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Cartilha ensina como limpar casa após enchentes

Repro­dução: © Por­tal Ofi­cial do Gov­er­no do Esta­do de Alagoas

Guia ajuda a evitar contaminação por água e alimentos


Pub­li­ca­do em 18/03/2023 — 07:55 Por Viní­cius Lis­boa – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Depois que ter­mi­nam, as enchentes deix­am um cansati­vo tra­bal­ho para os moradores que se deparam com casas tomadas de lama e sujeira. Além de exaus­ti­va, a limpeza pode ser perigosa, aler­ta um guia elab­o­ra­do por enti­dades como o Con­sel­ho Fed­er­al de Quími­ca e a Asso­ci­ação Brasileira das Indús­trias de Pro­du­tos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Domés­ti­co e de Uso Profis­sion­al (Abi­pla). Em for­ma­to de car­til­ha, as ori­en­tações con­stituem um pas­so a pas­so que pode evi­tar  con­t­a­m­i­nação com ali­men­tos e aci­dentes com pro­du­tos de limpeza.

Rio de Janeiro (RJ) - Cartilha ensina como limpar casa após enchentes. Foto: ABIPLA/Divulgação
Repro­dução: Com dicas de espe­cial­is­tas, car­til­ha é gra­tui­ta e mostra o modo cor­re­to de limpar a casa após enchentes — Divulgação/Abipla

A car­til­ha pode ser baix­a­da gra­tuita­mente na pági­na da Abi­pla na inter­net. As ori­en­tações se divi­dem em dois gru­pos: “pas­sos para a vol­ta para casa” e “evite vetores e pra­gas urbanos”. Tam­bém inte­graram o tra­bal­ho a Asso­ci­ação dos Con­tro­ladores de Vetores e Pra­gas Urbanas (Aprag) e o Sindi­ca­to das Empre­sas de Con­t­role de Vetores e Pra­gas (Sind­prag).

Antes de qual­quer coisa, os espe­cial­is­tas ressaltam que é pre­ciso rece­ber a con­fir­mação das autori­dades de que é pos­sív­el voltar para casa, sem que haja riscos de desliza­men­tos, desaba­men­tos e novos tem­po­rais. O primeiro pas­so é esper­ar a água baixar e ver­i­ficar se a casa não foi inter­di­ta­da pela Defe­sa Civ­il.

Con­sel­heiro do CFQ e mem­bro da Câmara Téc­ni­ca de Saneantes da Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa), Ubiracir Lima, expli­ca que os riscos envolvi­dos na vol­ta para casa são prin­ci­pal­mente dois: ser con­t­a­m­i­na­do durante a higi­en­iza­ção da casa e ser eletro­cu­ta­do por fiações elétri­c­as em cur­to. O guia ori­en­ta a cuidar do primeiro grupo e aler­ta que é impor­tante que a elet­ri­ci­dade da residên­cia este­ja desli­ga­da na hora da limpeza.

“A água con­t­a­m­i­na­da traz muitos riscos à saúde. Os dois exem­p­los clás­si­cos são a lep­tospirose e a hepatite. E o mate­r­i­al que está na casa, sejam móveis, colchões e ali­men­tos podem ser con­t­a­m­i­na­dos por essa água”, expli­ca Ubiracir.

Durante o tra­bal­ho de remoção da lama e água acu­mu­la­dos na casa, é pre­ciso pro­te­ger-se com todos os meios pos­síveis, como más­caras, luvas e galo­chas. Se ess­es meios não estiverem disponíveis, sacos plás­ti­cos são uma alter­na­ti­va para a pro­teção dos calça­dos e das mãos do con­ta­to ime­di­a­to com a água e a lama pos­sivel­mente con­t­a­m­i­nadas.

Não às misturas caseiras

Out­ro risco enfa­ti­za­do pela car­til­ha é o uso de mis­turas caseiras de pro­du­tos de limpeza, que podem inclu­sive pro­duzir gas­es tóx­i­cos e pos­sivel­mente letais.

“É muito comum ter infor­mações de inter­net e influ­en­ci­adores ensi­nan­do a faz­er mis­turas, com a ale­gação de que vai aumen­tar a potên­cia dos pro­du­tos ou que vai ger­ar econo­mia. O risco é muito alto. Pode-se faz­er uma mis­tu­ra que explode ou gera gas­es muito perigosos que podem levar ao óbito ou a irri­tações de mucosas das vias res­pi­ratórias e olhos”, aler­ta. “O cidadão deve bus­car pro­du­tos reg­u­lar­iza­dos na Anvisa.”

A car­til­ha lem­bra que os pro­du­tos de limpeza devem ser usa­dos de acor­do com as ori­en­tações pre­sentes nas embal­a­gens e nun­ca devem ser mis­tu­ra­dos. Caso não haja recur­sos para a com­pra de saneantes e desin­fe­tantes, a água san­itária é uma alter­na­ti­va, mas é pre­ciso usá-la de acor­do com as ori­en­tações: duas col­heres de sopa para cada litro de água no caso da limpeza de super­fí­cies e uma col­her de sopa para cada litro de água no caso de fru­tas, legumes e ver­duras que não tiver­am con­ta­to com água ou lama da chu­va. Todos os ali­men­tos que tiver­am con­ta­to com a sujeira devem ser descar­ta­dos.

O dire­tor exec­u­ti­vo da Abi­pla, Paulo Engler, ressalta que é pre­ciso ter muito cuida­do com o uso de água san­itária. “É um pro­du­to que tem que saber usar na for­mu­lação cor­re­ta, no vol­ume cer­to, e exata­mente como está no rótu­lo do pro­du­to”, afir­ma Engler, que acres­cen­ta que, além do risco de intox­i­cação, há pos­si­bil­i­dade de mis­turas anu­larem o efeito dos pro­du­tos de limpeza.

“A mis­tu­ra, na maio­r­ia das vezes, não é efi­ciente. Muitas vezes, ela anu­la a com­posição quími­ca, o que se imag­i­na ser algo que vai mel­ho­rar a higi­en­iza­ção, mas muito pelo con­trário. Um ele­men­to pode anu­lar o out­ro. O pro­du­to de limpeza que é ven­di­do no mer­ca­do e está homolo­ga­do pela Anvisa, ele de fato higi­en­iza, de fato desin­fec­ta e deixa o ambi­ente limpo.”

Caixa d’água

Engler pede ain­da mui­ta atenção aos locais de armazena­men­to de água, como caixas d’água, cis­ter­nas e poços. Nos dois últi­mos casos, é necessária a análise lab­o­ra­to­r­i­al de um espe­cial­ista para garan­tir que a água ain­da é própria para con­sumo. No caso das caixas d’água, são necessários o esvazi­a­men­to e a limpeza com água e sabão neu­tro. Depois, a recomen­dação é encher nova­mente, adi­cionar duas col­heres de água san­itária para cada litro e deixar em repouso por 30 min­u­tos. Por últi­mo, a caixa d’água deve ser lava­da abun­dan­te­mente com água potáv­el antes de ser enchi­da pela água que será con­sum­i­da.

“Se hou­ve uma inun­dação, mes­mo que ela este­ja no alto, nos­sa recomen­dação é que se esvazie a caixa d’água. O essen­cial é lavar antes de encher nova­mente”, expli­ca. Segun­do Engler, vetores e pra­gas que se deslo­cam durante uma enchente podem alcançar a caixa d’água mes­mo que ela este­ja no tel­ha­do.

Além de disponi­bi­lizar a car­til­ha na inter­net, a Abi­pla pre­tende ofer­ecê-la a sec­re­tarias de Edu­cação, para que cheguem até as esco­las até mea­d­os de abril. A asso­ci­ação tam­bém tem um guia com infor­mações bási­cas sobre pro­du­tos de limpeza, detal­han­do os cuida­dos necessários para usá-los.

Edição: Nádia Fran­co

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