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Lula defende participação de países emergentes na governança global

Repro­dução: © Ricar­do Stuck­ert

Presidente defendeu ampliação do Conselho de Segurança da ONU


Pub­li­ca­do em 20/05/2023 — 08:29 Por Vitor Abdala — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O pres­i­dente da Repúbli­ca, Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, defend­eu neste sába­do (20), no Japão, uma rep­re­sen­tação ade­qua­da de país­es emer­gentes nos prin­ci­pais órgãos de gov­er­nança glob­al, como o Con­sel­ho de Segu­rança da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU). Lula dis­cur­sou durante reunião de cúpu­la do G7, em Hiroshi­ma, onde o Brasil par­tic­i­pa como con­vi­da­do e que con­ta com a par­tic­i­pação de lid­er­anças políti­cas de 15 país­es, além da União Europeia.

“A solução não está na for­mação de blo­cos antagôni­cos ou respostas que con­tem­plem ape­nas um número pequeno de país­es. Isso será par­tic­u­lar­mente impor­tante neste con­tex­to de tran­sição para uma ordem mul­ti­po­lar, que exi­girá mudanças pro­fun­das nas insti­tu­ições”, disse Lula.

O pres­i­dente brasileiros disse que nen­hum país poderá enfrentar soz­in­ho as ameaças “sistêmi­cas da atu­al­i­dade” e que os país­es pre­cisam ter suas vozes ouvi­das para que o mun­do pos­sa resolver suas “crises múlti­plas”.

“Não faz sen­ti­do con­cla­mar os país­es emer­gentes a con­tribuir para resolver as crises múlti­plas que o mun­do enfrenta sem que suas legí­ti­mas pre­ocu­pações sejam aten­di­das e sem que este­jam ade­quada­mente rep­re­sen­ta­dos nos prin­ci­pais órgãos de gov­er­nança glob­al”, afir­mou.

“A con­sol­i­dação do G‑20 como prin­ci­pal espaço para a con­cer­tação econômi­ca inter­na­cional foi um avanço inegáv­el. Ele será ain­da mais efe­ti­vo com uma com­posição que dia­logue com as deman­das e inter­ess­es de todas as regiões do mun­do. Isso impli­ca rep­re­sen­ta­tivi­dade mais ade­qua­da de país­es africanos”, com­ple­tou durante o dis­cur­so.

Lula voltou a defend­er a ampli­ação do Con­sel­ho de Segu­rança da ONU, órgão com poder de tomar impor­tantes decisões inter­na­cionais e que reúne hoje ape­nas Esta­dos Unidos, Rús­sia, Chi­na, França e Reino Unido.

“Coal­izões não são um fim em si e servem para ala­van­car ini­cia­ti­vas em espaços plu­rais como o sis­tema ONU e suas orga­ni­za­ções par­ceiras. Sem refor­ma de seu Con­sel­ho de Segu­rança, com a inclusão de novos mem­bros per­ma­nentes, a ONU não vai recu­per­ar a eficá­cia, autori­dade políti­ca e moral para lidar com os con­fli­tos e dile­mas do sécu­lo XXI. Um mun­do mais democráti­co na toma­da de decisões que afe­tam a todos é a mel­hor garan­tia de paz, de desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el, de dire­itos dos mais vul­neráveis e de pro­teção do plan­e­ta. Antes que seja tarde demais.”

Bem-estar

No dis­cur­so, Lula tam­bém criti­cou o enfraque­c­i­men­to do sis­tema mul­ti­lat­er­al do comér­cio e o pro­te­cionis­mo ado­ta­do pelos país­es ricos. “A Orga­ni­za­ção Mundi­al do Comér­cio per­manece par­al­isa­da. Ninguém se recor­da da Roda­da do Desen­volvi­men­to. Os desafios se acu­mu­la­ram e se agravaram. A cada ameaça que deix­am­os de enfrentar, ger­amos novas urgên­cias. O mun­do hoje vive a sobreposição de múlti­plas crises: pan­demia da covid-19, mudança do cli­ma, ten­sões geopolíti­cas, uma guer­ra no coração da Europa, pressões sobre a segu­rança ali­men­tar e energéti­ca e ameaças à democ­ra­cia”

Segun­do o pres­i­dente, para enfrentar essas ameaças “é pre­ciso que haja mudança de men­tal­i­dade. É pre­ciso der­rubar mitos e aban­donar par­a­dig­mas que ruíram”.

Ele afir­mou, ain­da, que o sis­tema finan­ceiro glob­al pre­cisa estar a serviço da pro­dução, do tra­bal­ho e do emprego.

Para ele, o endi­vi­da­men­to exter­no que asso­la país­es como a Argenti­na causa uma “desigual­dade gri­tante e cres­cente” e, por isso, o Fun­do Mon­etário Inter­na­cional (FMI) pre­cisa con­sid­er­ar as con­se­quên­cias soci­ais em políti­cas de ajuste.

“Desem­prego, pobreza, fome, degradação ambi­en­tal, pan­demias e todas as for­mas de desigual­dade e dis­crim­i­nação são prob­le­mas que deman­dam respostas social­mente respon­sáveis. Essa tare­fa só é pos­sív­el com um Esta­do indu­tor de políti­cas públi­cas voltadas para a garan­tia de dire­itos fun­da­men­tais e do bem-estar cole­ti­vo”.

Economia verde

Lula ressaltou ain­da que o mun­do pre­cisa se com­pro­m­e­ter com um desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el, com esta­dos que fomentem a tran­sição ecológ­i­ca e energéti­ca, e com indús­tria e infraestru­tu­ra verdes.

“A fal­sa dico­to­mia entre cresci­men­to e pro­teção ao meio ambi­ente já dev­e­ria estar super­a­da. O com­bate à fome, à pobreza e à desigual­dade deve voltar ao cen­tro da agen­da inter­na­cional, asse­gu­ran­do o finan­cia­men­to ade­qua­do e trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia. Para isso já temos uma bús­so­la, acor­da­da mul­ti­lat­eral­mente: a Agen­da 2030.”

Par­tic­i­pam da Cúpu­la do G7, Brasil, Japão, Aus­trália, Canadá, Comores, Ilhas Cook, França, Ale­man­ha, Índia, Indonésia, Itália, Cor­eia do Sul, Reino Unido, Esta­dos Unidos, Viet­nã e União Europeia.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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