...
sexta-feira ,16 janeiro 2026
Home / Noticias / Ministro diz que foi responsável por decisão de não nomear médica

Ministro diz que foi responsável por decisão de não nomear médica

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é ouvido novamente durante sessão da CPI da Pandemia, no Senado.
Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Queiroga informou que deve definir novo nome para o cargo até sexta


Pub­li­ca­do em 08/06/2021 — 12:37 Por Luciano Nasci­men­to — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

O min­istro da Saúde, Marce­lo Queiroga, disse hoje (8) que foi dele a decisão de não nomear a infec­tol­o­gista Lua­na Araújo para a Sec­re­taria Extra­ordinária de Enfrenta­men­to à Covid-19. Queiroga pres­ta nes­ta terça-feira o seu segun­do depoi­men­to à Comis­são Par­la­men­tar de Inquéri­to (CPI) da Pan­demia. Na sem­ana pas­sa­da, em depoi­men­to ao cole­gia­do, Lua­na disse não saber o moti­vo de não ter assum­i­do o car­go.

“Enten­di que, naque­le momen­to, a despeito da qual­i­fi­cação que a douto­ra Lua­na tem, não seria impor­tante a pre­sença dela para con­tribuir para har­mo­niza­ção desse con­tex­to. Então, no ato dis­cricionário do min­istro, deci­di não efe­ti­var a sua nomeação”, afir­mou Queiroga.

For­ma­da pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ) e com residên­cia em infec­tolo­gia pela mes­ma insti­tu­ição, Lua­na Araújo tam­bém é mestre pela Uni­ver­si­dade de Saúde Públi­ca Johns Hop­kins, nos Esta­dos Unidos. Durante seu depoi­men­to à CPI, Lua­na disse não ter rece­bido uma jus­ti­fica­ti­va detal­ha­da do moti­vo da desistên­cia do seu nome para inte­grar a equipe do min­istério. A infec­tol­o­gista afir­mou ain­da que foi procu­ra­da pelo min­istro Marce­lo Queiroga que a comu­ni­cou sobre a decisão.

“O min­istro, com toda a hom­bri­dade que ele teve ao me chamar, ao faz­er o con­vite, me chamou ao final e disse que lamen­ta­va, mas que a min­ha nomeação não sairia, que meu nome não teria sido aprova­do”, rela­tou. “Não sei se foi uma instân­cia supe­ri­or, o que eu pos­so diz­er é que não me parece ter sido dele, não teria lóg­i­ca. Isso ficou claro para mim”, acres­cen­tou.

Queiroga clas­si­fi­cou ain­da Lua­na como uma colab­o­rado­ra “even­tu­al” do min­istério e disse ter veta­do o nome da infec­tol­o­gista porque ela não “har­mo­niza­va” com a classe médi­ca.

“É uma questão políti­ca da própria classe médi­ca, não é um nome que har­mo­niza”, afir­mou o min­istro que disse ain­da que qual­quer indi­cação para car­gos no gov­er­no depende de aprovação políti­ca.

A afir­mação do min­istro ger­ou críti­cas de senadores. O rela­tor da CPI, Renan Cal­heiros (MDB-AL), apre­sen­tou um vídeo de um depoi­men­to de Queiroga a uma comis­são da Câmara dos Dep­uta­dos, em que o min­istro disse que o veto par­tiu de uma instân­cia supe­ri­or ao min­istério e que não hou­ve “val­i­dação políti­ca” para a nomeação da infec­tol­o­gista.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é ouvido novamente durante sessão da CPI da Pandemia, no Senado.
Repro­dução: Min­istro da Saúde é ouvi­do nova­mente pela CPI da Pan­demia — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

O senador Eduar­do Bra­ga (MDB-AM) tam­bém ques­tio­nou Queiroga a respeito da afir­mação. “Naque­le momen­to Vos­sa Excelên­cia deixou muito claro que quem não nomeou a douto­ra Lua­na não foi o min­istério da Saúde, mas o Palá­cio do Planal­to”, disse.

O min­istro reba­teu o senador e reafir­mou que a definição de nomes para car­gos na admin­is­tração fed­er­al depende de aprovação políti­ca. “Vive­mos em um regime pres­i­den­cial­ista”, disse.

Queiroga disse ain­da que deve definir um novo nome para o car­go até a próx­i­ma sex­ta-feira (11). “Na hora que tiver­mos um nome que preen­cha os critérios esse nome será colo­ca­do”, disse. “Alguém que ten­ha espíri­to públi­co, qual­i­fi­cação téc­ni­ca, que con­heça o Min­istério da Saúde e que seja capaz de me aux­il­iar no com­bate à pan­demia”, acres­cen­tou.

Tratamento precoce

O min­istro tam­bém voltou a ser ques­tion­a­do a respeito dos pro­to­co­los do chama­do trata­men­to pre­coce de pacientes com covid-19, com o uso de cloro­quina, iver­mecti­na ou hidrox­i­cloro­quina. “Meu entendi­men­to é que não há evidên­cia com­pro­va­da da eficá­cia dess­es medica­men­tos”, afir­mou Queiroga.

Ain­da de acor­do com o min­istro, caberá à Comis­são Nacional de Incor­po­ração de Tec­nolo­gias (Conitec) definir sobre a adoção ou não de remé­dios sem eficá­cia com­pro­va­da no trata­men­to hos­pi­ta­lar de pacientes com o novo coro­n­avírus.

“Essa questão, que espre­i­ta o enfrenta­men­to à pan­demia des­de o iní­cio, tem ger­a­do uma forte divisão na classe médi­ca. De um lado, há aque­les como eu, que sou mais vin­cu­la­do às sociedades cien­tí­fi­cas, e há o pen­sa­men­to, do out­ro lado, dos médi­cos assis­ten­ci­ais que estão na lin­ha de frente, que relatam casos de suces­so com ess­es trata­men­tos”, disse. “A mim, como min­istro da Saúde, cabe procu­rar har­mo­nizar esse con­tex­to, para que ten­hamos uma condição mais pací­fi­ca na classe médi­ca e pos­samos avançar”, acres­cen­tou.

Edição: Juliana Andrade

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d