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Mulheres de diferentes continentes relatam realidade da imigração

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Agência Brasil conversou com três imigrantes que vivem em São Paulo


Pub­li­ca­do em 12/03/2023 — 09:30 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Em bus­ca de segu­rança, mel­hores condições de vida e pro­teção social, mul­heres imi­grantes saíram de seus país­es e vier­am para o Brasil para encon­trar abri­go e refú­gio. De acor­do com infor­ma­ti­vo men­sal de janeiro de 2023, elab­o­ra­do pelo Obser­vatório das Migrações Inter­na­cionais (OBMi­gra), des­de janeiro de 2021 a emis­são de vis­tos pelos pos­tos con­sulares brasileiros apre­sen­ta tendên­cia de aumen­to, partin­do de 3,8 mil vis­tos para 9,2 mil em janeiro de 2023.

No mês em que é cel­e­bra­do o Dia Inter­na­cional da Mul­her (8 de março), a reportagem da Agên­cia Brasil con­ver­sou com três imi­grantes que vivem em São Paulo e que vier­am de difer­entes regiões do mun­do: do Afe­gan­istão, na Ásia; da Repúbli­ca Democráti­ca do Con­go, na África; e da Bolívia, na Améri­ca do Sul.

São imi­grantes e refu­giadas em difer­entes fas­es da vida, que viram no Brasil um lugar para morar e aqui têm con­struí­do suas histórias. Elas con­taram suas jor­nadas e falaram sobre suas expec­ta­ti­vas.

A coz­in­heira Rai­hana Ibrahi­mi, de 49 anos, nasceu no Afe­gan­istão, mas vive há cin­co anos em São Paulo. Ela tem um restau­rante de coz­in­ha afegã com o mari­do no bair­ro da Liber­dade. Ambos são da etnia haz­ara, mino­ria que é his­tori­ca­mente persegui­da pelo Tal­ibã, que reto­mou o poder no país no ano pas­sa­do, com a reti­ra­da das tropas amer­i­canas após 20 anos de guer­ra.

Primeiro veio o mari­do há oito anos, depois ela e, mais recen­te­mente, chegou o fil­ho de 17 anos. Ain­da vive no país um fil­ho de 13 anos, que mora com a avó.

A coz­in­heira con­ta que eles vier­am para o Brasil pelo mes­mo moti­vo de mil­hares de  afegãos que migraram para o país nos últi­mos anos: fugir da opressão do Tal­ibã,  grupo fun­da­men­tal­ista suni­ta que impõe no país um gov­er­no vio­len­to, autoritário e ultra­con­ser­vador.

São Paulo, 09/03/2023, A cozinheira afegão da etnia Hazara, Raihana Ibrahimi, tem com o marido o restaurante Koh I Baba, na Liberdade. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução:  A coz­in­heira afegã Rai­hana Ibrahi­mi tem com o mari­do um restau­rante no bair­ro da Liber­dade — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Longe dos sofri­men­tos impos­tos pelo Tal­ibã, ela diz que o Brasil “é muito bom para as mul­heres, ‘deixa’ ir para a esco­la, ‘deixa’ tudo”. O Brasil é bom”, afir­ma Rai­hana, que ain­da está apren­den­do o por­tuguês.

“Lá ago­ra não tem esco­las para as meni­nas, tudo fecha­do, a fac­ul­dade tam­bém, não tem nada para as mul­heres. A mul­her tem que andar toda de bur­ka, toda fecha­da, não se pode ver mão, per­na, nada”, lamen­ta.

O son­ho ago­ra é que toda a família dela ven­ha para o Brasil. Ela está com vis­to de imi­grante recon­heci­do como refu­gia­do. O mari­do já con­seguiu a nat­u­ral­iza­ção brasileira. Os out­ros famil­iares, no entan­to, ain­da não con­seguiram os vis­tos. “Tudo para­do na embaix­a­da”, ela afir­ma.

Rai­hana con­ta que no Afe­gan­istão não tem Dia das Mul­heres. “Todo mun­do sabe que o 8 de março é para as mul­heres, mas, no Afe­gan­istão, os mari­dos não deix­am que as mul­heres saibam e as mul­heres que lutaram pela nos­sa liber­dade, a maio­r­ia delas está mor­ta ou escapou para algum lugar.”

Per­gun­ta­da sobre o que ela dese­ja para as mul­heres afegãs, Rai­hana ten­ta respon­der, procu­ra as palavras em por­tuguês, mas elas não vêm, ape­nas o choro. Pas­sa­da a emoção, ela exter­na seu dese­jo para as suas con­ter­râneas: “Quero tudo para as mul­heres, ‘deixa’ tra­bal­har’, ‘deixa’ fac­ul­dade, liber­dade para todas as mul­heres e as meni­nas! Liber­dade na rua, liber­dade na fac­ul­dade e para as estu­dantes.”

Perseguição

Rai­hana é da etnia haz­ara, uma mino­ria de origem tur­ca e mon­gol que reside prin­ci­pal­mente na região cen­tral do Afe­gan­istão. “O tal­ibã não quer os haz­aras porque a nova ger­ação está estu­dan­do”, desta­ca a imi­grante. “Somos persegui­dos pelos [mem­bros] da etnia pash­tun.”

O mem­bros da etnia pash­tun são do grupo Tal­ibã. Eles perseguem as meni­nas e as mul­heres, prin­ci­pal­mente as solteiras. “Se a meni­na não está casa­da, o Tal­ibã ques­tiona e vio­len­ta a meni­na, para nós, as haz­aras é muito ruim”, diz Rai­hana. “[Elas] se escon­dem, não saem de casa para não serem lev­adas [pelo Tal­ibã].”

Ela lamen­ta ain­da o que o con­fli­to no país faz com a infân­cia. “Cri­ança não sabe [do con­fli­to], ago­ra não tem esco­la, não tem nada, não tem comi­da, nem para mul­heres, nem para home­ns. Quer­e­mos o Afe­gan­istão para todas as mul­heres, os home­ns, quer­e­mos liber­dade!”

Bolívia

A boli­viana Liz­beth Aide Cha­col­la Yujra está há 15 anos no Brasil. Ela veio ain­da  cri­ança, aos 8 anos de idade, com os pais que dese­javam sair do país por con­ta do gov­er­no Evo Morales. “Meus pais ven­di­am sap­atos dos Esta­dos Unidos, quan­do o Evo Morales entrou no gov­er­no, ele proibiu qual­quer tipo de pro­du­tos dos EUA, para incen­ti­var o comér­cio boli­viano”. Com isso, os pais de Liz­beth, que já tin­ham par­entes moran­do no Brasil, vier­am para o país e con­seguiram tra­bal­ho como cos­tureiros.

Ela e a irmã apren­der­am por­tuguês na esco­la, cresce­r­am e se for­maram no Brasil. A irmã é design­er e ela estu­dou gas­trono­mia. Ela con­ta que já voltou três vezes ao país, a pas­seio. “A últi­ma vez foi quan­do eu tin­ha 18 anos, porque até então eu não tin­ha vis­to tudo o que tin­ha lá, não con­hecia meu país, que­ria me aven­tu­rar e con­hecer a cul­tura da Bolívia”. Liz­beth não é nat­u­ral­iza­da brasileira, mas tem per­mis­são para morar no Brasil e está legal­iza­da.

São Paulo (SP) - ESPECIAL MULHERES IMIGRANTES - Lizbeth Aide Chacolla Yujra. Foto: Arquivo Pessoal
Repro­dução: Liz­beth Aide Cha­col­la Yujra vende comi­das típi­cas da Bolívia — Arqui­vo pes­soal

Atual­mente com 23 anos, Liz­beth é empreende­do­ra e dona da Munnay Panadería, que faz entre­gas por deliv­ery e sob encomen­da por meio das redes soci­ais, além de par­tic­i­par de even­tos cul­tur­ais e lati­nos. A panadería, padaria em espan­hol, pro­duz comi­das típi­cas do país, como a empana­da puca­ca­pa, a wis­tupiku, a salteña entre out­ros.

Insegurança

“No ger­al, ser mul­her traz mui­ta inse­gu­rança”, diz Liz­beth, que cresceu e se tornou adul­ta no Brasil. “Mas, quan­do eu ain­da não sabia falar por­tuguês e não enten­dia, e as pes­soas fazi­am ‘grac­in­ha’, era ruim, e eu pega­va ônibus soz­in­ha, eu tin­ha medo, sabia de muitos casos de meni­nas sendo asse­di­adas”, relem­bra.

Hoje, ela pen­sa que as mul­heres têm que dar força umas às out­ras, pois muitas situ­ações ain­da pas­sam pelo machis­mo. “Eu sou empreende­do­ra e, quan­do eu chego a lugares para faz­er algum tipo de negó­cio, per­gun­tam se eu sou maior de idade, e se eu ten­ho um mari­do, como se pre­cisas­se de um mari­do para me respal­dar. Quan­do eu perce­bo algo não dou muitos ouvi­dos, mas quan­do eu era cri­ança eu chora­va. Hoje eu lido [de for­ma] difer­ente, eu não sou o que eles falam, é o que me dá mais força.”

Ape­sar dos obstácu­los, Liz­beth afir­ma que o Brasil foi acol­he­dor para ela. “A parte ruim foi mino­ria para mim, a parte boa é que me faz ficar aqui, porque se tivesse muito ruim eu teria ido emb­o­ra. Aqui eu ten­ho ami­gos, que sem­pre me apoiam e eu agradeço muito a eles.”

Racismo e xenofobia

“As migrações – espe­cial­mente as migrações fem­i­ni­nas – são atrav­es­sadas pelo racis­mo e pela xeno­fo­bia”, expli­ca a docente de bachare­la­do em políti­cas públi­cas e de bachare­la­do em ciên­cias e humanidades da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do ABC, Rober­ta Peres.

“As migrações de mul­heres europeias, bran­cas, são perce­bidas de for­ma muito difer­ente das migrações de mul­heres haitianas, por exem­p­lo. Ao mes­mo tem­po, as mul­heres em situ­ação de refú­gio vin­das da Síria tam­bém são perce­bidas de for­ma difer­ente das mul­heres refu­giadas da Venezuela.”

A pro­fes­so­ra expli­ca que a for­ma como as mul­heres são rece­bidas no Brasil tam­bém tem a ver com questões de raça, etnia e origem. “Temos uma lei de migração que trouxe avanços em relação ao extin­to Estatu­to do Estrangeiro, mas ain­da pre­cisamos lutar por sua imple­men­tação, de fato, jus­ta­mente para pro­te­ger as pes­soas mais vul­neráveis em suas tra­jetórias migratórias, mais suscetíveis às vul­ner­a­bil­i­dades que são as mul­heres, espe­cial­mente ges­tantes e cri­anças. E tam­bém para que as mul­heres – e todos os migrantes – que chegam ao Brasil ten­ham a pro­teção do Esta­do e aces­so a dire­itos”, defende.

Congo

Imi­grante do Con­go, na África, Hort­ense Mbuyi veio para o Brasil há oito anos. No colo, ela trouxe seu fil­ho do meio, na época com 6 meses de vida. Na ter­ra natal, ela pre­cisou deixar as duas fil­has mais vel­has, que estavam com qua­tro e dois anos de idade, que ficaram com a avó, mãe de Hort­ense.

São Paulo (SP), 09/03/2023, A advogada e ativista congolesa Hortense Mbuyi, eleita membro titular no Conselho Municipal de Imigrantes, vive como refugiada no Brasil. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: A advo­ga­da e ativista con­gole­sa Hort­ense Mbuyi vive como refu­gia­da no Brasil — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Advo­ga­da espe­cial­iza­da em dire­ito econômi­co e social e ativista políti­ca, Hort­ense saiu do país para se pro­te­ger. “Saí do país fug­in­do de uma perseguição políti­ca, porque eu atu­a­va em um par­tido da oposição. Na época, o país esta­va em uma crise políti­ca e uma guer­ra de invasão, e a min­ha perseguição ficou ten­sa quan­do eu par­ticipei de [gru­pos de] lid­er­anças de jovens e juris­tas que orga­ni­zaram um ato con­tra a mod­i­fi­cação de alguns arti­gos da Con­sti­tu­ição [do país].”

Ela lamen­ta não poder traz­er as fil­has. “Não era a min­ha pre­visão morar fora do país, naque­la época só con­segui traz­er o bebê de colo, na min­ha condição não tin­ha como entrar em proces­so para con­seguir vis­to para toda a família. Até hoje a min­ha família é par­ti­da, estou aqui, mas elas con­tin­u­am lá até hoje.”

Dois anos depois que ela veio para o Brasil, o mari­do con­seguiu vir e, aqui, eles tiver­am dois fil­hos. Hort­ense vive no país com o reg­istro de imi­grante refu­gia­da. “Não me nat­u­ral­izei [brasileira], con­tin­uo sendo con­gole­sa porque a condição do meu país não per­mite dupla nacional­i­dade”, expli­ca.

Na fal­ta de opor­tu­nidades profis­sion­ais, Hort­ense par­tiu para o empreende­doris­mo para sobre­viv­er. É ide­al­izado­ra do Espaço Wema, que pro­move a cul­tura africana. “Ain­da não con­segui me rein­te­grar à min­ha profis­são. Então fui empreen­der com a ideia de um cen­tro cul­tur­al, onde faço a pro­moção da cul­tura africana e uso a comi­da como meio de encon­tro, com rodas de con­ver­sa, ativi­dades e ofic­i­nas de culinária típi­cas, onde con­ta­mos a história dos pratos, como faz­er a comi­da, tra­bal­hamos com a comi­da afe­ti­va. Usamos a comi­da como meio de encon­tro e essa comi­da tem um pre­ci­fi­cação”, con­ta, ao falar sobre como faz para se man­ter eco­nomi­ca­mente.

Mulher no Brasil

Na visão de Hort­ense, a luta da mul­her no Brasil é muito avança­da. “Pelos seus dire­itos, pela sua autono­mia, essa liber­dade que já foi con­ce­di­da à mul­her brasileira é um avanço com­para­da à mul­her no Con­go, que ain­da está pre­sa pela cul­tura, pelas real­i­dades cotid­i­anas e as con­se­quên­cias do colo­nial­is­mo. Ela está pre­sa, sobre­tu­do, a essa vio­lên­cia que está acon­te­cen­do no mun­do con­tra a mul­her e que influ­en­cia ain­da esse pro­fun­do ‘desá­gio’ do gênero.”

“O machis­mo [no Con­go] olha a mul­her da cin­tu­ra para baixo”, ela cra­va. “Pen­sam que a mul­her só pres­ta para faz­er fil­ho e ser dona de casa. Não pen­sam que é um ser humano que pode desen­volver em out­ras áreas, que pode inte­grar out­ros domínios da sociedade para con­tribuir na con­strução do país.”

Em sua vivên­cia no Brasil, a advo­ga­da perce­beu como é a val­oriza­ção da mul­her brasileira. “A mão de obra da mul­her tem vis­i­bil­i­dade, e há posi­ciona­men­to da mul­her, o que não vejo no Con­go, onde a mul­her é cal­a­da ain­da, é humil­ha­da, ela viven­cia seus dire­itos serem pisa­dos e ninguém a defende. E a Con­sti­tu­ição [do Con­go] não tem nada para a pro­teção e a pro­moção da mul­her como vejo no Brasil”, com­ple­ta Hort­ense. “Hoje a mul­her brasileira car­rega uma força no ros­to. Já a fraque­za, a amar­gu­ra, é o que se pode ler na cara de uma mul­her con­gole­sa.”

Mulher no Congo

“No Con­go, o estupro da mul­her está sendo usa­do como arma de guer­ra”, lamen­tou. “A mul­her tem o sexo muti­la­do, ela é fei­ta de escra­va, vive o abu­so sex­u­al e ninguém está ali para pro­tegê-la.”

Hort­ense frisa que, em sua ter­ra natal, o machis­mo con­tin­ua a man­ter sua força den­tro da cul­tura. “A mul­her tem que ser casa­da, ela não tem sua autono­mia, e, para casar o homem ain­da tem que dar o dote, ou seja, o homem está com­pran­do um bem, como uma casa, um car­ro, ele tem a mul­her como patrimônio. Ele não casa para faz­er dela uma par­ceira, uma com­pan­hia, tem a mul­her como se fos­se um patrimônio.”

Hort­ense cla­ma pelas suas con­ter­râneas. “Dese­jo que as mul­heres no mun­do, que são unidas, pos­sam, por favor, olhar pelo Con­go, a mul­her no Con­go está gri­tan­do por socor­ro e ninguém está ali para ouvir. São mil­hões de mor­tos [no Con­go] e ninguém fala, a mídia e o mun­do todo estão cal­a­dos, há 25 anos a mul­her está sendo estupra­da nes­sa guer­ra toda, elas mor­rem todos os dias. A guer­ra da Ucrâ­nia começou ontem, há out­ras guer­ras há mais tem­po e ninguém fala nada.”

A guer­ra civ­il na Repúbli­ca Democráti­ca do Con­go já deixou mais de 6 mil­hões de mor­tos, e mil­hares de mul­heres vêm sendo sub­meti­das a estupros. Os con­fli­tos, gru­pos arma­dos, milí­cias e facções vem de dis­putas pelo espaço e con­t­role dos min­erais con­gole­ses que são con­tra­ban­dea­d­os para out­ros país­es.

Processo migratório

A pro­fes­so­ra Rober­ta Peres desta­ca que, como Hort­ense, as mul­heres são tam­bém pro­tag­o­nistas de suas tra­jetórias migratórias e tem se dis­tribuí­do em difer­entes regiões do país, acom­pan­hadas ou não. “Mul­heres migrantes não são acom­pan­hantes. São agentes de equidade no proces­so migratório.”

Rober­ta Peres ressalta que, no caso brasileiro, há ain­da muitos desafios pela frente: “Aces­sar serviços de saúde, espe­cial­mente de saúde sex­u­al e repro­du­ti­va, ocu­par pos­tos de tra­bal­ho não pre­cariza­dos e mal remu­ner­a­dos e perigosos, e que as cri­anças ten­ham aces­so à edu­cação, enfim, que con­sigam aces­sar o sis­tema de pro­teção social disponív­el”, reforça.

Para isso, os desafios são muitos: a questão da lín­gua, da iden­ti­dade, da cul­tura, do racis­mo e da vio­lên­cia de gênero. “É pre­ciso com­preen­der que as migrações inter­na­cionais no sécu­lo 21 não vão ces­sar. Sua com­plex­i­dade como proces­so social será cada vez maior e mais dinâmi­ca, o que apre­sen­ta uma série de desafios para a gestão de políti­cas para migrantes.”

Por isso, o diál­o­go com gestores e com os movi­men­tos soci­ais de migrantes é fun­da­men­tal, defende Rober­ta. “E as mul­heres têm se mostra­do, em difer­entes nacional­i­dades, agentes fun­da­men­tais neste diál­o­go e na luta por dire­itos, espe­cial­mente naque­las em situ­ação de maior vul­ner­a­bil­i­dade”, desta­ca.

A con­gole­sa Hort­ense Mbuyi é atual­mente pres­i­dente do Con­sel­ho Munic­i­pal de Imi­grantes (CMI) da cidade de São Paulo, órgão con­sul­ti­vo e par­itário que tem como obje­ti­vo par­tic­i­par da for­mu­lação, imple­men­tação, mon­i­tora­men­to e avali­ação das políti­cas voltadas à pop­u­lação imi­grante da cap­i­tal paulista.

Acesso

A pro­fes­so­ra pon­tua que ser mul­her migrante no Brasil é lidar com o racis­mo, a xeno­fo­bia, as difi­cul­dades no aces­so ao sis­tema de pro­teção social. “É estar numa sociedade que vem sele­cio­nan­do, ao lon­go da história, que migração irá cel­e­brar e reforçar o caráter de ‘país recep­tor de migrantes’. Essa ‘hos­pi­tal­i­dade’ é reser­va­da ape­nas a alguns gru­pos de migrantes – que não são a maio­r­ia das pes­soas em trân­si­to no mun­do”, obser­vou.

“Ser mul­her migrante no Brasil – haitiana, venezue­lana, síria, con­gole­sa, core­ana, boli­viana, peru­a­na, afegã, ben­gali, fil­ip­ina, chi­ne­sa, nordes­ti­na, nortista – é lutar pela garan­tia de dire­itos bási­cos, incluin­do aque­les rela­ciona­dos à manutenção da própria cul­tura”, final­iza a pro­fes­so­ra.

Edição: Juliana Andrade

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