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Especialista diz que é cedo para alarme com vírus K no Brasil

Variante do influenza detectada no Pará é importada e não indica surto

Rafael Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 17/12/2025 — 20:35
Rio de Janeiro
Movimentação de idosos no posto da 612 Sul para Vacinação contra Influenza
Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal JrAgên­cia Brasil

A iden­ti­fi­cação no Brasil de um novo tipo do vírus influen­za A (H3N2), con­heci­do como “vírus K”, ain­da não é moti­vo para pre­ocu­pação, avalia o vice-pres­i­dente da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções (SBIm), Rena­to Kfouri. Segun­do o espe­cial­ista, a cir­cu­lação de vari­antes do influen­za faz parte da dinâmi­ca nat­ur­al do vírus e, neste momen­to, não há ele­men­tos sufi­cientes para pre­v­er impacto maior na próx­i­ma tem­po­ra­da de gripe.

Qual­quer esti­ma­ti­va sobre gravi­dade, duração ou inten­si­dade da próx­i­ma tem­po­ra­da seria pre­matu­ra.

“Não sabe se essa vai ser a vari­ante cir­cu­lante e pre­dom­i­nante ain­da no mun­do. Está começan­do a tem­po­ra­da no Hem­is­fério Norte. Nem sabe­mos se vai ser a tem­po­ra­da do H3N2 ou se vai vir out­ro H1N1. Isso é tudo muito teóri­co ain­da”, disse Kfouri.

Na sem­ana pas­sa­da, a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde emi­tiu nota infor­ma­ti­va em que chama atenção para o aumen­to rápi­do da cir­cu­lação da vari­ante K do Influen­za A no Hem­is­fério Norte, em espe­cial na Europa, Améri­ca do Norte e Leste Asiáti­co.

Na Europa, a ativi­dade da influen­za ini­ciou mais cedo do que o habit­u­al. A vari­ante K rep­re­sen­tou quase metade dos casos de infecções repor­tadas entre maio e novem­bro de 2025. Não foi reg­istra­da ain­da nen­hu­ma mudança sig­ni­fica­ti­va na gravi­dade clíni­ca, em ter­mos de inter­nação hos­pi­ta­lar, admis­sões em cuida­dos inten­sivos ou óbito.

O Min­istério da Saúde pub­li­cou nes­ta sem­ana informe sobre a situ­ação epi­demi­ológ­i­ca do país e desta­cou, pela primeira vez, a iden­ti­fi­cação de um caso da vari­ante K no Brasil, no esta­do do Pará.

Nes­ta quar­ta-feira (17), a Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz) trouxe mais detal­h­es sobre o reg­istro. A amostra com a pre­sença da nova vari­ante foi cole­ta­da em Belém (PA), no dia 26 de novem­bro, e ini­cial­mente anal­isa­da pelo Lab­o­ratório Cen­tral do Esta­do do Pará (Lacen-PA).

Depois da con­fir­mação de influen­za A (H3N2), o mate­r­i­al foi encam­in­hado ao Insti­tu­to Oswal­do Cruz (IOC/Fiocruz), onde pas­sou por sequen­ci­a­men­to genéti­co.

O caso ref­ere-se a uma paciente adul­ta, do sexo fem­i­ni­no, estrangeira, ori­un­da das ilhas Fiji, e foi clas­si­fi­ca­do como impor­ta­do. Até o momen­to, não há evidên­cias de trans­mis­são local asso­ci­a­da à vari­ante no Brasil.

Para Kfouri, a detecção de novas vari­antes é esper­a­da.

“Todo ano temos novi­dade do influen­za. É da natureza do vírus sofr­er mutações e causar epi­demias anu­ais. Por isso, que pre­cisamos tomar vaci­na todo ano. As vaci­nas são atu­al­izadas con­forme o que se con­segue pre­v­er do que vai cir­cu­lar na tem­po­ra­da seguinte”, expli­cou.

O espe­cial­ista desta­ca que, mes­mo quan­do há algu­ma dis­tân­cia genéti­ca entre a vaci­na e o vírus cir­cu­lante, a pro­teção per­manece, espe­cial­mente con­tra for­mas graves da doença. “O que faz às vezes com que a efe­tivi­dade da vaci­na seja um pouco maior no ano do que no out­ro ano, mas nun­ca se perde a efe­tivi­dade. Há sem­pre algu­ma per­spec­ti­va ou expec­ta­ti­va de pro­teção, espe­cial­mente con­tra des­fe­chos mais graves de hos­pi­tal­iza­ção e morte”, disse.

Espe­cial­is­tas da Fiocruz reforçam que a vaci­nação segue como a prin­ci­pal fer­ra­men­ta de pre­venção. A com­posição da vaci­na recomen­da­da pela OMS foi atu­al­iza­da em setem­bro, com cepas mais próx­i­mas das atual­mente em cir­cu­lação, incluin­do o sub­cla­do K.

“A com­posição da vaci­na de influen­za recomen­da­da pela Orga­ni­za­ção Mundi­al de Saúde foi atu­al­iza­da em setem­bro para o próx­i­mo ano, com cepas mais próx­i­mas dos cla­dos atual­mente em cir­cu­lação, incluin­do o sub­cla­do K”, diz Mar­il­da Siqueira, chefe do Lab­o­ratório de Vírus Res­pi­ratórios, Exan­temáti­cos, Enterovírus e Emergên­cias Virais do IOC.

Além da vaci­nação, as recomen­dações incluem higi­en­iza­ção fre­quente das mãos, evi­tar con­ta­to próx­i­mo em caso de sin­tomas res­pi­ratórios, uso de más­cara e bus­ca por atendi­men­to médi­co, espe­cial­mente diante de febre. Para os serviços de saúde, a prin­ci­pal ori­en­tação é man­ter o for­t­alec­i­men­to con­tín­uo da vig­ilân­cia epi­demi­ológ­i­ca, lab­o­ra­to­r­i­al e genômi­ca.

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