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Expectativa é que mulheres sejam ouvidas, diz Anielle sobre marcha

Marcha das Mulheres Negras será realizada nesta terça em Brasília

Luiz Clau­dio Fer­reira — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 24/11/2025 — 21:50
Brasília
Brasília, DF 07/11/2023 O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizam o seminário 135 anos da Abolição – Entre a Escravidão e o Racismo. Participam da abertura a presidente do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/ Agên­cia Brasil

A min­is­tra da Igual­dade Racial, Anielle Fran­co, emo­cio­nou-se, nes­ta segun­da-feira (24), em Brasília, ao lem­brar a luta da irmã, a vereado­ra Marielle, em even­to com ativis­tas do movi­men­to negro, na véspera da Mar­cha das Mul­heres Negras.

Marielle foi assas­si­na­da no Rio de Janeiro, em março de 2018.

“Há 10 anos, eu me lem­bro da min­ha mãe e da min­ha irmã, comen­tan­do, se aprontan­do [para a mar­cha]. Hoje eu fico pen­san­do onde ela estaria. Cer­ta­mente estaria na mar­cha conosco hoje”, disse a min­is­tra em entre­vista à Agên­cia Brasil.

A min­is­tra esteve em roda de con­ver­sa, em even­to com a min­is­tra do Meio Ambi­ente, Mari­na Sil­va, e as dep­utadas Benedi­ta da Sil­va (PT-RJ) e Eri­ka Hilton (PSOL-SP) em even­to orga­ni­za­do pelo Movi­men­to “Mul­heres Negras Deci­dem”.

A min­is­tra Anielle Fran­co defend­eu que a mar­cha, que será real­iza­da nes­ta terça-feira (25), tornou-se um sinôn­i­mo de luta da cole­tivi­dade para as mul­heres negras de todo o país. Ela acres­cen­tou que estão con­fir­madas, inclu­sive, a pre­sença de rep­re­sen­tações estrangeiras.

“A nos­sa expec­ta­ti­va é que, de fato, as pes­soas nos escutem, escutem o nos­so amor, o nos­so ape­lo e a nos­sa luta”, disse.

Anielle Fran­co ressaltou que a mar­cha tem a pre­sença de mul­heres que vivem um enfrenta­men­to diário con­tra todas as for­mas de opressão. O ato tam­bém sig­nifi­ca, con­forme entende, hon­rar a memória de mul­heres que perder­am a vida durante a luta.

“Seja a Marielle, seja a mãe Bernadette [lid­er­ança quilom­bo­la assas­si­na­da em agos­to de 2023], sejam tan­tas out­ras lid­er­anças que nós tive­mos”.

Anielle avaliou, tam­bém para a reportagem, que as deman­das de segu­rança públi­ca estão tam­bém entre as pri­or­i­dades das mul­heres que fazem a mar­cha.

Ela recor­dou as 122 mortes ocor­ri­das no Rio de Janeiro durante a Oper­ação Con­tenção. “A gente está aqui com mães do Com­plexo do Alemão e da Pen­ha. E essa dor… só quem pas­sa entende”.

Além da segu­rança públi­ca, Anielle desta­cou que os temas de edu­cação, saúde, cul­tura e laz­er devem faz­er parte das reivin­di­cações das man­i­fes­tantes no even­to.

Brasília (DF), 24/11/2025 – Ministra Marina Silva participa do movimento Mulheres Negras decidem descrição da atividade: O Ato Político por uma ministra negra no STF Já! é um chamado público por representatividade no mais alto tribunal do país Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 24/11/2025 – Min­is­tra Mari­na Sil­va par­tic­i­pa de even­to na véspera da Mar­cha das Mul­heres Negras. Foto: Val­ter Campanato/Agência Brasil

Tam­bém no even­to, a min­is­tra Mari­na Sil­va afir­mou que out­ro tema que deve ter reflexões durante a mar­cha é o “racis­mo ambi­en­tal”.

Esse con­ceito é com­preen­di­do sobre como gru­pos em maior vul­ner­a­bil­i­dade, como comu­nidades negras e indí­ge­nas, sofrem de for­ma despro­por­cional o impacto das mudanças climáti­cas.

“São os que pagam as piores con­se­quên­cias por estarem nos piores espaços para morar e terem as piores condições de infraestru­tu­ra”, disse a min­is­tra, à Agên­cia Brasil. 

De toda for­ma, Mari­na Sil­va diz que é pre­ciso esper­ar reivin­di­cações sobre o com­bate a todas as for­mas de dis­crim­i­nação e por respeito aos dire­itos soci­ais que viraram lei, mas não saíram do papel.

Direito ao trabalho

Ela ain­da acres­cen­tou que mul­heres negras devem ter dire­ito de empreen­der.

“Muitas vezes as opor­tu­nidades para o empreende­doris­mo não vêm para elas na mes­ma inten­si­dade e com a mes­ma qual­i­dade de suporte”, lamen­tou.  Ain­da no cam­po profis­sion­al, Mari­na criti­cou que mul­heres negras são impe­di­das de ocu­par espaços de lid­er­ança, tan­to no ambi­ente públi­co como pri­va­do.

“Mães solo como eu”

Aliás, sen­tem a opressão no cam­po profis­sion­al tra­bal­hado­ras como a paulis­tana Pamel­la de Jesus, de 32 anos, que via­jou a Brasília para a mar­cha. Ela é uma das 8 mil mul­heres que atu­am como oper­ado­ra de tele­mar­ket­ing em São Paulo, e tam­bém atua como sindi­cal­ista

“Pelo menos 90% das tra­bal­hado­ras são negras. Muitas mães solo como eu”, con­ta.

Ela, que tra­bal­ha seis dias e des­cansa um, afir­ma que mul­heres negras são ain­da mais vul­neráveis a assé­dios moral e sex­u­al no tra­bal­ho.

“Faze­mos lon­gas jor­nadas e recebe­mos metas inal­cançáveis”.

Pamel­la acor­da todos os dias às 5h, arru­ma a fil­ha de qua­tro anos para a creche, e segue para o tra­bal­ho. Ela garante que a luta diária é dura, mas é necessário reivin­dicar, em momen­tos como a mar­cha das mul­heres negras.

Uma das con­quis­tas recentes para a cat­e­go­ria, con­forme exem­pli­fi­ca, foi a exten­são da licença mater­nidade para 180 dias. “Faz mui­ta difer­ença”, garante.

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