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Pnad 2020: cai rendimento do trabalho e aumenta transferência de renda

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com o IBGE, 40,1% da população tinham renda de trabalho


Pub­li­ca­do em 19/11/2021 — 10:47 Por Cristi­na Indio do Brasil — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

O auxílio emer­gen­cial e o aumen­to do desem­prego, dev­i­do à pan­demia de covid‑9, alter­ou o per­fil do rendi­men­to das famílias, de 2019 para 2020. Nesse perío­do, caiu o rendi­men­to de tra­bal­ho e aumen­tou a ren­da vin­da de out­ras fontes (trans­fer­ên­cias de ren­da), como o auxílio emer­gen­cial. É o que mostra a Pnad Con­tínua 2020: Rendi­men­to de todas as fontes, divul­ga­da hoje (19) pelo Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE).

O total de pes­soas com rendi­men­to de tra­bal­ho recu­ou de 92,8 mil­hões para 84,7 mil­hões, rep­re­sen­tan­do redução de 44,3% para 40,1% da pop­u­lação. Já o número de pes­soas que rece­bi­am out­ros rendi­men­tos subiu de 16,4 mil­hões, em 2019, para 30,2 mil­hões, em 2020. Ou seja, saiu de 7,8% para 14,3% da pop­u­lação.

Con­forme esta edição da Pnad Con­tínua, pela primeira vez, des­de 2012, quan­do começa a série históri­ca, o grupo dos out­ros rendi­men­tos foi maior que o das pes­soas que rece­bi­am aposen­ta­do­ria e pen­são (26,2 mil­hões ou 12,4%). Tam­bém pela primeira vez em toda a série, o Nordeste foi a primeira grande região do país a reg­is­trar um per­centu­al de pes­soas com rendi­men­to de tra­bal­ho (32,3%) menor que a quan­ti­dade de quem rece­bia rendi­men­to de out­ras fontes (32,8%).

A anal­ista da pesquisa, Alessan­dra Scalioni Brito, lem­brou que, com a neces­si­dade de adoção de medi­das de iso­la­men­to social, hou­ve per­da de empre­gos prin­ci­pal­mente nos setores de serviços e comér­cio. “O pes­soal mais infor­mal em ger­al, ness­es setores atingi­dos tam­bém foram, pro­por­cional­mente, os mais afe­ta­dos do que o fun­cionário públi­co. Com menos gente ten­do ren­da do tra­bal­ho, que em ger­al é a prin­ci­pal fonte de ren­da das famílias, foi necessário um auxílio emer­gen­cial e esse pro­gra­ma social acabou sendo um colchão para a situ­ação não ser tão grave”, afir­mou.

Rendimentos

A par­tic­i­pação de out­ros rendi­men­tos na com­posição do rendi­men­to domi­cil­iar per capi­ta no Brasil subiu de 3,4% em 2019 para 7,2% em 2020. Em movi­men­to con­trário, o peso do rendi­men­to do tra­bal­ho recu­ou de 74,4% para 72,8%.

No perío­do, tam­bém tiver­am que­da os rendi­men­tos de aposen­ta­do­ria ou pen­são (de 18,7% para 17,6%), de aluguel e arren­da­men­to (de 2,4% para 1,5%) e de pen­são ali­men­tí­cia, doação ou mesa­da (de 1,2% para 0,8%).

A pesquisa apon­tou que de 2019 para 2020, o rendi­men­to médio real de todas as fontes apre­sen­tou que­da de 3,4%. Com isso, mudou de R$ 2.292, em 2019, para R$ 2.213, em 2020. O Sud­este reg­istrou o maior val­or (R$ 2.575). Emb­o­ra ten­ha sido a úni­ca região a não apre­sen­tar que­da no val­or, o Nordeste foi o menor (R$ 1.554).

O rendi­men­to de out­ras fontes chegou ao menor val­or (R$ 1.295) des­de 2012, com a que­da de 15,4%, movi­men­to que foi nota­do em todas as grandes regiões, prin­ci­pal­mente, nas Sud­este, Sul e Cen­tro-Oeste, onde as per­das foram de 19,6%, 13,2% e 21%, respec­ti­va­mente.

Mes­mo com o recuo recorde de 5,1%, o item aposen­ta­do­ria ou pen­são se man­teve com a maior média em 2020 (R$ 1.919), entre as cat­e­go­rias que com­põem o rendi­men­to de out­ras fontes. O rendi­men­to prove­niente de aposen­ta­do­ria ou pen­são reg­istrou difer­enças region­ais rel­e­vantes. Enquan­to nas regiões Norte e Cen­tro-Oeste, a par­tic­i­pação ficou em 12,7% e 14,8%, respec­ti­va­mente, na Nordeste alcançou 21%, na Sul,17,9%, e na Sud­este 17,4%. Para a anal­ista, a que­da ness­es rendi­men­tos pode refle­tir duas situ­ações. “Podem ser vários fatores. Pode ter efeito da mor­tal­i­dade da covid-19 e tam­bém do repre­sa­men­to do INSS em lib­er­ar os bene­fí­cios porque o serviço esta­va fecha­do e o pes­soal não con­seguiu faz­er perí­cia. Pode ter a difi­cul­dade das pes­soas aces­sarem o bene­fí­cio pelo repre­sa­men­to”, con­tou Alessan­dra.

“Como foi na pas­sagem de 2019 para 2020, fatores novos que a gente teve foram os asso­ci­a­dos à pan­demia. Seja a doença em si e questões opera­cionais de pes­soas nes­sa faixa etária, que seri­am elegíveis a entrar com pedi­do de aposen­ta­do­rias, podem ter tido que adi­ar em função da fila na Pre­v­idên­cia Social. A gente tem essa questão como pos­si­bil­i­dade. Não tem como afir­mar efe­ti­va­mente o que con­tribuiu mais ou menos”, com­ple­tou a anal­ista da pesquisa, Adri­ana Beringuy.

A maior expan­são anu­al ocor­reu no val­or dos out­ros rendi­men­tos (R$ 678), que aumen­tou 12,3% em relação a 2019. No entan­to, frente a 2012, a esti­ma­ti­va ficou prati­ca­mente estáv­el. “É a úni­ca rubri­ca que teve cresci­men­to em relação a 2019, com cresci­men­to de 12,3%. É a maior expan­são anu­al neste indi­cador, que é muito expli­ca­do pelo paga­men­to do auxílio emer­gen­cial que entra nes­ta rubri­ca de out­ros rendi­men­tos, na parte de out­ros pro­gra­mas soci­ais”, disse Alessan­dra.

Já o rendi­men­to médio men­sal real, que habit­ual­mente é rece­bido de todos os tra­bal­hos, subiu 3,4% de 2019 para 2020 e alcançou R$ 2.447, o maior val­or da série. A expli­cação é a saí­da de 8,1 mil­hões de pes­soas da pop­u­lação ocu­pa­da, no perío­do, que con­tribuiu para a ele­vação dessa média.

O mes­mo não foi vis­to no rendi­men­to médio men­sal real domi­cil­iar per capi­ta, que teve retração de 4,3% em 2020, atingin­do R$1.349. Enquan­to isso, o rendi­men­to per capi­ta nos domicílios que rece­bi­am out­ros pro­gra­mas soci­ais apre­sen­tou ele­vação de 12,2% entre 2019 e 2020, sain­do de R$ 688 para R$ 772. Para Alessan­dra Scalioni Brito, a con­cessão do auxílio com­pen­sou em parte a per­da de rendi­men­tos pelo tra­bal­ho.

“Nas regiões que têm um peso maior do auxílio, que foram Norte e Nordeste, meio que com­pen­sou a per­da do emprego, porque tem tam­bém uma mudança do pro­gra­ma social com um val­or maior. Já nas out­ras regiões, essa ren­da domi­cil­iar tam­bém tem out­ros fatores. Têm aposen­ta­do­rias e pen­sões, aluguel”, apon­tou, desta­can­do que ape­sar de ter aten­u­a­do o impacto, o auxílio não foi pen­sa­do para suprir toda a que­da que teve as out­ras fontes de ren­da no mer­ca­do de tra­bal­ho.

Desigualdade

As pes­soas que tin­ham rendi­men­to médio domi­cil­iar per capi­ta de R$ 15.816 (rep­re­sen­tam 1% da pop­u­lação), em 2020, gan­havam 34,9 vezes o rendi­men­to dos 50% com os menores rendi­men­tos (média de R$ 453). Em 2019, a relação chegou a 40 vezes, o maior val­or da série.

“A região Nordeste con­tin­ua sendo a mais desigual, ain­da que ten­ha se reduzi­do em 2019 eram 45 e ago­ra caiu para 38,2 vezes”, indi­cou Alessan­dra.

Índice de Gini

A Pnad Con­tínua mostrou tam­bém que o índice de Gini do rendi­men­to médio domi­cil­iar per capi­ta saiu de 0,544 em 2019, para 0,524 em 2020. O índice de Gini mede a desigual­dade social. É uma medi­da de con­cen­tração de ren­da, que vai de zero a um. Quan­to mais per­to de um é mais con­cen­tra­do e mais próx­i­mo de zero, mais igual­itária é a dis­tribuição da ren­da.

Todas as regiões tiver­am redução no Gini, entre 2019 e 2020, espe­cial­mente no Norte e Nordeste, onde o auxílio emer­gen­cial atingiu maior pro­porção de domicílios. O Nordeste man­teve o maior Gini em 2020 (0,526) e o Sul, o menor (0,457).

“Tem que olhar com mui­ta cautela esse aumen­to do rendi­men­to médio do tra­bal­ho e essa redução da desigual­dade da ren­da do tra­bal­ho, porque são reflex­os de mui­ta gente sain­do da ocu­pação e sobre­tu­do as pes­soas piores inseri­das, que fazem parte da infor­mal­i­dade”, obser­vou Alessan­dra Brito.

Edição: Valéria Aguiar

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