi autor dos enre­dos de 2018 sobre a Índia; de 2020 sobre a can­to­ra Elza Soares e em 2022 sobre o orixá Oxos­si, padroeiro da esco­la.

Segun­do o jor­nal­ista, em 2023, na chega­da de Mar­cus Fer­reira na verde e bran­co da zona oeste do Rio de Janeiro, o car­navale­sco preferiu faz­er o enre­do a par­tir de uma ideia de auto­ria própria, e ele não par­ticipou daque­le des­file. Pas­sa­do o car­naval de 2023, no qual a Moci­dade ficou em 11º lugar e quase foi rebaix­a­da, a esco­la e o car­navale­sco o chama­ram para dis­cu­tirem como seria a pro­pos­ta do enre­do, que pre­tendi­am ser leve.

“A Moci­dade vai abrir o des­file de segun­da-feira e está em um perío­do que pre­cisa se recon­stru­ir. Fomos beber na fonte do Fer­nan­do Pin­to, que é um grande car­navale­sco da Moci­dade nos anos 80 e tra­tou a esco­la de modo trop­i­cal­ista, e a gente teve essa saca­da de faz­er o enre­do sobre a fru­ta caju que é abso­lu­ta­mente brasileira ao con­trário da banana, que não é brasileira. A gente brin­cou que é morder a carne do caju e sen­tir o sabor do Brasil”, disse Faba­to.

“A gente tem vis­to muitos enre­dos literários, muito aca­d­e­micista, e a Moci­dade quis sair na con­tramão e faz­er algo leve, algo inédi­to, e através de nos­sa pesquisa com a colab­o­ração do Faba­to, a gente criou uma nar­ra­ti­va difer­ente daque­la que impreg­nou muito o car­naval na déca­da de 90, de que os artis­tas pegavam um tema e cri­avam uma história den­tro das vocações de que a Moci­dade pos­sui de ser uma esco­la trop­i­cal­ista, de olhar na sua história um pouco da brasil­i­dade do nos­so país”, expli­cou o car­navale­sco.

Tan­to Faba­to como Mar­cus lem­braram o nome do car­navale­sco Fer­nan­do Pin­to, que foi respon­sáv­el por parte impor­tante dess­es enre­dos que eles clas­si­fi­cam como leves e rep­re­sen­ta­tivos da brasil­i­dade, como Tupinicópo­lis. Fer­nan­do Pin­to estre­ou em 1980 e ficou em segun­do lugar com o enre­do Trop­icália Mar­avil­ha. Ele per­maneceu na esco­la até 1987, quan­do mor­reu.

Inesperado

A ideia de usar o caju como enre­do apare­ceu de for­ma ines­per­a­da. “Eu tin­ha até out­ras ideias, mas foi um enre­do que surgiu com um sen­ti­men­to. Eu esta­va na pra­ia lendo uns arti­gos e pas­sou um vende­dor de cas­tan­has. Fiquei olhan­do e falei cas­tan­ha de caju. Na hora entrei na inter­net para ver o que essa fru­ta rep­re­sen­ta para a gente, e me encan­tei com a história, e falei caram­ba é a cara da Moci­dade. No dia seguinte, trouxe para a esco­la e pronta­mente começaram a enten­der que seria um cam­in­ho que a gente seguiria para o car­naval do ano que vem”, rev­el­ou o car­navale­sco sobre a origem da escol­ha do enre­do.

Depois dis­so, ele lev­ou a ideia à dire­to­ria da esco­la que, pronta­mente, enten­deu ser um momen­to propí­cio de falar um pouco da fru­ta que é tão brasileira.

De acor­do com o car­navale­sco, para quem acha que cada car­naval tem um sen­ti­men­to, a divul­gação do enre­do deu um cer­to alívio. No próx­i­mo car­naval, a Moci­dade quer se estru­tu­rar ain­da mais e faz­er o mel­hor na aveni­da. Para o car­navale­sco, o enre­do foi bem rece­bido pela esco­la.

“A gente está muito feliz com a recepção do enre­do por parte da tor­ci­da da esco­la, que já esta­va nesse clam­or. Foi a últi­ma a anun­ciar o enre­do dev­i­do a essa buro­c­ra­cia, mas a gente não parou de tra­bal­har. O proces­so cria­ti­vo meu e da min­ha equipe de cri­ação a gente seguiu e esperá­va­mos esse momen­to. Graças a Deus foi resolvi­do e ago­ra é pro­je­tar o mel­hor, tirar as mel­hores ideias, tirar o mel­hor do papel”, disse Mar­cus.

“Rece­bi muitas men­sagens dos inde­pen­dentes e de mui­ta gente do car­naval elo­gian­do jus­ta­mente esse fres­cor. É um enre­do que trans­mite ale­gria pelo tema”, disse.

Atraso

O atra­so no anún­cio do enre­do foi moti­vo de pre­ocu­pação de Faba­to e Mar­cus, porque é a par­tir da divul­gação da sinopse que os com­pos­i­tores tra­bal­ham na cri­ação do sam­ba enre­do e ain­da tem o proces­so de seleção do sam­ba fei­ta em eta­pas por elim­i­nação até chegar ao vence­dor que vai ser can­ta­do na Pas­sarela do Sam­ba pelos com­po­nentes da verde e bran­co da zona oeste do Rio.

“Há um crono­gra­ma a cumprir, tipo de sam­ba enre­do, ago­ra tem uma dis­pu­ta de sam­ba. Isso impacta com­ple­ta­mente na orga­ni­za­ção da esco­la. Tem que decidir o sam­ba até out­ubro. Tem a gravação do dis­co [com os sam­bas de todas as esco­las do Grupo Espe­cial], que ago­ra é online, mas tem que gravar ofi­cial­mente. Ain­da bem que respeitaram o pra­zo e a esco­la ain­da está a tem­po de cam­in­har bem”, expli­cou Faba­to, acres­cen­tan­do que a dis­pu­ta de sam­bas deve começar no iní­cio de agos­to.

“A ideia é que ven­ha um sam­ba muito feliz, muito pra cima. A gente vai pedir isso aos com­pos­i­tores. Que eles se inspirem a par­tir dessa coisa trop­i­cal­ista do caju”, adiantou Faba­to, desta­can­do que o enre­do apos­ta na importân­cia históri­ca e econômi­ca e na exal­tação do Brasil lig­a­do à ter­ra. “A gente quer um sam­ba nes­sa lin­ha”.

Mar­cus disse que ele e Faba­to se pro­gra­ma­ram para que o atra­so não influ­en­ci­asse no car­naval. A prin­ci­pal pre­ocu­pação, segun­do ele, era com o pro­je­to que leva muito tem­po para ser exe­cu­ta­do. O car­navale­sco acres­cen­tou que o proces­so de cri­ação não foi inter­rompi­do para que a Moci­dade chegasse ago­ra em jul­ho com o plane­ja­men­to cer­to.

“A gente sabe que vai ter um tem­po menor que as out­ras esco­las, mas o impor­tante é que o proces­so cria­ti­vo de sinopse e de cri­ação de roteiro de infor­mações para os com­pos­i­tores já esta­va pron­to. A gente só aguar­da­va a questão judi­cial ser resolvi­da para seguir com o plane­ja­men­to. A gente acred­i­ta que não vai influ­en­ciar nas obras dos com­pos­i­tores”, disse, acres­cen­tan­do que ago­ra começa a fase de tirar dúvi­das dos com­pos­i­tores sobre o enre­do para que eles con­sigam expres­sar no sam­ba enre­do o mel­hor do tema.

O tra­bal­ho no bar­racão na Cidade do Sam­ba, na região por­tuária do Rio de Janeiro, como em out­ras esco­las, está na eta­pa final de desmon­tagem das ale­go­rias do des­file deste ano. De acor­do com Mar­cus, em ger­al, as esco­las cos­tu­mam aproveitar as fer­ra­gens dos car­ros para não pre­cis­ar com­prar esse tipo de mate­r­i­al. “A gente já vai dar segui­men­to ago­ra do iní­cio da con­fecção dos pro­tóti­pos, que é tirar do papel as novas fan­tasias”, disse.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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