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Chance de El Niño forte é de 56%, diz agência dos Estados Unidos

Repro­dução: © Ake­mi Nitahara/Agência Brasil

No Brasil, fenômeno causa seca no Norte e Nordeste, e chuva no Sudeste


Pub­li­ca­do em 09/06/2023 — 17:48 Por Léo Rodrigues — Rio de Janeiro

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O El Niño já é uma real­i­dade e as chances de se tornar um even­to forte no seu pico são de 56%. Além dis­so, há uma prob­a­bil­i­dade de 84% de ser pelo menos um even­to mod­er­a­do. As esti­ma­ti­vas são da Admin­is­tração Nacional Oceâni­ca e Atmos­féri­ca (NOOA), agên­cia cien­tí­fi­ca vin­cu­la­da ao gov­er­no dos Esta­dos Unidos.

Os dados, divul­ga­dos nes­sa quin­ta-feira (8), foram reunidos em um arti­go assi­na­do pela cien­tista Emi­ly Beck­er. “Quan­do o El Niño é mais forte, geran­do uma tem­per­atu­ra da super­fí­cie do mar muito mais quente que a média, ele tem uma maior influên­cia na mudança da cir­cu­lação glob­al, tor­nan­do os padrões de impacto mais prováveis”, disse ela.

O fenô­meno El Niño é car­ac­ter­i­za­do pelo enfraque­c­i­men­to dos ven­tos alí­sios (que sopram de leste para oeste) e pelo aque­c­i­men­to anor­mal das águas super­fi­ci­ais da porção leste da região equa­to­r­i­al do Oceano Pací­fi­co. As mudanças na inter­ação entre a super­fí­cie oceâni­ca e a baixa atmos­fera têm con­se­quên­cias no tem­po e no cli­ma em difer­entes partes do plan­e­ta. Isso porque a dinâmi­ca das mas­sas de ar ado­ta novos padrões de trans­porte de umi­dade, afe­tan­do a tem­per­atu­ra e a dis­tribuição das chu­vas.

Circulação de Hadley

“O ar quente que sobe per­to da Lin­ha do Equador se move em direção aos polos no alto da atmos­fera, descen­do nova­mente per­to de 30ºN e 30ºS, em um padrão de inver­são chama­do cir­cu­lação de Hadley. A cir­cu­lação de Hadley está conec­ta­da com as cor­rentes de ven­to nas lat­i­tudes médias e altas, que dire­cionam as tem­pes­tades ao redor do mun­do e sep­a­ram as mas­sas de ar frio e quente”, expli­ca Emi­ly Beck­er.

A agên­cia dos Esta­dos Unidos desta­ca que os estu­dos sobre o El Niño são impor­tantes porque per­mitem que o mun­do se antecipe às mudanças e impactos. No Brasil, o fenô­meno provo­ca esti­agem em partes das regiões Norte e Nordeste, e mais tem­pes­tades no litoral do Sud­este e do Sul. Nos Esta­dos Unidos, um inver­no com chu­vas mais inten­sas é esper­a­do no sul do país, enquan­to o norte deve ano­tar tem­per­at­uras mais quentes.

O El Niño — que ocorre em inter­va­l­os de tem­po que vari­am entre três e sete anos — per­siste em média de seis a 15 meses. As duas edições mais inten­sas, des­de que a ciên­cia pas­sou a com­preen­der o fenô­meno, ocor­reram em 1982–1983 e em 1997–1998.

Após o fim de um El Niño, um novo episó­dio só voltará a ser reg­istra­do depois que ocorre uma La Niña. Tra­ta-se tam­bém de mudanças anor­mais na inter­ação entre a super­fí­cie oceâni­ca e a baixa atmos­fera, porém em sen­ti­do inver­so: há um res­fri­a­men­to das águas super­fi­ci­ais da porção leste da região equa­to­r­i­al do Oceano Pací­fi­co.

Mais calor

No mês pas­sa­do, a Orga­ni­za­ção Mete­o­rológ­i­ca Mundi­al (OMN) já havia indi­ca­do que o El Niño teria iní­cio até o fim de setem­bro. De acor­do com a Admin­is­tração Nacional Oceâni­ca e Atmos­féri­ca, os critérios usa­dos para iden­ti­ficar as condições do fenô­meno estão preenchi­dos. Des­de o mês pas­sa­do, a tem­per­atu­ra da super­fí­cie do Oceano Pací­fi­co na lin­ha equa­to­r­i­al tem se man­ti­do mais quente que a média.

Além dis­so, com base em um mod­e­lo climáti­co, as pre­visões indicam que a tem­per­atu­ra nos próx­i­mos meses per­manecerá aci­ma do lim­ite que car­ac­ter­i­za o El Niño. Por fim, os cien­tis­tas da Admin­is­tração Nacional obser­varam padrões na cir­cu­lação do ar típi­cos do fenô­meno, com fortes ven­tos de super­fí­cie que aju­dam a man­ter a água quente acu­mu­la­da no oeste do Oceano Pací­fi­co.

Para a agên­cia dos Esta­dos Unidos, as chances de um El Niño fra­co são de 12%. Existe ain­da uma pos­si­bil­i­dade de que o fenô­meno não evolua e recue. “A natureza sem­pre reser­va sur­pre­sas. Emb­o­ra as condições do El Niño ten­ham se desen­volvi­do, ain­da há uma peque­na chance (4–7%) de que as coisas desa­pareçam. Achamos que isso é improváv­el, mas não é impos­sív­el”, reg­is­tra o arti­go assi­na­do por Emi­ly Beck­er.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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